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O que é criatividade?

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Definir o indefinível

Sabemos: a Criatividade é aquilo que nós acreditamos que nos falta. De tanto repetir isso, resolvemos destrinchá-la. Vamos conversar sobre isso? Olhar bem de perto, entendê-la, pra perceber que assim como Chaplin disse que não se deve viver um dia sem sorrir, também não se deve viver um dia sem que possamos usar a nossa capacidade criativa.

Um dia sem usar nossa criatividade é um dia extremamente chato (e talvez jogado fora, mesmo).

O que dizem sobre ela?

A criatividade é um processo em que transformamos ideias novas em realidade, ou a habilidade de observar o mundo de outras maneiras, Fazer conexões e criar soluções. Há muitos autores que definiram a criatividade, mas a melhor definição que encontramos foi do psicólogo húngaro, adepto da psicologia positiva e autor do livro “Creativity: The Psychology of Discovery and Invention”, Mihaly Csikszentmihalyi:

“A criatividade é a fonte principal que atribui significado às nossas vidas… grande parte do que entendemos como interessante, importante e humano, são resultados da criatividade… só quando estamos envolvidos em um processo criativo, sentimos que estamos vivendo com mais plenitude”.

Muito do que se entende por criatividade está relacionado ao conhecimento, a aprender uma disciplina ou dominar um novo jeito de pensar. Podemos aprender a ser mais criativos através da experimentação, exploração de novas coisas ou ideias, fazendo perguntas, através da imaginação ou sintetizando informações. Na prática, você está explorando sua criatividade se se matricula pra um curso de fotografia, se faz perguntas sobre um assunto ainda que pra você mesma, se resolve testar uma receita de panquecas trocando o açúcar normal pelo mascavo e na última hora resolve adicionar noz moscada (inventamos agora, testem), se tenta imaginar novas estampas para o papel de parede do quarto ou se resolve fazer uma viagem para o Quirguistão. São experiências que, simples ou complexas, vão criar novas sinapses em sua mente e te levar à outras tantas.

No entanto, estudos feitos pelo Professor da Universidade de Harvard Clayton M. Christensen e seus pesquisadores, relevaram que no DNA dos criativos (The Innovators DNA), sua habilidade de gerar ideias inovadoras não é uma mera função mental, mas também a correlação de cinco fatores comportamentais que otimizam seu cérebro para novas sinapses/descobertas:

  • Associação: conexões entre perguntas, problemas ou ideias em assuntos diferentes
  • Questionamento: desafiar a visão comum
  • Observação: examinar o comportamento das pessoas e identificar novas maneiras de fazer as coisas
  • Rede de contatos: conhecer pessoas com ideias e perspectivas diferentes
  • Experimentação: construir experiências interativas e fazer provocações para colher novos insights

Portanto bóra associar, questionar, observar, fazer networking e experimentar diversas coisas, amiga. Isso é ótimo pra você.

Sociedade e Economia

A criatividade foi colocada de lado depois da Revolução Industrial, quando nós não precisamos mais ter que pensar para resolver algum problema, mas vivemos agora em uma época onde o excesso de informações nos impele à agilidade e inovação, já que nós queremos e precisamos descobrir novos jeitos de fazer as coisas – e não mais do mesmo. O que provavelmente nunca passou pela sua cabeça e também não tinha passado pela nossa (embora seja óbvio), é que a perpetuação das sociedades e até o desenvolvimento da economia dependem da criatividade. Segundo o escritor Daniel Pink, em seu livro “A Whole New Mind: Why Right-Brainers Will Rule the Future”, o Desenvolvimento Econômico é definido desta forma:

  1. Era da agricultura (fazendas)
  2. Era industrial (fábricas)
  3. Era da informação ( conhecimento)
  4. Era conceitual (criação e empatia)

Um estudo promovido em 2012 pela Adobe, sobre criatividade, mostrou que 8 em 10 pessoas concordavam que o desbloqueio da criatividade é essencial para o desenvolvimento da economia e aproximadamente dois terços dos participantes da pesquisa acreditavam que criatividade é um valor importante para as sociedades.

