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As Sombras de Lola – Cap. I

Tags: nunca

“- E por que não quer dizer ‘adeus’ a ele”? (perguntou Tobin, meu terapeuta e grande amigo desde os tempos de faculdade)

 

Eu não sabia o que responder. Melhor dizendo… Sabia. Mas não queria ver a triste verdade saindo dos meus próprios lábios. Já era difícil ter que lidar com toda a realidade acerca da nossa situação e do rumo adverso que nosso destino tinha tomado nos últimos tempos e “enfrentar” mais esse fato não iriam melhorar as coisas ou me fazer subir mais um degrau da escada do esquecimento. Ele talvez tivesse ido embora ‘fisicamente’; Mas seu amor ainda estava aqui, dentro de mimo tempo todo… como dizia a canção: “Aonde está você agora além de aqui.. dentro de mim?” E aqui permaneceu por tanto tempo que passou a ser uma parte do meu ser. Sem perceber eu havia me transformado em um camaleão e ele era a paisagem onde eu mais gostava de me camuflar. As cores mais belas,as essências mais deliciosas,a brisa mais nostálgica do oceano com o tom de azul mais exótico,as mais lindas rosas vermelhas com pétalas macias frondosas,o canto dos pássaros que ecoavam magicamente junto com um som de piano que tocava Chopin em algum lugar ao background… era assim que meu mundo cinza ficava ao camuflar-se no dele.

Ahhh que saudade da nostalgia vespertina que o brilho dos seus olhos castanhos trazia ao meu coração. Que saudade do alívio que sentia quando ele tocava minha pele e me fazia ver que,mesmo com o mundo em ruínas do lado de fora das janelas da alma,tudo estava bem…que tudo finalmente estava bem,depois de um passado com incessantes tempestades e profunda escuridão. Parecia que tudo ia bem na minha vida pela primeira vez. Era como se eu tivesse passado décadas presa em um porão e em um belo dia o sol tivesse deixado a timidez e o medo de lado e tivesse aparecido para ocupar seu lugar no universo como rei. “E fez-se a luz!”,lembro de ter pensado numa certa tarde de outubro.

 

“- Porque sei que não sobreviverei. Mas esse é o caminho certo a seguir . – respondi,meio cabisbaixa. A dor de ouvir essa resposta que saiu da minha própria boca só não era maior do que o fato de ela ser verdade. Uma verdade que eu fiz de tudo pra esconder de mim mesma desde quando a ‘camuflagem’ começou a falhar – È a oração que preciso rezar para tirar as perturbações da minha alma

– E ele se tornou uma perturbação para a sua alma?

Novamente,silencio. Mais uma vez eu sabia da resposta mas hesitava falar em voz alta e apunhalar meu próprio coração ao abrir meus olhos para uma verdade que eu Nunca quis enxergar de maneira nítida. Escolhi caminhar com a venda de veludo preta nos olhos desde o inicio. Como um maçom em seu ritual de iniciação. A diferença é que eles,após esse ‘teste’,abrem as portas da entrada em um novo mundo; um mundo onde sua mente não tem outro destino senão o do crescimento e da liberdade de todas as correntes que feriram sua pele durante sua vida. Eles renascem,como fênix no fogo do milagre da vida. Já eu caminhei por caminhos sinuosos ,de pedra e espinhos,e vez ou outra uma pétala de rosa amaciava os calos dos meus pés,e diversas vezes tirei minha vida esperando por um renascimento. Mas acho que dessa vez eu tenha conseguido. Senti outra mão,menos macia,segurar na minha e os ventos pesados com essência marina que sopravam no meu rosto estranhamente estão menos carregados e com um aroma fresco de orvalho. Parece que meu próximo caminho será dentro de alguma floresta tropical do mundo.

Sim,era isso que deveria ter sido feito desde o primeiro momento. Ter escolhido a estrada para o renascimento. Felizmente nunca é tarde demais para um novo amanhã.

Tobin era um renomado profissional da área dele,mas nenhuma pessoa que lide com a mente humana é boa o bastante para desconstruir os paradigmas do meu ser ou as feridas da minha alma. Quero dizer,minha mente é deveras tão louca,insana,e mortalmente apaixonada que apenas alguém mergulhado no mesmo fundo de poço que eu seria capaz de chegar perto de alcançar tal feito. Os loucos se entendem. Os loucos curam uns aos outros.

