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“VOCÊ NÃO É O CARA”!

“É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios! É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como comportar. É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração.”

Análise psicológica da música “Esse Cara Sou Eu”, de Roberto Carlos. “Fiz uma música falando do cara que toda mulher gostaria de ter e que todo homem gostaria de ser. E é o cara que eu tento ser”. Foi assim que Roberto Carlos apresentou “Esse Cara Sou Eu” na primeira vez que cantou o hit da novela “Salve Jorge” ao vivo, em São Paulo, os verbos “gostaria” e “tento” indicam que ele mesmo sabe que o “cara” da letra, lançada em outubro de 2012, é mais ideal do que real. Na música De Roberto Carlos, a princípio, a gente pensa que o tal “cara” é alguém atencioso, alguém preocupado e gentil. Só que nessa atenção escondem-se alguns aspectos interessantes do que a sociedade espera de uma mulher, de um homem e do relacionamento entre os dois. E de como o ser humano é condicionado a idealizar esse sujeito que supostamente é “O CARA”.

Roberto Carlos diz: “O cara que pensa em você toda hora Que conta os segundos se você demora Que está todo o tempo querendo te ver Porque já não sabe ficar sem você”. O amor romântico carrega consigo o conceito de posse. É impossível “ficar sem”, “ficar longe”. Este “Cara” é incapaz de amar sem possuir. Se existe algo extremamente danoso é a ideia de “Posse”. Talvez comece nessa frase “Eu, que não sei ficar sem você” e pode terminar em “Se você não é minha, não será de mais ninguém”. É preciso ter muito cuidado com os caras que não sabem receber um não: “O cara que pega você pelo braço Esbarra em quem for que interrompa seus passos Está do seu lado pro que der e vier O herói esperado por toda a mulher Por você ele encara o perigo Seu melhor amigo Esse cara sou eu”. A canção está reafirmando que a mulher espera do homem que ele a proteja, que haja de acordo com esses papéis que estabeleceram como gênero em que a mulher é frágil e que sua segurança está nas mãos de um homem. Cavalheirismo é outra coisa, é uma atitude que parte de um homem para uma mulher. O cara não tem uma gentileza altruísta, mas uma gentileza com segundas intenções.

 As gentilezas de gênero são assim, mal interpretadas.  Uma mulher nunca pode ser gentil com um homem. Na mente de um cara dominador, ele idealiza um tratamento cordial em relacionamento. Sabe quando um homem assedia uma mulher na rua? Ele faz isso porque sente que pode, sente que merece. E assim é nesse relacionamento, ele acredita que se a protege, se paga suas contas, se abre a porta do carro, se pensa nela, ele tem o poder sobre ela para que ele seja amado em retribuição. Só que não se trata de uma operação matemática em que esses cavalheirismo e sentimentos dele são somados e o resultado é o amor correspondido. É exatamente a falta de compreensão que não existe fórmula do amor que frustra tanto quem tenta se enquadrar nesses perfis ideais e acaba com a cara na poeira. Sabe o que isso acaba gerando?  Tomem nota: não é porque uma mulher trata bem um homem que ela tem obrigação de amá-lo. Amizades legais geram gentilezas. Afinal, amigos também fazem gentilezas e a mulher tem o direito de acreditar que seu amigo é só um amigo. Tratar as pessoas bem deveria ser algo natural e desprovido de interesses, e, se você é gentil esperando amor ou favores sexuais, você não é um cara legal.

Por fim, ressalto que todas as características desse “cara” da canção, é frequentemente exaltadas, como se fossem aquelas que tornam esse homem, o ser humano ideal para fazer uma mulher feliz e isso é extremamente castrador e normativo, pois, a felicidade de uma mulher pode nem sequer residir em outra pessoa. A felicidade pode estar em si mesmo ou em qualquer lugar. E nem é preciso comentar o quão são conhecidos centenas de casos de homens que disputam a mesma mulher, sem ter ao menos consultado os sentimentos desta para com eles. Eles resolveram disputar quem é o cara que vai ganhar à parada. Agora, aproximem-se mais do espelho e olhem bem para seus olhos. Não há nada que expresse melhor o caráter de um homem do que seus olhos. É preciso, pois, adquirir um olhar firme e vigoroso; seus olhos precisam “ter luz”. Procure, pois, ficar entusiasmado com o que vir no espelho. O Cara precisa ser o cara primeiro pra si mesmo. Se o cara não se ama, como poderá ser “O Cara” para uma mulher? Motive-se dentro de seu raio de ação. Mas, quando você procurar motivar-se para atingir certos fins, é preciso cuidado e cautela ao tratar seus pacientes. Lembre-se que, de um lado o Psicólogo e do outro lado o paciente, mas há um distanciamento de posse no meio deste caminho. São fatores independentes de sua vontade, fora de seu raio de ação. Portanto, é preciso livrar-se dos critérios de êxito em sentimentos de posse. Você não é o cara… Ref…O Machismo por trás do Cara (Por Ativismo de Sofá)

“MÔNICA DRUZIAN”



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