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Estão as línguas nacionais em perigo?

Três linguistas – Cristine Severo do Brasil, Bento Sitoe de Moçambique e José Pedro de Angola – aceitaram responder à seguinte pergunta: estão as línguas nacionais em perigo?
Não, não estão em perigo, não há risco de linguacídio, respondem no geral os três. Mas podem estar no caso de absolutização de uma língua.
Em países como Brasil, Moçambique e Angola, por exemplo, onde são muitas as línguas e as variantes, estamos confrontados com duas Faces, as faces do Jano linguístico, as faces de uma dialéctica delicada: por um lado, os desafios da unidade nacional levam à verticalidade, ao privilegiamento veicular de uma língua, a portuguesa; por outro lado, os desafios da endogeneização conduzem à busca da horizontalidade, da paridade linguística. A exclusão linguística é, hoje, um tema sector nos quadrantes linguísticos.
Entretanto, para lá dos múltiplos desafios que os países enfrentam, tem vida permanente a mestiçagem linguística.
No dia-a-dia, das mais variadas maneiras, as línguas estão cheias de pontes, de portas abertas, de multiplicidade, de absorção, de reinvenções.
No informal da vida, não são nem tradicionais nem modernas. Crioulizadas, estão cheias de duplicidade, de oximoros, de antónimos, de quiasmos, são uma subversão contínua do mundo identitário dos verbos, dos predicados, Dos Substantivos e dos advérbios. Os verbos estão constantemente a resgatar o devir, bloqueando o ser dos substantivos. O oximoro e a inversão argumentativa são correntes.
Talvez esse possa, um dia, vir a ser um tema na nossa colecção. [introdução minha ao livro com o título em epígrafe e capa abaixo, sinopse aqui]


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