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COMO LIDAR COM AS INTERPRETAÇÕES ESDRÚXULAS TIDAS COMO ESPÍRITAS? - Marcelo Henrique







Ainda que a base kardeciana tivesse estabelecido as importantes referências para o "pós-morte", seja pela explicação lógico-racional dos Espíritos sobre a condição espiritual de muitos espíritos após o desencarne e, também, pelo registro de depoimentos de inúmeros espíritos em dissertações inclusas na Revista Espírita, o movimento espírita - sobretudo o brasileiro - tem preferido, desde a primeira metade do século XIX, os relatos dos chamados "romances mediúnicos". 
Esta literatura genuinamente brasileira vem carregada do caldo cultural que mistura diferentes crenças e paradigmas religiosos com o misticismo e a miscigenação entre conceitos europeus, negros e indígenas. E reflete, ainda que de modo não totalmente compreendido pelos espíritas ou simpatizantes da Doutrina dos Espíritos, impressões muito particulares derivadas da condição espiritual pouco desenvolvida dos seres que viveram neste Planeta e que se utilizaram de médiuns distintos, prestigiados ou não, para ditar seus relatos. 







É fato que a morte não altera substancialmente a "condição espiritual" daqueles que por aqui tiveram suas trajetórias, mantendo, portanto, atavismos, condicionantes, crenças e idiossincrasias. Não raro se diz que levamos para o "outro lado" muito de nossas convicções e ideologias, esperando lá encontrar aquilo que tínhamos como "referência" e "formação", além de desejos, gostos e simpatias. 







É justamente por isso que Allan Kardec no consórcio com os Espíritos Superiores para produzir a Filosofia Espírita, adotou um critério essencial para o reconhecimento da validade das informações recebidas por meio dos médiuns. Esse critério foi o do Consenso Universal dos Ensinos dos Espíritos (CUEE), justamente para afastar tanto as impressões de espíritos pouco adiantados e suas "ilusões" na visão do que "encontraram" após o túmulo, bem como os reflexos do animismo, quando o médium interfere, em maior ou menor incidência, sobre a mensagem que produz. 
O caminho para a compreensão das questões espirituais passa, assim, necessariamente, pela continuidade do uso deste critério - senão diretamente, pela aprovação ou rejeição das mensagens que são, diariamente, nas casas espíritas e suas reuniões de médiuns, como, também, de modo geral, como reflexo da atitude de um espírita consciente, estudioso e proativo, analisando os livros que lhe chegam às mãos, para, no dizer de Erasto, afastar as mentiras (fantasias e impressões imperfeitas) que estão nos relatos dos citados romances e, também, em páginas de orientação "doutrinária". 






A consciência dos fundamentos espíritas e o preparo para o regresso ao Mundo dos Espíritos, sem misticismo e sem crendices, indica o caminho mais adequado para não se ter "surpresas" quando da "passagem". E, para nós que ficamos e ainda estamos por este plano material, nos impede de acreditarmos de modo ingênuo em informações que não guardam pertinência com a realidade espiritual que nos aguarda futuramente. 

Ainda que não se deseje instituir qualquer censura sobre livros, textos, médiuns ou espíritos, porque é livre a manifestação do pensamento, como preceitua a própria Doutrina Espírita, é fundamental que todo espírita que zela belas bases kardecianas adote um filtro capaz de desconsiderar tudo o que não esteja em consonância com os princípios, fundamentos e orientações expressas pelo Espiritismo.








Marcelo Henrique, é professor, escritor, palestrante, espírita, advogado, e divulgador da Doutrina Espírita nos conceitos de Allan Kardec em Santa Catarina, e em todo o Brasil.
É colaborador semanalmente deste blog.



* fotos meramente ilustrativas da comunidade espírita no Brasil, e sem direitos recolhidos, abertas ao uso público, como a do Filme Amor Além da Vida, Espiritsmo e seus médiuns, e a imagem pública do codificador Allan Kardec.


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