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Israel e Palestinos: Entenda as origens do conflito


        Muitos de nós já nascemos vendo a troca de agressões entre Árabes e Judeus. Uma questão delicada que começou a muito tempo atrás, com as diásporas sofridas por Israel.

        A primeira diáspora deu-se na época de Nabucodonosor, que sobrepujou o poder do Faraó Neco e dominou a região em 605 A.C. Assumindo o controle de Judá, Nabucodonosor levou muitos cativos de Jerusalém (entre eles o profeta Daniel). A partir desse momento o rei de Judá Jeoaquim (reinou entre 609 a 599 A.C.) fingia lealdade a Babilônia, mas em secreto tinha planos para independência de seu Povo. Sabendo disso, Nabucodonosor derruba Jeoaquim do poder e coloca seu filho Joaquim no lugar. Para impor ainda mais seu poder, Nabucodonosor leva então um segundo grupo de cativos embora (desta vez o profeta a ir é Ezequiel).

        Mesmo com os dois grupos de cativos levados o povo judeu continuou a se levantar contra o Império Babilônico e junto com povos vizinhos planejavam a tão sonhada liberdade. Diante a situação Nabucodonosor volta a Jerusalém, mas desta vez derruba a cidade, destruindo o Templo de Salomão e saqueando Seus tesouros. O golpe foi duro demais para o povo judeu, que já se encontrava dividido entre a Babilônia e os que permaneceram na Terra Prometida. Acredita-se que cerca de 40.000 judeus foram levados cativos a Mesopotâmia por Nabucodonosor. Fora esse total, temos os que se retiraram devido a grande destruição sofrida.

        Em Ezequiel 6 vemos o descontentamento de Deus com o povo de Israel, os entregando nas mãos dos inimigos por sua infidelidade:

1 Esta palavra do Senhor veio a mim:
2 "Fi­lho do homem, vire o rosto contra os montes de Israel; profetize contra eles
3 e diga: Ó montes de Israel, ouçam a palavra do Soberano, o ­Senhor. Assim diz o Soberano, o Senhor, aos montes e às colinas, às ravinas e aos vales: Estou prestes a trazer a espada contra vocês; vou destruir os seus altares idólatras.
4 Seus altares serão arrasados, seus altares de incenso serão esmigalhados, e abaterei o seu povo na frente dos seus ídolos.
5 Porei os cadáveres dos israelitas em frente dos seus ídolos e espalharei os seus Ossos ao redor dos seus altares.
6 Onde quer que você viva, as cidades serão devastadas e os altares idólatras serão arrasados e devastados, seus ídolos serão esmigalhados e transformados em ruínas, seus altares de incenso serão derrubados e tudo o que vocês realizaram será apagado.
7 Seu povo cairá morto no meio de vocês, e vocês saberão que eu sou o Senhor.
8 "Mas pouparei alguns; alguns de vocês escaparão da espada quando forem espalhados entre as terras e nações.
9 Ali, nas nações para onde vocês tiverem sido levados cativos, aqueles que escaparem se lembrarão de mim; lembrarão como fui entristecido por seus corações adúlteros, que se desviaram de mim, e, por seus olhos, que cobiçaram os seus ídolos. Terão nojo de vocês mesmos por causa do mal que fizeram e por causa de todas as suas práticas repugnantes.
10 E saberão que eu sou o Senhor, que não ameacei em vão trazer esta desgraça sobre eles.
11 "Assim diz o Soberano, o Senhor: Esfregue as mãos, bata os pés e grite "Ai!", por causa de todas as práticas ímpias e repugnantes da nação de Israel, pois eles morrerão pela espada, pela fome e pela peste.
12 Quem está longe morrerá pela peste, quem está perto cairá pela espada, e quem sobreviver e for poupado morrerá de fome. Assim enviarei a minha ira sobre eles.
13 E saberão que eu sou o Senhor, quando o seu povo estiver estirado, morto entre os seus ídolos, ao redor dos seus altares, em todo monte alto e em todo topo de mon­tanha, debaixo de toda árvore frondosa e de todo carvalho viçoso ­- em todos os lugares nos quais eles ofereciam incenso aromático a todos os seus ídolos.
14 Estenderei o meu braço contra eles e tornarei a terra uma imensidão desolada, desde o deserto até Dibla - onde quer que estiverem vivendo. Então saberão que eu sou o Senhor".


        A segunda diáspora se dá no período de domínio Romano da região. No ano 70 depois de Cristo ocorre a Grande Revolta Judaica.  Nesta revolta Tito destrói Jerusalém e seu segundo Templo (Templo este que foi aumentado e embelezado pelo próprio Império Romano). Com a cidade em ruínas muitos a abandonaram.

