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CríticaMorte: Monster Inside - America's Most Extreme Haunted House - A Mansão de Russ McKamey

Um documentário da Hulu que segue um modelo bastante idiota, onde aponta uma ideia, esculacha com ela, mostra dezenas de argumentos que vão contra ela, e depois encerra sem solução nem respostas, apenas um aglomerado de opinião mostrando apenas um lado do que documenta.


É algo tendencioso, manipulativo, e o pior de tudo: Real. Isso pois ele lida com casos reais de pessoas torturadas, tendo elas como testemunhas e participando diretamente do documentário, relatando suas experiências visivelmente em trauma, e com direito a algumas poucas cenas de suas torturas divulgadas.

Isso já é o bastante pra nos causar incômodo, o problema é que o documentário usa a imagem dessas pessoas pra promover uma ideia distorcida, corroborando com a opinião e o desejo delas, mas elaborando-os de forma equivocada e muito mal explicada.

Boa leitura... é melhor que assistir.


A história que ele quer relatar e dissecar é a da Mansão McKamey, um lugar de Imersão do Terror Extremo, onde pessoas vão pra sofrer abusos físicos e psicológicos, gratuitamente, na tentativa de ganhar 20 mil dólares, e também pela simples busca pela experiência extrema.


Daí o documentário faz entrevistas com várias pessoas, dentre eles 4 participantes do evento, que descem o pau dizendo que foi traumático, que foi algo fora da lei, que foi algo horroroso e que se arrependeram (mas um deles ainda voltou). 

Então ele vai se desenrolando explicando as minucias de como o show funciona, algo que era famoso pelos EUA, publicado no YouTube e tocado por um cara chamado Russ. 


Esse cara, visivelmente um sádico ex-militar (a cara dele dá medo), teve a ideia de fazer esse pequeno show de tortura e oferece ele, gratuitamente pras pessoas, ainda com um prêmio em jogo caso resistam até o fim, mas ele também dita tantas regras que o favorecem em seu contrato, inibindo-o das consequências legais (ao menos em sua cabeça) que ele chega ao ponto de decretar que "Palavras de Segurança" não funcionam.

Explicando melhor...

"Haunted Houses" (Casas Assombradas) são atrações costumeiras pelos EUA, onde geralmente no período de Outubro (mês do Halloween) várias casas são transformadas em locais de sustos, com pessoas fantasiadas dando medinho em quem entra, mas seguindo algumas regras padrões como "não tocar". O intuito é só assustar mesmo, e essas casas também existem em Parques Temáticos, ou até aqueles circos itinerantes.


Então existem as "Haunted Houses Imersivas" onde a regrinha do não tocar some. Ainda por cima os atores podem capturar, prender e atormentar, desde que não machuquem os participantes. Essas já são casas que demandam contratos pra entrada mas, geralmente, não chegam a ser tão perigosas.


O perigos está nas "Haunted Houses Imersivas Extremas" em que as regras se resumem a uma Palavra de Segurança, uma palavra estabelecida entre as partes, em que tudo só para caso ela seja dita. Caso contrário, vale tudo no teor da violência e tortura, e podem rolar até ferimentos.


Daí vem a "Haunted House do Russ", em que não tem palavra de Segurança. Ele dita quando para tudo, e ele não tem limites pro que pode fazer, filmando tudo e postando no YouTube.


O que leva pessoas a procurarem esses locais, é o medo que estes causam, e a busca pela liberação de dopamina e adrenalina. Legal, é só um evento divertido como assistir um filme de terror ou praticar algum esporte perigoso. Mas o documentário tem como foco apontar como a Casa do Russ McKamey é ruim e perigosa, e como ele é o vilão, dirigindo basicamente uma câmara de tortura.


O problema é que ficam pintando essa ideia, empurrando ela, mostrando suas vítimas chorando e reclamando do trauma que passaram, ao mesmo tempo em que dizem "Aqueles que apoiam ele são idiotas" e literalmente ignoram o outro lado da moeda.

No fim do documentário chegam a colocar uma nota dizendo que entraram em contato com Russ e ele não quis participar, depois dando dicas de como podemos procurar socorro caso precisemos de ajuda ou consolo, tudo pois a ideia é dizer que ele é maligno, um cara do mal que pratica o mal e é questão de tempo até alguém se machucar de forma séria.


