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Por que amamos?


O Amado que se deixa subjugar por um amante possesso desse delírio entrega-se a uma paixão deveras nobre, que será uma fonte de felicidade.  Assim se deixa seduzir o que foi seduzido...
Sócrates a Fedro

                Segundo Sócrates, na obra platônica “Fedro”, éramos almas aladas. Incriadas e imortais, seguíamos os deuses em seu séquito real e contemplávamos o universo das Ideias, mas era ela, a Beleza, a que mais fulgurava diante dos nossos olhos.

                Ávidos por acompanharmos os deuses e desejando Estar mais próximos do que víamos, se entregues ao pecado, à desordem, causávamos confusão e nos feríamos, perdendo assim nossas asas. Sem elas, caímos, tombamos sobre nossos corpos físicos, ficando presos, distante do mundo em que habitávamos, encarcerados em nossos corpos, sepulcros de nossas almas!

                Alguns de nós, talvez os filósofos, os artistas e músicos, receberam o dom da reminiscência e, quando se deparam nesta terra com algo ou alguém em que reconhecem o Belo, são como que despertados, relembrados de alguma maneira daquilo que, um dia, viram: a própria beleza. Mas esses de nós, que reconhecem o Belo no mundo que nos cerca, ficam como que admirados, em delírio e são tratados pela gente comum como loucos, porque ninguém compreende o que se passa conosco: o êxtase de nos depararmos com um pouco daquilo tudo do que, em um tempo perdido, fomos testemunhas.

                Somos chamados amantes e queremos estar próximos, unidos com a pessoa amada, pois reconhecemos nela o Belo de outrora. A alma que nos habita o corpo, diante desse maravilhoso encontro, anseia de novo retornar e suas asas e penas voltam a nascer e é essa a origem da dor que o amante sente dentro de si, ao mesmo tempo que lhe nasce também a alegria de estar próximo, aos pés, postado e prostrado diante do ser amado.

                O deslumbramento causa esse desprezo pela vida. Nada mais quer, seja amigos, familiares ou dinheiro. Somente estar próximo ao ser amado, pois esta loucura, esse delírio, é o que lhe dá asas para retornar ao Belo. Esse amor alado, na verdade, também é chamado pelo nome de Pteros, pois é ele quem nos dá asas ao nosso mais profundo desejo... Esta é a origem da paixão dos amantes! E bem-aventurado será o amado que se entrega ao desejo de seu amante, pois o objetivo do amante é moldar o seu amado à imagem e semelhança cada vez maiores das reminiscências vistas na Eternidade.


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