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Violência no Mali volta a preocupar ONU

Djenné, no Mali, patrimônio mundial em perigo. Foto: UNESCO/Francesco Bandarin

Djenné, no Mali, patrimônio mundial em perigo. Foto: UNESCO/Francesco Bandarin

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e a Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas para o Mali (MINUSMA) condenaram os recentes confrontos ocorridos em Kidal, no Mali, entre as forças do Movimento Plataforma e as da Coordenação de Movimentos de Azawad (CMA), ambos signatários do Acordo para a Paz e Reconciliação no país.

Em um comunicado emitido por seu porta-voz na última sexta-feira (22), Ban lamentou os combates que eclodiram entre 21 e 22 de julho entre os Dois Grupos Armados e condenou “esta primeira violação do cessar-fogo desde setembro de 2015, que ocorreu num momento em que as partes interessadas estavam progredindo na criação de uma autoridade interina nas regiões do norte”.

“Peço que os líderes dos dois grupos armados signatários restaurem a calma e se lembrem de seus compromissos e obrigações em relação à proteção de civis, de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança e do direito internacional”, acrescentou Ban.

O dirigente máximo da ONU também pediu que as partes envolvidas tomem medidas necessárias para a aplicação rápida e completa do acordo de paz, incluindo o estabelecimento imediato de autoridades interinas e de acordos de segurança.

A MINUSMA, por sua vez, também condenou drasticamente os confrontos que violaram o cessar-fogo e colocaram em perigo a população do país.

“Solicitamos que os responsáveis pelos combates terminem imediatamente as hostilidades e cumpram os seus compromissos em conformidade com todos os acordos assinados pelos movimentos”, disse a MINUSMA em comunicado, afirmando que vai usar todas as medidas e meios necessários para proteger os civis no âmbito do seu mandato.

Condenando também os ataques ocorridos no dia 12 de junho em Gao – que deixaram quatro mortos e vários feridos –, a MINUSMA pediu que o governo tome iniciativas para melhorar o conhecimento da população em relação ao acordo de paz estabelecido para o país.

Segundo a missão, tais medidas vão ajudar a promover a discussão sobre as formas e os meios previstos para a implementação do acordo.

Desafios ainda permanecem para a implementação do acordo de paz

Para o representante do secretário-geral da ONU no Mali e chefe da MINUSMA, Mahamat Saleh Annadif, muitos desafios ainda persistem para a implementação do Acordo de Paz e de Reconciliação do Mali, assinado no ano passado.

A informação foi passada durante a apresentação ao Conselho de Segurança do relatório sobre os principais desenvolvimentos no Mali desde o final de março.

“Claramente nem os signatários nem a equipe de mediação nacional estão satisfeitos com o ritmo lento da implementação do acordo, que está minando todo o processo, em particular a criação de patrulhas conjuntas”, explicou Annadif.

Annadif ainda afirmou que, desde a visita do Conselho ao país, que ocorreu no início de março, a situação na região está se deteriorando.

“Desde a implantação em 2013, a MINUSMA tem enfrentado ameaças mortais”, disse ele, lembrando que 19 membros das forças de paz da ONU haviam morrido após os ataques terroristas entre fevereiro e maio de 2016.

“Não podemos continuar aceitando o inaceitável. A maioria das mortes poderia ter sido evitada se as operações de manutenção da paz tivessem sido melhor equipadas, em particular com veículos blindados”, declarou.

Além disso, conforme observou Annadif, a situação no Mali impacta toda a África Ocidental. Os ataques recentes na Costa do Marfim e em Burkina Faso demonstram a fluidez dos grupos terroristas e a interdependência dos Estados na luta contra o terrorismo.

No entanto, apesar do ceticismo, há sinais de que a situação tenha melhorado desde 2012.

Segundo observou Annadif, desde a assinatura do acordo de paz, esforços estão sendo feitos para estabelecer um quadro jurídico e institucional sólido para o país, tais como o projeto de criar um conselho sobre a reforma do setor de segurança e a adoção de um decreto que estabelece uma comissão de desarmamento, desmobilização e reintegração.

Cidades adicionadas à lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em Perigo

A Comissão responsável por listar sítios como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) adicionou, em meados de julho, as Antigas Cidades de Djenné, em Mali, à Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em Perigo.

De acordo com a Comissão, a propriedade está situada em uma área afetada pela insegurança.

“Esta situação está impedindo a implementação de medidas que protejam a deterioração das edificações na cidade histórica, a urbanização e a erosão do sítio arqueológico”, disse a UNESCO em um comunicado à imprensa.

A Comissão também pediu que a comunidade internacional apoie o governo de Mali nos esforços para garantir a proteção da região.

Habitadas desde 250 a.C., as Antigas Cidades de Djenné se tornaram centro de mercado e um elo importante no comércio de ouro trans-saariano. Nos séculos XV e XVI, eram alguns dos centros para a propagação do Islã. As cerca de 2 mil construções tradicionais ainda existentes nos sítios são construídas em morros com proteção contra as inundações sazonais.

A Lista do Patrimônio Mundial em Perigo tem como objetivo informar a comunidade internacional sobre as condições que ameaçam as propriedades, bem como incentivar ações corretivas.


ONU Brasil



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