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Singapura busca investir em inovação com empresas brasileiras

Em entrevista, conselheiro da agência de inovação de Singapura fala sobre como o país pode se tornar uma base importante para o Brasil investir em pesquisa

Conhecida por ser um importante centro comercial e industrial do Sudeste Asiático, Singapura é exemplo de um país que conseguiu se desenvolver investindo pesado em ciência e tecnologia.

Boa parte do avanço se deve ao trabalho da Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa, conhecida como A*Star, que reúne 4 800 cientistas e trabalha de perto com as Empresas para financiar pesquisas.

À frente do instituto está o engenheiro mecânico Raj Thampuran, que foi diretor da agência entre 2012 e 2019, e agora é um dos seus principais conselheiros. Numa visita recente ao Brasil, o Dr. Raj, como é conhecido, falou sobre a importância da ciência para a economia.

Segundo ele, as empresas brasileiras também podem usar a infraestrutura de pesquisa do país para desenvolver produtos para o mercado asiático.

Singapura é um país pequeno, com 5 milhões de habitantes. Por que investir numa agência de inovação avançada?

Antes do ano 2000, a A*Star era chamada de Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (NSTB, na sigla em inglês). E o NSTB foi formado em 1991. A razão por trás de formar a organização, do ponto de vista do governo, era porque queríamos estabelecer um instrumento do setor público para promover o desenvolvimento das nossas indústrias, e em particular a indústria manufatureira.

Precisávamos elevar os padrões da indústria ao fazer com que ela tivesse mais valor agregado. Sabíamos que não poderíamos sustentar uma economia com uma população de baixa qualificação e jovem. Nossa aspiração era nos tornarmos uma economia baseada em conhecimento.

E para fazer isso, o investimento em pesquisa e em inovação são componentes críticos. Então o NSTB, mais tarde batizado de A*Star, foi estabelecido para esse propósito.

Alguma agência de inovação de outros países serviu como modelo para a A*Star?

Sim. Nós seguimos o modelo de organizações europeias e britânicas, cujos institutos de pesquisa tem uma missão econômica. Uma missão de transferir tecnologia e até talentos para a indústria. O Instituto Fraunhofer, da Alemanha, é um exemplo. O VTT, da Finlândia, é outro. Os britânicos têm institutos de pesquisa também. E no Japão, a agência JST.

Olhamos para essas agências como modelos, e construímos institutos de pesquisa de forma que eles pudessem desenvolver capacidades para a nossa indústria. Não são apenas investimentos e apoio a pesquisas científicas. Mas criar plataformas para transferir as tecnologias para companhias em Singapura.

Como a agência A*Star está estruturada?

A economia de Singapura é dominada por multinacionais estrangeiras, em vez de multinacionais domésticas. Elas são as âncoras da nossa economia, particularmente no setor industrial. Então construímos institutos de pesquisa em áreas em que eram os nossos pilares industriais.

Temos institutos em eletrônica, em engenharia, em química, em telecomunicações. E em 2000 nós construímos o instituto de Ciências da Vida (que abrange os campos relacionados à biologia, medicina, agricultura, nutrição, biotecnologia), para desenvolver uma indústria biomédica.

A*Star hoje tem 20 institutos, com mais 5 000 funcionários. Cerca de 4.800 são cientistas e engenheiros. Metade deles têm doutorado. E, desses, metade vêm de 61 diferente países.

Simplesmente porque a busca por ciência e tecnologia é realmente uma questão de talento. Nós temos uma política deliberada de ser abertos a talentos de todos lugares do mundo. E nutrir um ambiente que atrai a diversidade internacional.

Com quantas empresas a A*Star trabalha?

Trabalhamos em mais de 2000 projetos por ano, com a indústria. Fazemos parcerias com mais de 200 empresas por ano. E elas podem ser multinacionais, podem ser grandes empresas locais, empresas pequenas e médias. É um espectro muito amplo de tipos de empresas e a natureza dos projetos em que colaboramos com essas empresas.

O investimento em pesquisa fez diferença para a economia de Singapura nas últimas décadas?

A inovação e a capacidade de inovar é vital para qualquer economia que queria se desenvolver na área do conhecimento. Simplesmente porque esta é a vantagem competitiva das companhias.

E a habilidade de as empresas em encontrar talentos e ter acesso à infraestrutura de pesquisa acelera a capacidade delas de inovar. Na história de Singapura, esse investimento foi vital. Nós não temos recursos naturais ou outros tipos de atributos.

Outro resultado importante é a construção de talento. As empresas vão onde estão os talentos. E porque temos um o ambiente pesquisa bem financiado, somos capazes de atrair talento de todo o mundo.

E essa é obviamente outra vantagem, porque muito do nosso talento da A*Star flui para a indústria. Todo ano, de 20% a 25% dos nossos pesquisadores deixam a agência para trabalhar nas empresas.



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