Get Even More Visitors To Your Blog, Upgrade To A Business Listing >>

BOM DIA CAMARADAS, de Ondjaki

Bom dia camaradas é o primeiro romance que li do autor Ondjaki. Já conhecia a poesia do angolano, mas confesso que seus versos não me encantaram tanto quanto a sua prosa.


Peguei o livro para ler sem muitas expectativas, apenas para conhecer a obra do autor e também passar o tempo, mas, após a leitura dos primeiros parágrafos, não consegui larga-lo até chegar ao seu epílogo.

Uma leitura extremamente agradável. Uma prosa inundada de lirismo. Ler Bom dia camaradas é (re)viver uma doce infância; é lembrar de um tempo em que a ingenuidade estava presente em nosso olhar diante dos acontecimentos cotidianos; é perceber que a infância é um sonho realizado que todos nós adultos recebemos e nem nos demos conta. Bom dia camaradas nos convida a sonhar novamente nossos tempos de criança.

Não é qualquer autor que consegue transformar fatos do dia a dia em uma narrativa riquíssima. Ondjaki consegue. Através do personagem-narrador-menino-não-nomeado (Ondjaki?) sentimos o gostinho do café com leite pela manhã, o cheiro agradável daquela comida sendo preparada, sentimos o afeto daquela tia preferida que vemos apenas duas vezes por ano, suamos como crianças inquietas e curiosas.

Tudo isso e bem mais em uma Angola do final dos anos 80, pós guerra, recém independente e vivendo uma intensa guerra civil. Mas uma Angola esperançosa sob o olhar otimista do menino alegre pertencente à classe média. Um olhar que não permite que esses acontecimentos interfiram em sua disposição em viver cada dia com a alegria que deve ser.

Além da narrativa incrível, a obra de Ondjaki nos faz ter contato com uma língua portuguesa distinta do nosso português falado aqui no Brasil. A língua portuguesa de Angola é mais próxima à falada em Portugal (Angola foi colônia portuguesa até 1975!!).

A edição brasileira de Bom Dia Camaradas manteve intacta a obra original angolana, sendo acrescentado apenas um sucinto glossário ao final do livro, a fim de explicar alguns verbetes regionais, provavelmente desconhecidos no Brasil.
Mas não se preocupe, as variantes regionais não atrapalham a leitura (li o livro inteiro sem recorrer ao glossário).


Se você deseja uma leitura leve e cativante, leia Bom Dia Camaradas <3

Informações técnicas

Título original: BOM DIA, CAMARADAS!
Autor: Ondjaki
Páginas: 136
Ano da 1ª edição brasileira: 2006 (editora Agir)
Selo atual (2014): Companhia das Letras

Resenha (Editora Companhia das Letras):


Uma Luanda dos anos 1980 com professores cubanos, escolas entoando hinos matinais e jovens de classe média é o cenário de Bom dia, camaradas. Do universo do romance também fazem parte as lembranças dos cartões de abastecimento, as desigualdades sociais e os conflitos entre modernidade e tradição.
Através do olhar lírico de um garoto, o leitor é levado a uma Angola que acabou de se tornar independente e é obrigada a repensar as regras sociais e a questionar as causas da desigualdade. Ondjaki nos conduz aos pequenos acontecimentos do cotidiano que mostram como é preciso mais que um decreto para que as mudanças de fato aconteçam. 
Assim como em outros livros de Ondjaki, o mundo dos jovens e a descoberta da vida adulta e seus conflitos são retratados sem o tom irritadiço das militâncias nem a condescendência do lirismo excessivo. E Bom dia, camaradas é daqueles romances que atravessa as idades e pode ser lido tanto pelo jovem quanto pelo leitor maduro. 
A literatura de Ondjaki é especialmente atraente para o público brasileiro, que verá a língua portuguesa ganhar outros contornos e reconhecerá no escritor angolano muito da nossa melhor tradição literária.

Resenha (Editora Agir)


Ondjaki nos traz um convincente relato desses fundamentais anos de mudanças e esperanças. Não mais a visão desamparada e repleta de culpas de alguns escritores portugueses - os tugas - que participaram da guerra colonial, nem também a visão militante dos escritores angolanos dos tempos heróicos de Agostinho Neto, mas a visão realista e pragmática de uma classe média que tenta se erguer em meio ao caos. O menino, filho de um alto funcionário do governo, tem um pajem - o camarada António, cozinheiro e voz de uma certa camada popular -, estuda numa boa escola, que tem professores cubanos, e desfruta de algumas benesses, como pegar boleia (carona) no carro do Ministério e contar com telefone e geleira (geladeira) em casa.


This post first appeared on Nosso Português, please read the originial post: here

Share the post

BOM DIA CAMARADAS, de Ondjaki

×

Subscribe to Nosso Português

Get updates delivered right to your inbox!

Thank you for your subscription

×