        Em 117 mais um embate ocorreu, conhecido como Guerra de Kitos. Desta vez os revoltosos foram os judeus da diáspora, isto é, judeus que não moravam na Judéia. Com o Templo destruído, os Romanos converteram as ofertas enviadas ao Templo anualmente por estes judeus em imposto destinado ao templo de Júpiter, na capital do Império (Roma). Muitos se recusaram a pagar tal imposto, rebeliões explodiram em Alexandria e em várias outras cidades. Mais uma vez o Império Romano reprimiu com força, matando a muitos e destruindo o Templo judaico construído em Leontópolis.


        Houve então a terceira guerra entre os Judeus e os Romanos (Revolta de Bar Kokhba) em 135 D.C e desta vez a derrota foi terrível. Com milhares de mortos a Judéia ficou sob escombros. Os sobreviventes eram vendidos como escravos e os que não podiam trabalhar eram enviados para morte em demonstrações violentas de gladiadores e animais pelo Império para puro entretenimento do povo Romano.Aos que conseguiram escapar foi-lhes proibido pisar em Jerusalém novamente pelo Imperador Adriano, e a região passa então a se chamar Síria Palestina.

        Sem terra, os judeus se espalharam por diversas nações do mundo, onde por muitas vezes eram vistos como aproveitadores. Os povos não aceitavam a prosperidade de um povo que nem sequer daquele país era. Junto a isso, o Cristianismo crescente do período deixava claro que os judeus tinham matado o próprio filho de Deus. Isso foi o bastante para que com o tempo mais e mais povos desenvolvessem pensamentos preconceituosos e de ódio contra os Judeus.

        O ápice desse ódio deu-se durante a Segunda Guerra Mundial. Todo o cenário estava armado, esperando que houvesse alguém com coragem suficiente para puxar o gatilho do ódio contra o Povo Judeu. Essa pessoa foi Adolf Hitler.

        Após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, o país sofreu duras sanções e sua população passou por momentos muito difíceis. Hitler havia lutado nesta guerra. As motivações do ódio de Hitler pelos Judeus ainda é discutida por historiadores, mas o que se sabe é que ele considerava os Judeus como uma doença entre o povos europeus. Eram eles também os responsáveis pela decadência da civilização moderna. Apesar de recair sobre seus ombros, não foi só a nação alemã que exterminou judeus. Várias nações usavam seus judeus como moeda de troca com o Reich. Inicialmente usados para trabalho forçado em fábricas que faziam parte do esforço de guerra alemão, a matança sistemática (conhecida como "Solução Final") iniciou-se em junho de 1941.


        No final da guerra este foi o total de judeus eliminados nos países da Europa (quantidade e percentual):



Áustria 50,000 -- 27.0%
Itália 7,680 -- 17.3%
Bélgica 28,900 -- 44.0%
Latvia 71,500 -- 78.1%
Bohemia/Moravia 78,150 -- 66.1%
Lituânia 143,000 -- 85.1%
Bulgária 0 -- 0.0%
Luxemburgo 1,950 -- 55.7%
Dinamarca 60 -- 0.7%
Holanda 100,000 -- 71.4%
Estônia 2,000 -- 44.4%
Noruega 762 -- 44.8%
Finlândia 7 -- 0.3%
Polônia 3,000,000 -- 90.9%
França 77,320 -- 22.1%
Romênia 287,000 -- 47.1%
Alemanha 141,500 -- 25.0%
Eslováquia 71,000 -- 79.8%
Grécia 67,000 -- 86.6%
União Soviética 1,100,000 -- 36.4%
Hungria 569,000 -- 69.0%
Iugoslávia 63,300 -- 81.2%

*FONTE: Encyclopedia of the Holocaust


        Estima-se que 6 milhões de judeus foram mortos durante a Segunda Guerra. Com a pressão da comunidade judaica americana e em outros países, cada vez mais se via a necessidade de ser criado um estado judeu. A Terra prometida era dominada pelos britânicos na época e lá vivia o povo árabe que conhecemos como Palestinos. Os governos ocidentais não ajudaram os judeus por uma questão de bondade. O Oriente Médio sempre foi uma região de difícil dominação. O povo Árabe nunca aceitou o estilo de vida e modelo econômico ocidental e ter um Estado na região que se alinhasse com as ambições ocidentais era de muito interesse. Junto a isso existia o problema humanitário de milhares de refugiados sem ter para onde ir e que haviam perdido tudo.


        Em 29 de novembro de 1947 a ONU aprova a divisão da Palestina em dois estados (Árabe e Judeu):





        A parte azul era o Estado Judeu e a parte laranja era o Estado Árabe. Jerusalém e Belém ficaram sob domínio internacional, não pertencendo a nenhum dos dois Estados. Os Judeus aceitam a resolução, mas como era de se prever os Árabes não. Afinal, imagine alguém chegar em sua casa e dizer que agora metade é de outra pessoa? Deu-se início a uma guerra cívil entre àrabes e israelenses, que foi ignorada pelas tropas britânicas, já organizadas para se retirar da região.


