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Estou na menopausa. E agora?

Estou Na Menopausa. E Agora?

Fiz uma brincadeira no meu Instagram, estes dias, uma retrospectiva de 2020. O objetivo era fazer minhas amigas e pessoas com quem interajo pensar sobre as coisas que as fizeram crescer, neste ano, que foram boas. Depois me dei conta que esqueci de falar sobre um dos meus percalços… merecia menção! A chegada da menopausa!

Uma amiga estes dias, ao descobrir que havia me submetido a uma ooforectomia, me perguntou como estava minha cabeça com a retirada de um órgão feminino. Eu disse pra ela que não estava pensando nisso, que não pensei, não remoí… fiz o que precisava fazer. E me dou por satisfeita de só ter tido um dos meus ovários removido. E é verdade. Bola pra frente. Sou assim. Mas se tem uma coisa que me fez parar para refletir, digerir e dar conta de toda a melancolia, tristeza e até depressão que me causou, foi a menopausa.

De lá pra cá, tenho encarado isso com bastante resignação, tenho aprendido mais do que reclamado. E para as minhas amigas que ainda não estão passando por isso, irmãs, primas, deixo este texto com o meu relato, como incentivo. A menopausa é uma fase, não uma inimiga, uma maldição ou um fardo.

Surpreendida aos 41 anos

Descobri em Março. Teoricamente a menopausa não é precoce para uma mulher de 41 anos, mas nesse cenário atual e no meu caso, encarei sim como precoce. Muito cedo. Antes de tudo acontecer, eu mesma avisei ao médico: “eu sei que estou, sinto os calores”. Ele me ligou confirmando. Os exames acusaram o meu declínio hormonal. Talvez seja mais fácil falar disso, quando você é uma mulher que já está preparada – do que chegar no consultório e se deparar com essa notícia sem estar esperando. Conhecer você mesma e conhecer o seu corpo é uma das melhores coisas que você pode fazer por si mesma e pode te salvar em vários momentos. Mas pra falar do impacto da chegada da Menopausa na minha vida, preciso voltar um pouco o filme para 2015, 2016, quando eu era casada. 38 anos. Minha cabeça me infernizava todos os minutos e segundos do meu dia, para que eu engravidasse o mais rápido que pudesse. E volto ainda mais este filme, para os meus 33 anos, no consultório da ginecologista da época, que olhou minha ultrassom transvaginal e, apesar de ali existir um laudo que mostrava um cisto gigante dentro do meu ovário direito, ela leu e me disse: “está tudo bem”. Eu questionei. Como é que está tudo bem, se eu tenho um cisto grande deste jeito? Ela me respondeu com uma risadinha, que eu deveria ter *todos* os meus filhos até os 35 anos.

Hoje, aos 41, eu gostaria que ela tivesse sido mais clara: Melissa, você está no caminho para uma menopausa precoce, a falência dos seus ovários. Procure engravidar logo. Eu teria sido mais esperta.

Por diversas razões, ser mãe não dependia só da minha vontade. E eu compreendo que em algumas circunstâncias não vá depender, mesmo, só da vontade da mulher. O que eu jamais faria se tivesse a cabeça que tenho hoje, é colocar nas mãos do marido a decisão de ser mãe (ou de não ser). Em 2014 nós morávamos em um edifício sem elevador. Em 2015 tínhamos muitas dívidas. Em 2016 ele ficou doente. Enquanto isso, eu literalmente sonhava com a maternidade. Cheguei a sonhar com um menino que se chamava Arthur e Tinha 7 anos. Sonhava com bebês. As amigas me perguntavam se eu estava grávida. Ma,s pra ser mãe, eu precisava dele. E eu e ele estávamos cada vez mais afastados, como homem e mulher – o que me desesperava ainda mais, porque eram dois trabalhos. O de consertar o casamento e o de engravidar. E em vez de eu sentar e conversar sobre isso, eu ia pro chuveiro e chorava. Minha cabeça me fazendo lembrar do episódio com a médica: tenha todos os seus filhos até os 35, Melissa. Eu já tinha 38, e nada. Minha mãe me ligando e perguntando que dia era meu período fértil, porque ela ia rezar para Nossa Senhora. Eu só chorava – e adoeci.

