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[Resenha] Um amor inesperado

[Resenha] Um Amor Inesperado

Falei outro dia sobre este filme no meu Facebook. Eu contei que eu assisti um pedaço dele enquanto estava voando para algum lugar – indo ou voltando. Eu juro que é verdade, mas juro que não me lembro de onde ou pra onde (acho que era pra Lima). O avião pousou antes do filme terminar e não tive oportunidade de ver o final. Passaram-se dois anos até eu tê-lo encontrado no Youtube, na versão original em espanhol, sem legendas. Oba! Vou conseguir saber o que acontece com o casal!!!

É provável que a ficha de Marcos e Anna – de que Eles são um casal, não apenas pais do “Luci” – só tenha caído mesmo depois da viagem do filho. A síndrome do ninho vazio dói no fundo da alma dessa mãe, que se perde ao olhar em volta. Uma casa vazia, sem ninguém pra cuidar. Um marido que não teve a sua rotina afetada, ele continua acordando, tomando banho, o café da manhã, saindo pra trabalhar, voltando no final do dia com algumas histórias, alguma ideia para o jantar – saltenhas? – e algum vinho em cima da mesa, com duas taças.

Só que o vinho, as taças, as saltenhas e até as conversas tranquilas e gostosas, passam a não ser suficientes para aquela mulher que está se perguntando e agora? . Ela demora um pouco pra entender o que está acontecendo – e os seus sentimentos. E em uma cena muito bonita, com a luz baixa, um sofá – e duas taças de vinho – pode-se dizer que a ficha dos dois caem quase que na mesma hora. Tudo bem tranquilo e maduro, como se é de esperar de um casal que passou dos cinquenta anos de idade e de vinte e cinco anos juntos. Eles percebem coisas importantes. Termina ali, sem culpas, sem traumas, sem responsáveis. Um consenso, amizade e muito respeito.

E agora?

E agora é que nós poderíamos nos lamentar, mas nesse primeiro plot é que começa a diversão, pra ele e pra ela. Pra nós também. Uma mulher redescobrindo sua libido e sua atratividade e magnetismo. Quase um novo olhar sobre tudo, que torna as coisas mais fáceis, mais práticas e mais naturais. É interessante como se percebe a evolução desta personagem, inclusive no modo de se vestir, de como prepara os cabelos, da cor do batom que escolhe, da cor do fundo das paredes (algo que me chamou a atenção, ah como eu amo a semiótica!). Azul, azul, azul, cinza. Vermelho, vermelho, vermelho. Enquanto isso há um tiozão (muito) charmoso dando um giro por aí, não com menos diversão e sem pressa. Se esbarram, às vezes, nos corredores dos amigos em comum. E de assuntos burocráticos um pouco incômodos, para os sentimentais.

É quando você se reconhece pragmática ou sentimental – e ali você tem um preferido. Marcos ou Anna? Eu sou do time dos sentimentais, lógico.

Tá. Você torce pelos dois, você torce por ele, você odeia a frieza dela. Você não vê muita graça em outros casais. Eu não tinha certeza de nada daquilo que poderia acontecer, até a última cena do filme. Mas posso falar uma coisa? O melhor de tudo nem é o final. É o processo. Eu diria que este filme é a versão madura de “Antes do amanhacer”, aquele filme super paradinho em termos de reviravoltas, mas que o texto – os papos, a interação entre os dois – te leva junto, o filme inteiro. Dá vontade de você sentar com eles, caminhar com eles, tomar uma taça de vinho com eles – e brincar com o gosto das saltenhas.

Mesmo que o filme não fosse bom, tem a química entre Ricardo Darín e Mercedes Morán, o tanto que eles se curtem trabalhando juntos, o tanto que eles combinam, o tanto que encaixa: vale o tempo investido, eu juro.



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