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Verdades sobre o veganismo que ninguém te conta!

Entre Anas -

Há um tempo, fiz um post com 10 verdades que ninguém te conta sobre o feminismo. Decidi, então, estender a ideia para o Veganismo. Um assunto que, igualmente, é repleto de mitos. Algumas verdades, é claro, doem. Mas antes ter tudo esclarecido e com os devidos pingos nos is que ficar pregando o senso comum por puro comodismo e ignorância.

10 verdades sobre o veganismo 

1 ➳ O veganismo não é caro, ele é elitista. Comentei um pouco sobre isso em um post com o vídeo de compras veganas, mas se você quiser entender mais sobre o assunto recomendo fortemente o texto como é ser vegana e favelada.

Basicamente, precisamos entender que o veganismo está associado a privilégios sociais e o principal deles é o acesso à informação de qualidade. Agrião, beterraba, pepino e cenoura não são alimentos caros. Mas olhe ao seu redor: famosos vegetarianos, pratos à base de plantas com preços exorbitantes, instagrans de veganos hipsters, hambúrgueres industrializados vegetarianos pelo dobro do preço… Qual é a imagem que se tem do veganismo? É frescura, coisa de gente rica. O veganismo é vendido para elite, mesmo que não seja algo caro em si. 

2 ➳ E desse conceito pulamos para a verdade nº 2, nem toda vegana é saudável, magra, esbelta e malhada. É comum pensar que muitos veganos mudam seus hábitos pensando, principalmente, na saúde. E isso inclui acrescentar ao seu armário nutricional yeast, spirulina, maca peruana e outros suplementos verdes e, aparentemente, mágicos. Ah, e acordar às 5h da manhã para correr e fazer yoga. Pena que não é assim que funciona.

Tem muito vegano que só come carboidrato (haja batata!), fritura e industrializados. Não bebe nenhum copinho de água por dia e passa longe de salada crua. E nem venha me dizer que um pedaço de bife resolveria o problema, viu? Porque tem muito carnista por aí que acha que está abalando com um prato de arroz, feijão e carne, mas, na real, você está fazendo as escolhas erradas da mesma maneira.

Nem toda vegana vai à academia, faz poses de yoga na praia ou bebe suco verde todos os dias. Nem Toda Vegana é Yasmin Brunet.

3 ➳ Assim como nem todo vegana é saudável, se você é vegana apenas por saúde, deixa eu te contar um segredo: você não é vegana. Você só não come alimentos de origem animal, ou seja, é vegetariana estrita. Ponto.

O termo veganismo, em primeiro lugar, parte da preocupação com os animais. Depois, vem o meio ambiente, a saúde, o slow fashion, o pequeno empreendedor, o que você quiser. O abate de animais e seu sofrimento foram o ponto de partida para a criação da The Vegan Society, não a preocupação com o câncer. O veganismo está intrinsecamente ligado à causa animal.

4 ➳ Não é porque você aderiu a essa filosofia de vida que você, automaticamente, passa a odiar queijo, picanha e doce de leite. O gosto das coisas não muda. O que muda é a sua visão sobre aquele alimento.

Poucos veganos não gostam de alimentos de origem animal. O veganismo é uma escolha. Você abre mão de convenções sociais por um bem maior. Infelizmente, isso não significa que o pudim ou o hod dog deixarão de ser gostosos, mas, sim, que um minuto de prazer na boca não valerá a pena diante de tanta morte e sofrimento. O fim, nesse caso, jamais justificará os meios.

Mas eu te garanto uma coisa: com o passar do tempo, você acaba esquecendo o gosto das coisas e se abre diante de tantos novos sabores.

5 ➳ Novos sabores estes que nunca serão iguais aos alimentos de origem animal. Leite de coco não é leite de vaca. Hambúrguer de feijão não é hambúrguer de boi. Queijo de castanha de caju não é provolone.

Você pode chegar perto na textura, no aroma e até mesmo no sabor, mas nunca será igual. Um pedaço de soja não sangra. O leite de amêndoa não é para o bezerro. Um grãomelete não saiu de dentro de uma galinha. São alimentos de origens distintas e com processos de produção diferentes.