No final de 2016 eu recebi a notícia que minha irmã menor estava grávida e meu companheiro na época, se assustou quando eu, no lugar de ficar feliz por ela, fiquei triste. Me lembrei da minha mãe dizendo que eu tinha que engravidar primeiro, pra “puxar a fila”. E quando soube que a minha irmã tinha engravidado antes de mim, na minha cabeça “Deus tinha pulado a Melissa”. Expliquei tudo pra ele, ele entendeu e me disse que nós teríamos nosso filho em 2017. Isso foi em Novembro do ano anterior. Veio Janeiro de 2017, fevereiro, ele estava infeliz e o casamento terminou.

De tudo isso a única coisa que fiz errado foi deixar alguém decidir por mim, quando era hora de ser mãe.

Veio todo o luto do divórcio, que foi curado pelo nascimento da minha sobrinha que não por acaso se chama Iris, e que é o meu raio de sol. Fui curando o vazio da maternidade, com meu amor de tia e o amor que ela tem por mim. Tive o grande presente de poder ver de muito perto ela crescer, porque morávamos todos na casa dos meus pais. E quando eu pensava em engravidar, eu sempre pensava que acreditava em Deus e que se Ele quisesse, um dia, que eu fosse mãe, não haveria impeditivos. Isso me deixou tranquila, até receber o diagnóstico da menopausa.

O jeito como a gente encara a menopausa

Voltando à conversa que tive com minha amiga sobre a remoção de um dos meus ovários… a chegada da menopausa, sim, me fez pirar. Na época eu estava apaixonada por um homem 7 anos mais novo do que eu, que era meu amigo e seria impossível que viesse a ser algo mais. O fato de eu não poder mais ter filhos fez com que eu me sentisse inútil, e com que eu pensasse que nenhum homem iria querer se aproximar de mim. Tinha também o problema da tal secura vaginal, da falta de libido (que eu não sentia que acontecia comigo, mas que muitas mulheres nesta fase reclamam). Depois vem a pele, que fica ruim. O cabelo, a memória, o humor. E a depressão, sem ninguém saber, por meses e meses. O cara tinha um compromisso, mas se não tivesse eu ainda assim não teria nem tentado, porque me sentia um troféu abacaxi e dizia pra mim mesma que “ele não merecia passar por isso”.

Eu sentia alguma coisa estranha no meu organismo e ia até os grupos de menopausa do Facebook, digitava o sintoma que sentia e via que outras mulheres sentiam ou sentiram o mesmo – pronto, ok, isso é parte da menopausa. Tristeza, crises de pânico, parte da menopausa. Queda de temperatura corporal, parte da menopausa. Alterações intestinais, parte da menopausa. No grupo, as mulheres não veem a menopausa como parte natural da vida; elas veem como o FIM da vida. Como um FARDO. E tudo isso fazia eu me sentir ainda pior.

O fio foi interrompido porque tive o problema de saúde que me obrigou a remover meu ovário direito. Foi quando percebi que a melhor maneira de eu me cuidar não era digitando o sintoma no grupo de mulheres do Facebook, mas fazendo meus exames e seguindo as orientações do médico. Se não fosse por eu ter tido coragem (com medo, e com medo mesmo) de encarar um check-up, eu jamais teria tido conhecimento do tumor – porque não sentia dores, não tinha sintomas. E se tivesse sentido dor na pelve, teria digitado no grupo: “dor na pelve”. Normal, sintoma da menopausa. O que teria acontecido?

