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Ferreira Gullar morre aos 86 anos no Rio

O poeta, escritor e teatrólogo maranhense Ferreira Gullar morreu na manhã deste domingo (4) no Rio, aos 86 anos. Gullar é um dos maiores autores brasileiros do século 20 e foi eleito “imortal” da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2014, tornando-se o sétimo ocupante da cadeira nº 37.

ferreira-gullar

Poeta, crítico de arte, tradutor e ensaísta. Ferreira Gullar é considerado como o maior poeta vivo da literatura brasileira. Um dos nomes mais importantes de nossas letras, José Ribamar Ferreira iniciou sua carreira no ano de 1940, em São Luís, Maranhão, sua cidade natal. Em 1951 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde colaborou com diversas publicações, entre elas revistas e jornais, além de ter participado ativamente da criação do movimento neoconcreto.

A poesia de Ferreira Gullar sempre destacou-se pelo engajamento político. Por meio da palavra, Gullar fez da poesia um importante instrumento de denúncia social, especialmente na produção dos anos de 1950, 1960 e 1990, haja vista que, posteriormente, o poeta tenha reconsiderado antigos posicionamentos. Sua poética engajada ganhou força a partir dos anos de 1960 quando, ao romper com a poesia de vanguarda, aderiu ao Centro Popular de Cultura (CPC), grupo de intelectuais de esquerda criado em 1961, no Rio de Janeiro, cujo objetivo era defender o caráter coletivo e didático da obra de arte, bem como o engajamento político do artista.

Perseguido pela ditadura militar, Ferreira Gullar exilou-se na Argentina durante os anos de repressão, exílio provocado pelas fortes tensões psíquicas e ideológicas encontradas em sua obra. A importância do poeta foi reconhecida tardiamente, na década de 1990, quando finalmente Gullar foi agraciado com os mais importantes prêmios literários de nosso país. Em 2014, aos 84 anos, foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira de número 37, que pertencera ao escritor Ivan Junqueira.

Poema: Não há vagas – Ferreira Gullar
Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.

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