Aproveitei os poucos minutos que faltavam para terminar a sessão e troquei mais umas poucas ideias com ele. Parecia ter esperado alguém como eu,do seu ciclo de amizades,entrar em seu consultório para finalmente ter uns minutos de descontração e compartilhar a grande conquista de sua vida: o início do mestrado na Universidade de Cambridge,Inglaterra. Lembro de tê-lo visto pela ultima vez uns meses atrás na Barns & Noble cercado por uma pilha de livros,quatro eram sobre Freud,usando do seu jeito meio desengonçado no caixa. Depois desse ele desapareceu por quase um semestre e só voltei a reencontrá-lo no Soho,sentado em um café,acompanhado de um livro e um copo de cappuccino. Por isso tal conquista não me surpreende; lembro dele sempre ter sido muito inteligente e um desses malucos que adora estudar. O cara ruivo da turma de Psicologia da Universidade de Nova York sempre estava um passo a frente que todos de sua classe e raramente deixava que ter uma vida pessoal ficasse entre seus interesses de carreira. Provavelmente por isso nunca tenha se casado depois da época de faculdade como acontece com quase todo mundo. Por falta de beleza não foi,pois tinha uma beleza quase (Su) Real – diziam que lembrava muito o Principe Harry – ,e uma personalidade extremamente doce e feminista,que abrilhantava corações por todo o campus. Mas despertava a inveja dos outros rapazes que, por pirraça,estavam constantemente espalhando boatos sobre a sexualidade de Tobin. Mesmo sendo hétero ele não esquentava a cabeça desmentindo tais coisas ou agindo como um boçal machista pra provar. No fundo até gostava porque usava isso para desenvolver teses um tanto loucas sobre o comportamento humano. A única vez que ele se retratou foi quando,em uma dessas teses,ele foi mal interpretado e uma ONG que protege os Direitos LGBTS o acusou de homofobia. Mas depois tudo foi esclarecido e provado que não havia passado de um erro de interpretação de texto por parte da ONG. Chegaram a espalhar – os rapazes,novamente – que o namoro dele com Susanne Fletch nesse meio tempo foi uma estratégia dele pra “provar” que era hétero mesmo e que,depois de ter convencido todo mundo ele deu um pé nela e voltou a vida de estranho solitário que sempre teve. O fato é que ele nunca foi mesmo além nos seus relacionamentos. Eu tenho uma teoria que ele é brilhante no que faz (terapeuta especializado em terapia de casais) porque adiquiriu mais experiência teórica do que pratica. Os erros sempre levam a perfeição. E acho que a falta de certas experiências,de certo modo,também.

Dei-lhe um longo e forte abraço e marcamos de nos encontrar casualmente em um pub recém-aberto na saída para New Jersey.

Todos os tipos de pessoas passavam por mim enquanto eu caminhava em direção ao elevador . Todos pareciam para mim fantasmas da face que eu tentava esquecer. Cheguei a me assustar um pouco quando um deles passou por mim e tinha o mesmo olhar,cor de pele,cabelo,altura,lábios dele. Sacudi a cabeça e entrei no elevador que acabara de apitar no 20° andar do Abbey Inc. Dentro,alguns empresários,aparentemente alemães,discutiam alegremente sobre uma causa judicial milionária que acabaram de ganhar contra uma empresa de Los Angeles. Eu gostaria muito que meu alemão,quase fluente,me permitisse mergulhar mais naquela conversa e barrar as memórias que tentavam vir a minha mente. Mas eles desceram no 6° andar. E eu fiquei sozinha. Pelo menos até o 5° andar…

 

CAPITULO II

 

Eu me recostei por uns segundos na quina do elevador ,cerrei os olhos e sacudi a cabeça para afugentar os fantasmas que pareciam querer assombrar minha mente novamente. Abri minha Céline preta e tirei meu batom vermelho para retocar nas paredes espelhadas. Aproveitei e dei um up no meu olhar,que estava mais abatido do que o de alguém que passou horas chorando em um velório. E eu não queria mostrar essa cara ao mundo quando saísse.Um pequeno solavanco borrou de leve meu deliniador. Corrigi e rapidamente guardei o batom na bolsa.