Não sei o que foi que me fez virar a chavinha e interromper o pensamento de auto-piedade e de me colocar como vítima da vida, injusta, por que as outras mulheres têm filhos e eu não tive? Talvez a primeira coisa tenha sido gratidão a Deus e ter a certeza do amor DELE por mim. Eu não tenho só certeza, EU SINTO. Depois, parar de tentar entender – e só confiar. Veio também a certeza de que filhos são frutos de uma relação de amor. Se existisse amor mútuo no meu casamento, ele não teria terminado. O perdão, que cura. Os meus projetos… a vida é mais do que fazer o jantar e buscar o filho na escola. Aí veio a parte de eu tentar me enxergar e me amar como DEUS me vê e me ama. O potencial que ELE me deu, a força que ELE me dá. O que eu – sem querer – acabo representando para outras mulheres que se espelham em mim ou para quem eu sirvo de apoio (eu também tive o meu). Eu não sei. Durante muito tempo eu parei de curtir as fotos das minhas amigas com seus filhos, por que tinha medo de passar algum tipo de inveja ou energia ruim, pra elas. Passei a entender que por algum motivo, eu não era merecedora. Quando chegou a menopausa, eu tinha que encarar a realidade de não poder mesmo ser mãe e passei a cuidar dessa realidade, porque a menopausa precisa de cuidados. Você precisa cuidar da sua cabeça, do seu corpo, da sua libido, de tudo.

Depois da cirurgia, os calores cessaram – eu tinha parado de tomar remédios para poder fazer a cirurgia e o plano era retomar o fitoterápico depois dela. Como eu não sinto nada, eu não voltei a tomar. Passei a fazer pelo menos 30 minutos de exercícios físicos todos os dias, corrida quando posso (peguei gosto), não só pra manter o peso, mas principalmente por causa da cabeça (endorfinas, serotoninas e afins). Comprei um livro sobre alimentação na menopausa e depois comprei tudo o que eles indicavam: grãos, chia, linhaça. Chá de alfazema pra dormir. Retomei os meus projetos: a literatura, cursos online, contato com os amigos – e novos amigos, música, amores.

Os exercícios me ajudam a ter mais disposição e humor. E como fico bem cansada, quando chega a hora de dormir eu desmaio! Não tenho tido mais que tirar a camisola, à noite, pra dormir. Meu intestino está funcionando bem. E eu gosto muito do meu corpo. Estou me achando mais bonita como nunca, mais interessante, mais serena. Eu acho que me organismo trabalha a meu favor, o que eu quero que ele faça, ele faz.

Eu ainda não entendo!

Passado 2020 e todas as suas turbulências, o que eu posso te dizer é que a gente não consegue evitar uma turbulência. O que a gente faz é aprender a lidar com ela e a perder o medo dela. A menopausa vai chegar! A vida tem suas fases, que chegam e vão embora. A única coisa que eu tenho certeza é que estas fases têm a importância que você dá pra elas. Eu não dou bola. E ela não me incomoda. E assim seguimos.

Se você pode fazer reposição hormonal, faça. Seus problemas acabarão. Se não pode, vá tratando os sintomas (SE eles existirem) e cuide da saúde cardiovascular.

Os calores existem, eles vêem e passam. Por enquanto, não estou incomodada a ponto de precisar voltar à medicação, porque no meu caso eles são poucos e rápidos. Por conta dos casos de CA de Mama na família, o médico achou melhor que eu não faça reposição. Para a minha saúde cardiovascular, eu faço exercícios e cuido da alimentação. Para a saúde mental, além de tudo isso, medito, rezo, faço coisas que me fazem sentir bem. Cultivo o amor próprio, o autoconhecimento, o amor e GRATIDÃO à Deus. Não dou importância para o que me deixa triste. Choro quando preciso chorar e deixo passar.

Turbulências me assustam, mas eu dou conta.

A menopausa não é uma inimiga, não é uma maldição, não é um fardo. É uma fase. Você precisa se olhar com cuidado e com carinho e não se desprender da sua vida, dos seus projetos e da sua família por causa dela. Se assim como eu, você também não tem filhos, procure não ficar pensando nisso. O que é seu, te encontra, de um jeito ou de outro.

No meu sonho, eu estava sozinha – não havia um homem comigo. Arthur já tinha 7 anos e era meu filho. Eu não sei como, e isso não é problema meu, é problema de Deus viabilizar. Se Arthur é meu filho, ele vai me encontrar.

Para você aprender a escutar e amar o seu próprio corpo, eu recomendo estas duas leituras:

  • Mulheres que correm com lobos – Clarissa Pinkola
  • Manual de introdução à Ginecologia Natural – Pabla Pérez San Martín (acho que só tem na Amazon)


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