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Despondency - Antero de Quental

Deixá-la ir, a ave, a quem roubaram
Ninho e filhos e tudo, sem piedade…
Que a leve o ar sem fim da soledade
Onde as asas partidas a levaram…

Deixá-la ir, a vela, que arrojaram
Os tufões pelo mar, na escuridade,
Quando a noite surgiu da imensidade,
Quando os ventos do Sul se levantaram…

Deixá-la ir, a alma lastimosa,
Que perdeu fé e paz e confiança,
À morte queda, à morte silenciosa…

Deixá-la ir, a nota desprendida
D’um canto extremo… e a última esperança…
E a vida… e o amor… Deixá-la ir, a vida!


in Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade
Selecção, organização e intriodução de José Fanha e José Jorge Letria
Terramar

Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 de abril de 1842; m. em Ponta Delgada a 11 de setembro de 1891)


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