E ai está o ponto que o próprio documentário parece ignorar... ninguém se machucou severamente! Até então, não tem indícios de alguém sendo lesionado, traumatizado ao ponto de ser internado, ou simplesmente morto, por causa da temerosa Casa Extrema.


E olha que o local é totalmente insalubre e odiado, sem recursos de segurança, e ainda por cima com pessoal reduzido (atualmente apenas com o Russ no controle). 

O que me fez apenas questionar o tempo todo "Porque alguém iria num lugar assim?".


O louco é que o documentário ainda explica que pra entrar, basta se cadastrar e convencer o dono do local que você é merecedor, e milhares de pessoas tentam participar. Independente da razão da seleção dele, é algo que poucos entram, e poucos tem a chance de realmente conhecer, sem gastar nada.

É suspeito? Pra valer, e qualquer um que se submeta a um risco tão grande quanto este, está ou deveria estar plenamente ciente de que não é uma boa ideia.


Ir para um lugar que você não conhece, com pessoas que não conhece, e ainda por cima assinando um contrato de que podem fazer o que quiserem contigo... é o mesmo que pedir pra morrer.

O mais maluco disso tudo é que o documentário aponta constantemente o quão errado a Casa do Russ está só em existir, mas nunca explica satisfatoriamente como ela permanece existindo.


Legalmente ela é insustentável, o contrato que eles distribuem não tem valor, inclusive nenhum tabelião carimbaria isso. Não há forma de você assinar um papel em que esteja escrito "Permito que me causem lesão cerebral" e ele ter valor legal. 

A Casa não tem recursos pra lidar com acidentes decorrentes das torturas nela praticadas, e existem leis contra tortura nos EUA que com certeza fechariam e até prenderiam o Russ pelo que faz. Então, o que a mantém aberta? O fato dele se mudar com ela? Só isso basta?


Ou será que tem alguma parte da história que apenas foi ignorada? Essa dúvida perdurou, e o documentário não fez o mínimo que seria explicar isso, pois no fim ele quer promover apenas a ideia de que o que o cara faz é errado e deve ser parado.


Mas ele também ignora seus convidados, e o evidente estado prejudicial deles. Cada um dos entrevistados soa suspeito, e não parece nada correto em suas decisões e ações. São pessoas comuns, com histórias para contar, mas todos também foram pessoas que atacaram Russ indiscriminadamente, como se tivessem algo pessoal contra ele, não necessariamente um trauma gerado pela experiência que tiveram.


O final do documentário chega a ser ridículo mostrando outra experiência de imersão extrema, mas controlada, como se fosse um tipo de tratamento ao trauma, levando inclusive dois dos 4 entrevistados principais, e sendo explícito na tortura. Chamado de "Miasma", seria um método de recuperação física e espiritual através do trauma constante, da tortura mesmo, mas recompensado com o alívio. E cara, rola até nudez nisso, algo que é jogado na nossa cara, e nada tem a ver com o restante do documentário.


É algo mais pra dizer "Viu como existem formas de usar 'tortura' pra ajudar? O que Russ faz é errado" mas pra mim, isso também soou muito errado. E provavelmente é pago! O que Russ faz ele nem cobra.


Em todos os casos, só vi um monte de atrocidades ridículas que mostram o lado mais perturbado e íntimo da mente humana, e explora isso.


Alguém que se submente à tortura pra sentir algo, não precisa ser julgado, mas também não precisa ser exposto. Quem acompanha tal sandice provavelmente é quem tem mais problemas, pois curte assistir outros sofrerem, e esse caso sim deveria ser investigado.

Quem topou ir lá tomar murros, ser sufocado, xingado, humilhado, ou sei lá mais o que, está fazendo o que quer fazer com si mesmo. A pessoa sente prazer e satisfação com isso, beleza, problema dela. E digo mais, se alguém oferece esses serviços gratuitamente, poxa vida, todos ganham! 


Agora, e as pessoas que assistem? E as comunidades que acompanham o canal no YouTube? E essa galerinha que apoia a tortura alheia e se sacia com isso? O documentário EM MOMENTO ALGUM explora isso.


O foco é apenas atacar o que já é óbvio, inclusive ele próprio declara que a Mansão do Russ já foi fechada, já tem comunidades formadas para caçar seu estabelecimento, com campanhas de abaixo-assinado, e denúncias legais.