A caminho da Grand Central,atrasada como sempre,e atrapalhada também,ao passar pela catraca me atrapalhei com o mundo de unitilidades que tinha dentro da minha bolsa. Calma,gente! Sou uma mulher,ué? Mulheres tem pena de jogar lixo na rua e não importa o quão cara tenham sido a suas bolsas…elas serão suas lixeiras temporárias. E suas maquiadoras e cabeleireiras ambulantes! Não preciso dizer que acabei derrubando tudo o que tinha dentro da bolsa,não é? “Existe uma invenção,antiga mas eficiente,chamada zíper. Deveria usar e não atrapalhar a vida dos outros!”, disse um senhor mal criado atrás de mim. È… reconheço que apesar da mal criação ele tinha razão.

Mas… vamos a parte da Lolita de quatorze anos deitada na sua cama escrevendo em seu diário com sua caneta frufru a seguinte frase: “Tudo acontece por uma razão”. Nesse incidente da bolsa eu acabei sendo ajudada por um rapaz muito gentil com um sotaque um pouco engraçado. Acho – ACHO – que ele era italiano. Ele me ajudou a juntar rapidamente as minhas coisas e ainda elogiou as minhas roupas. Eu sei que o homem italiano é um dos mais chiques do mundo mas de maneira equivocada pensei “Òtimo. Uma ‘Federica”. Me perdoem. Mas muitas de vocês no meu lugar teria pensado o mesmo. Além do que é bem raro ver um cara com o cabelo todo perfeitamente penteado,cheirando a perfume italiano ligitimo,sapato de couro de jacaré,jeans também italiano (dããã ele era italiano) e uma camisa com todas abotoaduras perfeitamente encaixadas).

Por um momento me questionei o que um homem daquele nível estaria fazendo em uma estação de metrô. Tudo bem que a Grand Central é bem famosa em New York e até celebridades e o prefeito andam de metrô e etc…mas… quem era ele? Viajei mais um pouco e pensei se era a personificação de Christian Grey. Ou Gideon Cross. Haha. Sacudi a cabeça ao perceber o quão imbecil eu era.

E então aquela alegria de ver um rosto novo – e bem atraente – durou pouco. Há algumas plataformas de distancias eu o vi. Ele também me viu. O tempo parou. Exatamente como aquela cena de Constantine quando Gabriel está prestes a enfiar a Lança do Destino no ventre da personagem de Rachel Weiz e dar origem ao anticristo… È… era quase como o anti cristo mesmo. Posso estar usando um pouco de exagero,mas só eu e quem já teve o coração e alma destroçadas por alguém que prometeu proteger com a própria vida,e no final tirou de você sua própria vida,sabe do que estou falando.

Vocês querem um breve resumo sobre o que eu tinha dentro de mim por esse ser humano? Não. Pois vou dar assim mesmo. Porque não mandei vocês lerem até aqui agora aguentem!

 

Um (Não-tão-breve) resumo sobre Julian

Você entrou na minha vida naquele 26/10/2009 – 16h40. Você foi um desejo que se tornava realidade. Uma realidade a transformar minha vida em um poço de desejos. Você chegou sorrateiramente e ocupou o seu espaço como ninguem jamais fizera. Você me ensinou a jamais dormir sem sonhos e nem a sonhar sozinha. Você me mostrou que eu era alguem especial e merecia ser tratada assim; mesmo distantes,voce me mostrou que eu era alguem em quem vali a pena investir um sorriso,um carinho,um amor pra vida toda. Você me fez ir dormir e acordar com meu mais belo sorriso…por anos. Eternamente terei no meu coraçao você dizendo que “Quem sabe..vc terminaria casando comigo”. Ou os incontaveis “Eu gostaria que você estivesse aqui”. Ou quando voce disse que “Seria o homem mais sortudo do mundo se tivesse meu amor”. Por alguma razão,que talvez eu vá embora da vida sem saber,você nunca se entusiasmou pra lutar por todas essas palavras. Você nunca me fez fechar os olhos e acordar ao seu lado. Você nunca se arriscou a se jogar no oceano da vida e juntos irmos até Atlântida. Eu sonhei sozinha. Eu desejei sozinha. Por anos. Por milhares de dias… milhoes de horas. Inumeros pores-do-sol que exalavam sua essencia. Eu vivi sozinha (E certamente ainda vivo). Estranhamente voce nunca saira do meu lado. Estava o tempo todo aquecendo meu coração. Provocando e cicatrizando as feridas nele. Era meu antidoto e meu veneno.