O cientista político Christian Lohbauer disse ao Jornal da Cultura desta edição, que vê na economia a única solução eficaz para gerar empregos para todas as pessoas, desburocratizando processos de regulamentação de microempresas e capacitando microempresários. A economia criativa emergiu neste cenário (ainda passível de melhorias), revelando ideias incríveis – muitas vezes simples, embora impensáveis – que são o núcleo de sustento familiar. A criatividade é o combustível da sociedade e os processos educacionais que despertam e desenvolvem esta competência nas escolas e universidades não deveriam ser suprimidos. Você pode ter a ideia que ninguém teve. Você pode ter a ideia que estão todos procurando. Você pode ter a ideia que vai pagar suas contas durante a pandemia. Você vai descobrir que na maioria das vezes o passo mais largo de se sair da estagnação é fruto de uma ideia criativa.

A habilidade criativa

A habilidade criativa depende do pensamento criativo – tarefa não muito fácil – nada fácil, diríamos – mas altamente utilizada pelos maiores e melhores “problem-solvers” do planeta. A má notícia é que isso dá bastante trabalho pra absorver e manter. Estudos feitos com crianças de 5 anos revelaram que 90% delas traziam trabalhos incríveis, verdadeiros gênios. As mesmas crianças entrevistadas consecutivos e vários anos depois, apresentaram uma queda crescente em sua capacidade de trazer soluções criativas para problemas ou fazer criações, o que prova aquilo que todo mundo diz (quase a ponto de ser um clichê): nós vamos perdendo a criatividade conforme envelhecemos.

Como criar uma pessoa criativa? Como impedir que uma criança perca sua capacidade criativa na medida em que cresce? Há quem diga que os estímulos são o caminho. O problema é que, em uma tentativa bem intencionada de executar estes estímulos aos filhos – famílias enchem o currículo de suas crianças de sol a sol com atividades diversas e sem pausas. Só que a pausa e o ócio são a melhor amiga da imaginação, já que a criatividade não surge, via de regra, onde não exista um problema pra resolver.

Enquanto alguns pesquisadores, como a psicóloga Irene Maluf, corretamente acreditam que o segredo é deixar as crianças brincarem – outras, como a psicóloga britânica Teresa Bolton, destaca a importância de deixarmos um tempo livre e ficarmos offline de vez em quando – e isso também serve para as crianças.

“Uma criança que é estimulada a usar sua imaginação se torna um adulto mais seguro na tomada de decisões, com maior senso criativo na resolução de problemas”
Irene Maluf

“Para o bem da criatividade, talvez devamos diminuir nosso ritmo e ficar ‘off-line’ de tempos em tempos.”
Teresa Belton, pesquisadora

A importância do ócio

Em sua pesquisa recente, a pesquisadora Teresa Belton, da Universidade East Anglia, na Grã Bretanha, questiona a expectativa cultural que se criou ao redor das crianças e através da qual se espera que estejam sempre ativas e ocupadas, sendo constantemente estimuladas: “o tédio pode ser um sentimento desconfortável. A natureza estimula um vácuo que tentamos preencher”. É exatamente assim que alguns jovens visivelmente não desenvolveram a capacidade de lidar com o ócio criativo. Em outras palavras: não sabemos ficar parados. 

O papo de que temos nossas melhores ideias no chuveiro, não é falácia, é verdade: 72% das pessoas tem insights criativos enquanto tomam banho. Por quê? Atividades solitárias como o banho, caminhadas ou viagens na maionese estimulam nosso cérebro e obrigam-no a reagir criativamente ao estímulos do ambiente.

Faz bem pra quê?