Em uma parte mostram o Russ trabalhando como atendente de supermercado mano, revelando que todo esse esquema de torturar as pessoas por views é um tipo de hobby. Mas fazem isso para ridiculariza-lo, até mesmo chamando-o de sociopata, sendo que, em momento algum tentam entendê-lo ou explica-lo.

Fizeram uma pesquisa rápida no começo, descobrindo que ele é ex-militar, e pronto, hora de descer o sarrafo em argumentos para odiá-lo.


Chegam a acusa-lo de estupro e abuso (disfarçando a denúncia é claro) alegando que ele torturava psicologicamente as mulheres bonitas, para depois manipula-las e atraí-las pra um harém particular.

Uma das entrevistadas inclusive diz que se sentiu atacada por ele, e até mesmo observou tentativas de sedução por parte dele, e que em um momento em que dormia em uma de suas provas de tortura, ele pode ter filmado ou até feito algo pior com ela, mas ninguém sabe.


O curioso é que deixam isso por alto, pois querem construir a dúvida na gente pra que sintamos desgosto pelo cara. Mas sinceramente, eu senti desgosto foi por todos. 

Pra mim, ele tá errado sim, em se divertir as custas da tortura alheia. Tortura é crime, e independente de você ser sadomasoquista ou masoquista, o que tu faz nesse sentido deve ficar em seu íntimo, e não divulgado aos quatro ventos.


Se ele encontra prazer em acabar com a saúde física e mental de outras pessoas, ainda por cima tirando proveito disso, ele está erradíssimo e devia ser tratado, ou até preso dependendo da gravidade de suas ações. Mas não será por um documentário meia boca que o ridiculariza que irei condena-lo. 

Pra mim valeria muito mais se tentassem investiga-lo, e explicar suas motivações, o que daria muito mais peso pra responsabilidade da produção. Mas não se deram a esse trabalho então ao meu ver, é só um lado tendencioso da moeda.


As pessoas que entram na casa dele estão erradíssimas, pois se comprometeram a algo sádico e totalmente cientes de que não é seguro. Além disso, estão compactuando com um crime ao permitirem que explorem seus corpos e imagem a troco de visualizações. Mas, há de se considerar que havia um prêmio em jogo como recompensa, sendo assim um desafio que eles toparam. 


O que me faz pensar, onde está a família deles? Não há conversa com amigos ou familiares, então o que os levou a tal decisão? Jogar a vida fora colocando-a nas mãos de alguém visivelmente perturbado, é o mesmo que não ter controle próprio algum. Essas pessoas devem ser tratadas o quanto antes.


Uma delas chegou a voltar outra vez pro Russ, e agora o acusa de abusos. Sério, ela diz o tempo todo que conquistou fama graças a experiência com ele, e agora está o acusando. É no mínimo suspeito ,e deveria ser investigado, mas o documentário não faz esse trabalho.


O documentário está errado só em existir. É um aglomerado de desinformações, com distorções de falas e edições que vilanizam seu alvo, com o evidente propósito de surfar na onda de atenção que o assunto tem.


Eu já tinha ouvido falar da Casa Extrema desse cara, mas foi enquanto pesquisava sobre filmes de terror com Casas Sombrias. Eu já até assisti alguns vídeos de casas de terror famosas e se não me engano, a dele apareceu. Mas sendo muito sincero, esse é um tema que eu evito, pois acho apenas estupido de mais.


Se ao menos tivesse ocorrido algo grave, eu entenderia que era algo a se combater o quanto antes. Mas o máximo que rolou (e eles citam isso) é uma moça que saiu com o rosto todo inchado. 


Moça que nem foi convidada para dar sua opinião sobre a casa, o que já levanta dúvidas sobre a conduta do próprio documentário. É fácil pegar a foto de pessoas feridas e acusar, mas e qual a história por trás disso? Eu gostaria de saber.


Enfim, desculpe pelo texto. 

Não gostei do que assisti, achei até que perdi meu tempo. 


Além disso esse documentário nem chegou ao Brasil (nem sei se chegará) e caso chegue talvez mude o nome. Então esse é um artigo fadado a perdição.

Mas, senti a necessidade em comentar a respeito, e é a primeira obra que vi do Hulu.

É isso.

See yah.



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