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Liechtenstein: os príncipes e nós

Eduardo Trindade
Castelo de Vaduz, residência do príncipe de de sua família
Países pequenos exercem sobre mim um certo fascínio. Talvez devido ao antagonismo de alguém como eu, vindo de um país tão grande e diverso, encontrar uma nação que seja justamente o oposto disso. Talvez pela satisfação levemente preguiçosa (e eventualmente traiçoeira) de achar que se consegue conhecer um país inteiro andando pouco. Talvez simplesmente porque esses países - Luxemburgo, Andorra, Mônaco, agora Liechtenstein... - são realmente bonitos, além de não serem lugares congestionados de turistas.
Liechtenstein é um pequeno país entre a Suíça e a Áustria e possui uma curiosa história com reminiscências medievais, como o fato de ser uma monarquia: mais precisamente, um principado em que o monarca possui um papel político ativo, muito mais do que decorativo.
Dia de festa em Liechtenstein
Assim sendo, tivemos a feliz coincidência de estar em Liechtenstein no aniversário do príncipe, uma ocasião que (não por acaso) é dia de festa nacional. Os jardins do castelo são abertos aos súditos que, neste dia, podem desfrutar de um almoço literalmente principesco. Os próprios príncipes e sua família (aliás, uma das mais ricas da Europa) desfilam no meio do povo. Há um pronunciamento ao qual aparentemente o país inteiro assiste espalhado pelo gramado em volta do castelo, num clima que mistura piquenique familiar com conto de fadas. A banda toca. Depois descem todos para o centro da cidade, onde há uma feira com barracas de comidas, música ao vivo nas praças e museus abertos com entrada franca. À noite, uma queima de fogos encerra a festa.
Liechtenstein do lado de cá, Suíça do lado de lá
No dia seguinte, aproveitamos para explorar o país, o que não é difícil dada a sua pequena dimensão. Liechtenstein possui 11 municípios, com uma média de 3 mil habitantes em cada um deles. Ou seja, o que se vê são pequenos vilarejos alpinos aqui e ali. Mesmo a capital, Vaduz, tem um certo ar de província. A geografia do país é bem dividida em duas partes: a oeste, Liechtenstein ocupa metade de um Vale (no meio do vale está o rio Reno e, do outro lado, a Suíça); a leste, montanhas que formam parte da cadeia dos Alpes e a fronteira com a Áustria. Na parte baixa, campos para pastagem de gado leiteiro; na parte alta (de onde, aliás, tem-se uma bela vista de quase todo o país), estradas sinuosas e uma estação de esqui que, no inverno, é o principal destino turístico do país. Aqui e ali, castelos, alguns em ruínas, outros conservados e erguendo-se imponentes, como aquele de Vaduz, em que vive a família do príncipe. Os caminhos cruzam as duas fronteiras o tempo todo: a única autoestrada digna do nome fica do lado suíço, de tal forma que, para ir rapidamente de uma ponta à outra de Liechtenstein, é preciso atravessar para o país vizinho e voltar. Mas tem horas em que simplesmente vale mais a pena fazer o caminho lento, atravessando os campos. É preciso tempo para assimilar os tons de verde desse vale.


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