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Todo o gay anda em grandes Saussagefests

Sou dador de sangue desde 1998, sempre me fizeram as mesmas perguntas, sempre tiveram os mesmos cuidados.
"Teve relações sexuais desprotegidas?" ou "Teve múltiplos parceiros sexuais?" são duas das perguntas que entram pela minha vida íntima.
Mas há coisa mais íntima que o sangue?
Íntima para mim, que cedo o meu, íntima para quem o vai receber.

Está definida a lista de comportamentos de risco e as questões são invasivas para todos.
Mas é uma invasão que protege quem vai receber. E essa proteção é necessária.

Lembram-se de toda a confusão em torno de Leonor Beleza?

Por mais que eu ache que as palavras do presidente do Instituto do Sangue traduzem uma mentalidade arcaica, elas vieram levantar uma problemática que faz muito sentido.

Os comportamentos de risco são alvo de escrutínio independentemente da escolha sexual do dador, Todos temos que passar por essa metidela de foice em seara alheia. O que é que o médico tem a ver com as minhas"pinceladas de amor" ou com o número de "telas que pintei"? É ele que zela pela segurança de quem vai usufruir do meu sangue.

A questão aqui é compreender que há heterossexuais promíscuos, da mesma forma que há homossexuais promíscuos. E, aqui está o que falta compreender: há homossexualidade monogâmica. Sim, eu sei, parece mentira, quando ouvimos falar em homossexuais, a nossa mente é imediatamente transportada para grandes festas, homens de corpo oleado, com asinhas, a praticar o coito anal e a contrariar tudo o que vem na Bíblia. Com lésbicas a história muda, mas isso não é relevante para o caso. O importante é que se criou o estereótipo do gay-em-festa-da-mangueira-em-que-ninguém-é-dono-de-ninguém e essa imagem vale para o pessoal do Instituto do Sangue.

Por isso é difícil compreender um casal gay monogâmico que vive uma vida dita normal, um casal gay que pretende adotar e viver uma vida dita normal. Por todos saberem que gay que é gay tem que andar em grandes orgias que, por norma, conduzem à partilha de coisas tipo copos, pilas, herpes e, está claro, HIV.

É preciso agradecer ao Hélder Trindade ter colocado os holofotes nesta questão.
É preciso que se questione o tipo de vida sexual? É. Mas em termos de segurança - usa camisinha? - ou de rodízio - teve múltiplos parceiros? - e não da orientação.



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