Tudo o que eu sempre quis foi te ter nos meus braços,nos meus abraços. Te agarrar e não te deixar ir. Nunca. Nem por um segundo. Dia após dia. Dia após dia. Por um dia ou um milhão de anos. Você estava na minha mente quando eu abria os olhos pela manha e fechava a noite. Seu sorriso era minha vanguarda para continuar a vida. Sempre foi. Sempre será.

Anos se passaram. Anos passarão. Como ceus e Terras… Tudo. Inesgotavel. Você continua comigo. No meu coração ou na minha minha amargura. Mesmo tendo decidido por ir embora você continua aqui. A diferença é que agora estou usando as liçoes de crescimento que voce indiretamente deu nas vezes que me machucou.

Se eu pudesse voltar no tempo eu faria aquela tarde de outubro nunca existir… ou nunca acabar. Eu não sei como medir a quantidade de amor que trouxe a minha vida,mas posso dizer que é proximo da quantidade de átomos presente no universo. Em cada uma de suas estrelas.

A jornada é longa. E felizmente ainda não acabou. O universo me deu como presente de nascimento o dom da leitura da alma,e a minha me diz constantemente para esperar embaixo daquele frondoso jequitibá,pois nossa hora irá chegar. Pessoas entraram e entrarão nas nossas vidas mas o nosso destino já está selado. Juntos. Eu não consigo sentir a presença de ninguem mais lá na frente e assim é com você. Fomos moldados por inumeros amores nesses anos todos mas nenhu tem o molde certo que precisamos e sempre voltamos a caminhar nos coraçoes um do outro.

Está escrito. Já está feito. Você veio para a minha vida e eu para a sua. Mudamos nossos coraçoes. Causamos euforia no Monte Olimpo ao nos reecontrar depois de viagens por algumas vidas. Os anjos já decretaram e agora vamos cumprir suas leis.

As coisas podem estar do avesso agora… Mas de alguma maneira estão corretas. Isto teve e terá que acontecer. Cada minuto. Eu nunca vou entender totalmente e tampouco aceitar…mas é como foi decidido. Sim,teremos uma historia juntos e com um final que só acontece nas inspirações de Shakespeare ou em um quadro de Monet. Mas,no final,as dores cessarão e nosso abraço sairá dos sonhos para prevalecer na realidade. Nosso amor não vai morrer. Nem adormecer. Viajamos por vidas para nos encontrar e agora chegamos na estação final. Me dê a mão e vamos esperar a tempestade passar. Ela vai passar. E então finalmente vamos ouvir a musica dos anjos enquanto os elementais abençoam nossa nova jornada e apagam nossas dores.

Nem que seja por toda a minha…eu te esperarei

Meu poder. Meu prazer. Minha dor… Meu Anjo

 

 

Relis lembranças. Lembranças malvadas de um passado malvado. Por enquanto só posso me concentrar em não perder meu treAHHH MERDA!!! MERDA!!! QUE DROGA!!!! ISSO QUE DÁ FICAR PENSANDO NAQUELE CABEÇA DE BAGRE!! Estava um nevoeiro danado lá fora,afinal era início de Dezembro e Nova York fica toda branca,e achar um taxi era uma missão impossível. Outro metrô então… Procurei pelo meu “amigo italiano”,tinha sumido. Hmm.. que pena. Me levantei do banco gelado e fui até os telefones ligar para a minha colega de quarto Selma para pedir para ela me buscar. Pra variar…todos sem linha. Insisti tanto que estava só esperando a hora da moça telefonista dizer “Minha filha você tem problema? Está nevando e nada está funcionando,lesada!!! Vá pra casa e me deixe ir também!!”. Bati o telefone,’vencida’. Pensando em alguma solução. Provavelmente o próximo passo seria saber se na Grand Central haveriam pousadas ou coisas do tipo. Ou arriscar me deixar ser levada pelo nevoeiro e pegar um taxi e chegar em Tribeca

 

 




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