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Demais...


Meu "pequeno mais grande" tem 4 anos.

Esses dias, fui chamada de lado pela professora na hora de busca-lo na escola. Me arrepiei! É assustador ser chamada na frente de todos os outros pais em pleno portão da escola. A professora me contou, muito seriamente, que meu filho havia encostado a salsicha dele no braço de uma amiguinha. A seriedade com qual ela me contou sobre o evento fez com que eu pensasse que a 'salsicha' da qual ela estava falando era outra, e não aquela da lancheira dele. Sério, por uns segundos, pensei que ela estava falando sobre um ato completamente diferente do que realmente aconteceu. Eu arregalei meus olhos de tal maneira que a professora mudou o tom para 'não, não foi tão serio assim'.

Naquele dia passei a tarde inteira choramingando, me sentindo a pior mãe por nem sequer ensinar ao meu filho boas maneiras e pedindo colo para a minha mãe... Tudo por causa do "evento salsicha". Nem preciso dizer que é nesse, e em milhares de outros momentos, que eu agradeço a mãe que tenho. Por ela ter a capacidade de me fazer ver o humor (e o ridículo) desse tipo de situação.

Dias depois da salsicha, tivemos nossa reunião bianual com as professoras. Eu, super preocupada, perguntei se meu filho estava se comportando melhor na hora do lanche, se ele prestava atenção durante as lições, se estava pegando a tesoura de maneira correta, se havia decorado nosso endereço (com CEP, porque é obvio que uma criança precisa saber seu próprio CEP!), como estava se saindo na aula de espanhol, como se comportava na hora das brincadeiras, se estava demonstrando progresso com a escrita e leitura, se a pega do lapis e caligrafia haviam melhorado.

Vou relembrar voces que a criança da qual eu estou falando tem quatro anos. Q-U-A-T-R-O anos!

Ele não esta se preparando para a faculdade, nem sequer para a primeira serie! Mas a demanda que colocamos sobre ele, alguns dias, me parece um pouco demais.

Para dizer a verdade, ele esta indo super bem na escola, esta acompanhando tudo e adora seus momentos de aula. Mas, vivo com a pulga atras da orelha, de que tanta demanda aos 4 anos de idade parece ser um pouco demais...

Pronto, falei. 

DEMAIS!

Esses dias, depois de me preocupar pela milésima vez com a necessidade de rápido aprendizado do meu filho me deparei com vários artigos escritos sobre escolas na Finlandia. Só para dizer, os estudantes da Finlandia tem as notas mais altas no Program for International Student Assessment (PISA) que analisa estudantes de todo o mundo. Mais do que os países asiáticos com suas horas intermináveis de aula! Quer saber oque os alunos da Finlândia estão aprendendo aos 4 anos???? A brincar. Só isso. A educação formal so começa aos 7 anos!!! E mesmo depois dessa idade os alunos tem 75 minutos diários de recesso, só para brincar. 

Claro que nos mudarmos para a Finlandia não é a solução, mas vale ler essas coisas para perceber que não existe apenas um caminho de aprendizado que leva ao sucesso. E que demandar demais de Nossos Filhos pequenos nem sempre é A melhor escolha...

E dai se meu filho aprendesse a ler com 6 anos ao invés de 4 ou 5? E dai se meu filho não pegar a tesoura de maneira correta aos 4 anos? Não vou nem comentar que tive fazer um google pra descobrir que EU pego a tesoura de maneira incorreta minha vida inteira. Que desperdício dos meus trinta e tantos anos, imaginem como eu poderia ter sido mais sucedida e feliz se alguém tivesse sequer me ensinado a pega correta da tesoura.

Tudo isso pra dizer que as vezes, achando que não estamos fazendo o suficiente para preparar nossos filhos da melhor maneira possível, acabamos demandando demais dos nossos pequenos... e de nós mesmas! 

Queremos que eles aprendam tudo o mais cedo possível, que estejam prontos para o mundo aos 4, 5, 6 anos de idade. Que sejam autossuficientes, alfabetizados, bilingues, mestres em etiqueta e grandes esportistas. Tudo isso antes mesmo de começarem a primeira serie. 

Eu nao acho errado querer que nossos filhos estejam preparados para o mundo, que eles façam aulas de línguas, esportes, método Kumon, etc. Muito pelo contrario, adoro poder dar  esses 'presentes' aos meus filhos. 

Mas, para mim, durante dias em que me preocupo demais vale lembrar que o maior presente que uma criança precisa é de tempo para ser criança. 


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