        Em meio a muita violência o Estado de Israel declara sua independência em 14 de maio de 1948, poucas horas antes do fim do mandato britânico na Palestina. Já no próximo dia (15 de maio) os exércitos dos países Árabes (Egito, Síria, Iraque, Líbano e Arábia Saudita) atacam Israel por três frentes diferentes. Israel resistiu e venceu todos os inimigos (parece incrível isso não?). Após a vitória o território israelense aumenta ainda mais e passa a ocupar 75% do território da Palestina:





        Jerusalém fica dividida, ficando a parte ocidental sob controle israelense e a parte oriental sob controle da Cisjordânia. Em 1967 as tensões entre Israel e as nações Árabes voltam a ficar incontroláveis e todos mobilizam suas forças armadas para uma nova guerra. Em  5 de junho Israel inicia uma onda de ataques contra seus inimigos ( EgitoJordânia e Síria, apoiados pelo IraqueKuwaitArábia SauditaArgélia e Sudão) e mais uma vez sobrepõe o poderio militar de todos, no que foi conhecido como a Guerra dos seis dias. Israel ocupou a Cisjordânia e a seção oriental de Jerusalém. Apesar da ONU ter estabelecido através da Resolução 242 que Israel desocupasse os territórios invadidos, Israel ainda mantém ocupação até os dias de hoje nos territórios. O avanço sobre a Cisjordânia criou uma onda de refugiados para os países árabes vizinhos como a Jordânia e a Síria. Desde então os países árabes tem financiado grupos insurgentes nos territórios ocupados e em Gaza contra o Estado de Israel.


        Os estudiosos da Bíblia interpretam o retorno de Israel a sua terra como o cumprimento da profecia descrita no livro do profeta Ezequiel capítulo 37: 



1 A mão do Senhor estava sobre mim, e por seu Espírito ele me levou a um vale cheio de ossos.
2 Ele me levou de um lado para outro, e pude ver que era enorme o número de ossos no vale e que os ossos estavam muito secos.
3 Ele me perguntou: "Filho do homem, estes ossos poderão tornar a viver?"
Eu respondi: "Ó Soberano Senhor, só tu o sabes".
4 Então ele me disse: "Profetize a estes ossos e diga-lhes: Ossos secos, ouçam a palavra do Senhor!
5 Assim diz o Soberano, o Senhor, a estes ossos: Farei um espírito entrar em vocês, e vocês terão vida.
6 Porei tendões em vocês e farei aparecer carne sobre vocês e os cobrirei com pele; porei um espírito em vocês, e vocês terão vida. Então vocês saberão que eu sou o Senhor".
7 E eu profetizei conforme a ordem recebida. Enquanto profetizava, houve um barulho, um som de chocalho, e os ossos se juntaram, osso com osso.
8 Olhei, e os ossos foram cobertos de tendões e de carne, e depois de pele; mas não havia espírito neles.
9 A seguir ele me disse: "Profetize ao espírito; profetize, filho do homem, e diga-lhe: Assim diz o Soberano, o Senhor: Venha desde os quatro ventos, ó espírito, e sopre dentro desses mor­tos, para que vivam".
10 Profetizei conforme a ordem recebida, e o espírito entrou neles; eles receberam vida e se puseram em pé. Era um exército enorme!
11 Então ele me disse: "Filho do homem, estes ossos são toda a nação de Israel. Eles dizem: 'Nossos ossos se secaram e nossa esperança desvaneceu-se; fomos exterminados'.
12 Por isso profetize e diga-lhes: Assim diz o Soberano, o Senhor: Ó meu povo, vou abrir os seus túmulos e fazê-los sair; trarei vocês de volta à terra de Israel.
13 E, quando eu abrir os seus túmulos e os fizer sair, vocês, meu povo, saberão que eu sou o Senhor.
14 Porei o meu Espírito em vocês e vocês viverão, e eu os estabelecerei em sua própria terra. Então vocês saberão que eu, o Senhor, falei e fiz. Palavra do Senhor".


       Depois de muita morte, perdas e sofrimento o Senhor Deus trouxe seu povo novamente para a Terra Prometida. Fez reviver do túmulo uma nação quase dizimada e coloca os inimigos aos seus pés. Já se foram décadas e décadas de investidas inimigas, mas o que vemos é uma nação cada vez mais forte.

       Israel ainda teve muitos outros conflitos não citados aqui para não tornar este artigo ainda maior do que já é. Por isso caso queira se aprofundar existem muitos registros na internet sobre o assunto, muitos dos quais usados como fonte para este artigo. Usei tantas fontes que agora não consigo listá-las, mas as principais foram a Wikipedia e a bíblia.

       Espero que tenhamos lhe ajudado a entender melhor essa complicada trama.


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