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O Traçar, a Bênção e o "Évora"

Não sei como é nas outras Universidades mas, aqui em Évora, trajamos pela primeira vez no nosso segundo ano (e emblemas, esses, só no terceiro). Normalmente o estudante passa de caloiro a aluno no dia um de Novembro (que é o dia da Universidade) do ano em que realizam a sua segunda matrícula.

Mas, se estudarmos Enfermagem na Universidade de Évora a situação processa-se de uma maneira diferente. O curso de Enfermagem sempre foi separado da Universidade até recentemente (vá, vinte anos) e, por isso, algumas das tradições da nossa escola prevaleceram sobre as da Universidade: as nossas praxes só duram uma semana e meia, nenhum outro curso nos pode praxar (e nós também não podemos praxar outros cursos), trupes estão fora de equação e...trajamos mais cedo. Quão cedo? Normalmente na primeira semana de Outubro, no dia da Sapatada dos alunos de primeiro ano.

No dia seis de Outubro foi a minha vez e ainda hoje, umas duas semanas depois de acontecer, apetece-me reviver esse dia em loop constante de tão importante e maravilhoso que foi.


O dia começou logo pela fresquinha a trajar. Valeu-nos que até estava fresco e que, graças a isso, só começámos a desejar tirar capas e casacos depois do almoço.
Chegar à escola e ver uma turma de setenta (a minha) toda trajada foi um momento do caraças. Todos iguais, todos unidos, todos aqui para o mesmo. O meu coração nesse dia andou taquicárdico. Era tudo demasiado: demasiados sorrisos, demasiado orgulho, demasiada vontade, demasiado, demasiado, demasiado...e foi tão bom! Nunca me tinha sentido tão parte de um grupo como me senti nesse dia.

Depois da aula fomos todos almoçar com as nossas madrinhas e padrinhos. Cada casa tem a sua tradição: uns almoçam no sítio x, outros almoçam todos na casa de y, outros fazem cada um por si. Findo o almoço, eu, a minha madrinha e duas das minhas irmãs de praxe decidimos rumar até ao templo de Diana, onde tudo começou, para tirarmos as nossas primeiras fotografias oficiais com o traje.


Horas depois foi altura de voltarmos para o Giraldo. Tudo isto do traçar e abençoar a capa é muito simbólico porque voltamos aos sítios que nos viram chegar. A Praça do Giraldo será sempre o nosso local de partida: foi lá que a nossa madrinha nos meteu pela primeira vez sob a capa dela, ela de preto e nós com a nossa melhor roupa de praxe porque nunca fiando.

No total somos cinco. Foi difícil estarmos todas debaixo da capa da nossa madrinha, mas não há nada que não se faça caso não se queira. Fomos devagarinho e chegámos onde queríamos como todos os outros. Chegadas à fonte da Praça do Giraldo é ai que a Bênção - propriamente dita - acontece. A nossa madrinha molha uma ponta da capa na água da fonte e faz-nos um sinal da cruz na testa. Depois cospe-nos cerveja para a capa...mas isso são detalhes.

A família reunida


Mas se pensam que o dia é só importante para nós...enganam-se. A turma de segundo ano canta sempre o "Évora" à turma de quarto ano, na escadaria da igreja da Praça do Giraldo onde, ao pôr-do-sol, nos vão traçar a capa. É sempre um momento emotivo porque a música, mesmo sem sabermos, nos diz muito.

Depois de traçados e achar que ainda não era o suficiente, rumámos até à escadaria da Sé de Évora (outro marco importante para nós porque foi nessa que fizemos a escolha dos padrinhos) e decidimos - entre a nossa turma - que queríamos fazer uma surpresa e decidimos que íamos cantar outra música que intitulámos de "Trajado Ao Luar" (que resultou de uma adaptação da "Trovador Ao Luar da Tuna Académica da Guarda).

Os roomies

E eles choraram (apesar de negarem) muito. E fizeram-nos pôr de quatro. E cantar as músicas da praxe. E pôr de quatro outra vez. E agradecer aos colegas por terem chegado atrasados. E eu não me importei minimamente.



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