É preciso aceitar essa ideia e abrir a mente e o coração, estando disposta a provar novos sabores. Mudar o seu paladar também faz parte dessa transição.

6 ➳ Às vezes, você vai passar fome. Quer dizer, se você não se planejar, você vai passar fome. Quantas vezes eu fui a lugares com amigos que, simplesmente, não tinham nada vegano ou sequer adaptável. Ou, então, festas de aniversário, churrascos, enfim, eventos sociais que não estão preparados para nos receber.

Se você for esperto, vai levar uma maçã, uma banana, umas castanhas ou cookies na bolsa. Se não se planejar, bom, há algumas opções: ficar com fominha até chegar em casa, tentar improvisar ou cruzar os dedinhos para existir um delivery de batata frita ou com opções veganas por perto.  

7 ➳ A alimentação é, acreditem ou não, a parte mais fácil. Afinal, existem muitas opções para substituir o leite, o ovo ou a carne.

A crueldade animal, porém, está em diversos detalhes. Nos acessórios, na decoração (vocês já viram um tapete de pelo de animal? É terrível!), na sua pasta de dente, na escova, no detergente, na lente de contato, no rímel, no corretivo, no esmalte, na tinta de cabelo e por aí vai. A lista de itens do nosso dia a dia com alguma porcentagem de crueldade animal é imensa.

Mas com passos pequenos, uma substituição por vez, jogo de cintura e força de vontade, nós conseguimos, praticamente, erradicar o sofrimento animal das nossas escolhas.

8 ➳ Fiscal da militância alheia existe em qualquer lugar. No feminismo ou no veganismo. Sempre vai existir alguém querendo tirar sua carteirinha de vegana. Seja porque você comprou um shampoo de uma marca sem saber dos antecedentes ou comeu sem querer algo que tinha aroma com derivados de leite.

Faça pelos animais. Você conhece o seu ritmo e as suas limitações. Ignore o ego alheio e siga mudando seus hábitos. Costumo dizer que a decisão de querer fazer algo pelos animais é linda por si só e é um sinal de que você saiu da zona de conforto, do comodismo e abriu os olhos. Isso, de início, basta. O resto você ajusta aos poucos.

9 ➳ Crianças, idosos e gestantes podem, sim, ser veganos. O que falta é informação e profissionais especializados, com conhecimento o suficiente para atender esses grupos. Raros são os casos em que a carne é, realmente, necessária para salvar a vida de alguém.

Não olhe com preocupação ou descaso as mães que optaram por ter gestações veganas ou criam suas crianças a partir dessa filosofia de vida. Não sei para vocês, mas me parece muito mais saudável ver uma criança comendo frutas, vegetais, legumes e cereais ao invés de nuggets, bolachas recheadas e miojo.

Apenas parem de julgar quem não tem o mesmo estilo de vida que o seu, ok?

10 ➳ Uma das partes mais difíceis do veganismo é ver pessoas que você ama e admira continuarem com uma venda nos olhos – ou gostarem de vesti-la. Cortar o leite é fácil comparado a falar para sua prima, tia ou até mesmo seus pais sobre o veganismo e escutar é besteira, você vai ficar doente, animais foram feitos para isso, eu jamais vou parar de comer carne, você é extremista, sua escolha nunca vai mudar nada no mundo.

É triste porque, ao se tornar vegano, você sente uma compaixão tão grande que esse parece o único caminho possível. Você quer que outras pessoas se sintam como você se sente. Mas quando amar o gosto de um bicho morto é uma atitude tão normalizada na sociedade, você, facilmente, será ignorada.

As pessoas tem medo de mudar e, por isso, participar dessa violência desnecessária é mais fácil. Assim, uma das partes mais complicadas do veganismo é permanecer esperançosa diante de tanta indiferença.

Mas viver essa conexão com os animais e, finalmente, entender a verdade é libertador. Sempre haverá resistência. Fazer o certo, porém, é recompensador. Um dia, essas sementes vão florescer. E, no fim do dia, você precisa falar. Alguém precisa falar por aqueles que não tem voz. Que seja você, então, a expor a injustiça.

O que vocês acharam dessas verdades sobre o veganismo? Quais são seus pensamentos em relação a essas ideias? Conhecem outras verdades? Algum vegano aí? Vamos conversar!  

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