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Batman: a Piada Mortal – Um dia ruim nas animações da DC

Contém Spoilers

O Universo da DC está finalmente criando o seu mundo nas telonas do cinemas e querendo provar que não só a Marvel pode fazer bons filmes de super heróis. É fato que a Marvel já conquistou o seu pedestal, enquanto a DC vêm escalando, mas sem apoio total dos fãs, que ainda não estão convencidos do seu potencial. Entretanto, é inegável que no ramo das animações, a DC é referência e chuta qualquer outra da concorrência.

Batman: Animated Series, Liga da Justiça, Liga da Justiça: sem limites, as adaptações de graphic novels como Batman: Ano Um, Batman: O Cavaleiro das Trevas e Ponto de Ignição, são consideradas obras primas. Era a vez de outro dos maiores clássicos do Homem-Morcego ganhar a sua versão animada. A expectativa era grande desde que confirmaram a classificação indicativa como alta, já que trata-se de uma hq completamente perturbada e pesada para os jovens, sem contar que o ilustre Mark Hamill retornou para incorporar o Palhaço do Crime na obra mais importante do personagem. Fomo conferir Batman: a Piada Mortal na sessão proporcionada pela rede de cinemas Cinemark com o site Omelete e por mais que fosse incrível pensar em ver uma obra como Piada Mortal na tela grande, o resultado foi um tanto confuso e um pouco decepcionante.

Quem já leu a graphic novel sabe que ela não tem mais do que 46 páginas. Era impossível fazer um longa-metragem unicamente com o material original e por isso Brian Azzarello escreveu todo um arco inicial protagonizado por Bárbara Gordon, a Batgirl. “Em primeiro lugar, sei que, provavelmente, não é assim que pensou que a história começaria. Não com uma grande e brilhante lua, ou com uma cidade imponente, apesar de tudo. Ou comigo”. Com essa narração da Batgirl a animação começa mostrando os últimos dias de combate da super heroína.

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Ela junto com o Batman tentam impedir o sobrinho de um chefão do crime de Gotham, mas o mesmo acaba se afeiçoando pela Batgirl e a provocando numa caçada de gato e rato, ao mesmo tempo em que a relação dela com o Batman anda cada vez mais conturbada. O primeiro incômodo está no tempo. Passa meia hora de filme e ainda não havia começado a história original. Algo que em si, só vai mesmo incomodar o leitor de quadrinhos que vai ficar ali trinta minutos confuso, na expectativa para ver de uma vez o que ele já leu e um pouco impaciente. Outra questão que essa primeira parte da animação aborda é a criação de uma polêmica relação sexual entre o Batman e a Batgirl. Por mais difícil que seja imaginar, pode ser compreensível a Bárbara Gordon ter uma admiração tamanha pelo Batman, que faz com que ela siga seus passos, mas o mesmo não passaria pela cabeça de Bruce Wayne, que veria a garota como vê os Robins e outros membros da Batfamília. Sem contar que até onde temos o conhecimento, a Bárbara tem uma relação amorosa com o Dick Grayson, o Asa Noturna. De uma forma ou de outra, é um elemento dispensável!

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O arco da Batgirl não é ruim. Por mais que o vilão seja qualquer um e a polêmica com o Batman não acrescenta, ele aborda várias questões importantes, principalmente dentro do machismo dos quadrinhos. Há vários momentos que a personagem tenta se provar como uma grande heroína, mas é colocada para baixo, seja pela proteção do Batman, ou pelo vilão que fica manipulando ela o tempo todo e a tratando como um objeto, enquanto a própria Bárbara tem que lidar com os seus sentimentos internos. É interessante essa abordagem, pois prepara o espectador para o maior ato de crueldade que ocorre com a Bárbara Gordon nos quadrinhos. O grande problema é: essa quebra de preconceitos que o arco da Batgirl traz é válido para o mercado, mas não é sobre isso que a Piada Mortal se trata.

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A Piada Mortal não é sobre o ponto de vista da Batgirl e como ela é humilhada, violentada e (talvez) estuprada pelo Coringa (tanto que depois ela some). A história é sobre o ciclo vicioso entre o Batman e o Coringa, como eles são tão diferentes e iguais ao mesmo tempo, enquanto o vilão quer provar um ponto que justifique sua loucura, mostrando que até a pessoa mais correta e lúcida de Gotham, o Comissário Gordon, com um dia ruim pode ficar completamente insano. A melhor transposição disso foi o Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), nas cenas do Batman e do Coringa em que o vilão fala que um precisa do outro para existir e que eles estão destinados a viver daquele jeito para sempre (e claro a desconstrução do Harvey Dent virando o Duas-Caras). A trama de a Piada Mortal é justamente sobre como o Coringa foge do Arkham, causa várias vítimas (nesse caso a Bárbara), provoca o Batman levando ele ao extremo, até que um dia um dos dois se mate e quebre com essa “maldição”.

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A segunda parte da animação aí sim transpõem fielmente a hq de Alan Moore e Brian Bolland, inserindo pequenas cenas extras. Mark Hamill obviamente destrói como o Coringa, até nas cenas de flashback antes de ele se “transformar”, é o melhor Coringa fora dos quadros. Kevin Conroy (dublador do Batman na série animada) também mandou muito bem, mantendo aquela “voz de Batman” que passa respeito. A animação não se destaca da mesma forma que as ilustrações do Brian Bolland, mas é fiel ao retirar as cores das cenas de flashbacks.

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“‘Ah, mas o Coringa estuprou ou não a Bárbara?’, ‘o Batman mata ou não o Coringa?'” Muitas pessoas saíram da sala de cinema enraivecidas por acharem que saberiam no final tais respostas. O filme acrescenta indícios que alimentam essas teorias (como o Batman falando com as prostitutas ou a cena final em que a risada do Coringa realmente se cessa), mas no final continua mantendo a mesma ambiguidade da hq, porque não é o conteúdo principal a ser tirado dessa narrativa e é a magia do leitor (ou espectador) interpretar como ele quiser!

É muito bacana ver, da forma mais literal possível, o quadrinho na tela grande, mas rola um mesmo estranhamento que houve com o Watchmen. Por mais fiel que as cenas sejam, que os diálogos são falados, parece que falta alguma coisa. Uma sensação que apenas o quadrinho consegue te passar, sem falar que a duração da primeira parte pesou e enfraqueceu parte central da trama. Para vocês terem uma ideia, por mais que o quadrinho de a Piada Mortal tenha 46 páginas, o roteiro, com todos os mínimos detalhes, tinha 128 páginas. Com toda a complexidade e genialidade que vem da cabeça do Alan Moore. Talvez devemos dar o braço a torcer e realmente concordar com o quadrinista de que não deveriam levar as suas obras para outras mídias. Batman: a Piada Mortal não é ruim, mas está longe do grande patamar das animações da DC. Tomara que tenha sido só um dia ruim, não queremos que eles mergulhem de cabeça na loucura. Que seja apenas uma piada sem graça!

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Observação: Há uma cena durante os créditos que encerra o arco da Bárbara Gordon e inicia sua nova função dentro dos quadrinhos do Homem-Morcego!



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