A boa notícia – na verdade as boas notícias – é que você não precisa ser uma celebridade para ser uma pessoa criativa e que se dizem que perdemos nossa capacidade criativa na medida em que envelhecemos, fique tranquila porque somos todos perfeitamente capazes de fazer nossa mente reaprender a criatividade, em qualquer momento das nossas vidas. A criatividade é uma competência que pode ser desenvolvida e um processo que deve ser administrado. E você tem várias razões pra querer fazer isso, qualquer que seja a sua praia. Porque além de poder ser ainda melhor naquilo que faz (porque o fará de uma maneira diferente), vários estudos sugerem que o trabalho criativo – ainda que mínimos – pode melhorar nossa saúde mental e mesmo a saúde física, sempre beneficiada pelos frutos da criatividade, como a arte. Alguns dos apontamentos:

  • a criatividade pode ajudar a combater a depressão
  • a criatividade pode auxiliar a resposta do seu organismo ao estresse
  • a criatividade pode beneficiar seu sistema imunológico
  • a criatividade pode diminuir os riscos de comprometimento cognitivo por demência

A via entre a nossa saúde e a criatividade é de mão dupla: enquanto a criatividade ajuda a estimular nossas dopaminas, pesquisas sugerem que momentos criativos provêm justamente de um mix formado por dopaminas e serotoninas. A criatividade combate o estresse, mas os hormônios do estresse podem reduzi-la. O que isso significa? Que se criatividade gera saúde, outros hábitos saudáveis podem estimular sua criatividade, como dormir cedo, praticar exercícios físicos regularmente, uma dieta saudável (com mais proteínas e menos carboidratos), de maneira que rotinas diárias e positivas possam estimular a nossa criatividade enquanto esta melhora nossa saúde. Nasceram juntas, mas ainda não sabem 😉 – é você que vai contar. =D

O segredo é procurar do lado de fora daquilo que nós já sabemos e já dominamos (nosso quadrado), por novos hábitos que estimulem nossa mente e nos aperfeiçoarmos nestes novos hábitos ao máximo – tem sido provado que a criatividade aplicada à uma determinada área provêm de muita prática. Pois então não basta aprender algo novo, é preciso prática para sua mente começar a despertar e se tornar mais criativa.

Esteja atenta, aberta à novas possibilidades, seja curiosa – perguntas são mais importantes do que respostas – e faça dos erros, experimentações. Thomas Edison não errou 1001 vezes antes de inventar a lâmpada elétrica: foram 1001 experimentações e aperfeiçoamentos. E é por isso que você tem essa luz bem legal aí da sua sala, mocinha. Em sua tentativa de criar um jeito de viver com mais propósito, coisa que todas nós fazemos, a criatividade pode encurtar o caminho e fazer com que sua comunidade e gerações futuras te sejam gratas. 🙂

Nossa série sobre processos criativos

Pra ajudar a entender como desenhar um processo criativo, como lidar com bloqueios criativos ou como ficar mais atenta à estímulos criativos, nós fizemos uma série sobre este tema:

  1. O processo criativo na literatura – com a escritora paulistana Mirelli Fernandes Rosa
  2. O processo criativo no teatro e na dança – com a atriz Ariana Slivah

Conversaremos com pessoas de áreas correlatas ou não, e escutaremos delas como lançaram mão da criatividade para solucionar problemas, trazer melhorias para alguma coisa ou alguém, criar alguma coisa nova e impensada, fazer conexões e criar novos mundos, fazer o mundo rodar, a economia fervilhar e nossa sociedade avançar.

Sir Richard Branson, presidente da Virgin Companies, tem um mantra que se tornou o DNA da empresa, o A-B-C-D:

“Always Be Connecting the Dots”

Esperamos ter inspirado você!

*

LEIA TAMBÉM: 

What is creativity

What is creativity – defining the skill of the future

Flow, the secret to happiness (TED Talk)

How creative routines improve your health and well-being – Post de blog

Criatividade infantil: o segredo é deixar a criança brincar

Biblioteca de posts sobre criatividade no Lady Busy Bee

25 ways to be more creative



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