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Repique da inflação adianta aposta em alta do juro

Volpon coloca ainda a Alta da inflação do Brasil no contexto global, em que o aumento dos preços começa a despontar como reflexo dos números mais vigorosos das economias dos EUA, China e Europa. “O maior risco na economia mundial agora é a inflação”, diz. Essa pressão oriunda do maior crescimento econômico já se reflete na alta de commodities como o petróleo e na elevação dos juros do Tesouro americano para acima de 2,5%. Nesta quarta, informação da Bloomberg sobre dúvidas da China quanto à compra de títulos americanos também impulsiona as taxas externas.

Alta acima do previsto da inflação, mesmo combinada com dados recentes de atividade, não fecha a porta para mais um corte da Selic, de 0,25 ponto percentual, no próximo Copom, escreve em relatório Alberto Ramos,economista-sênior do Goldman Sachs. Certamente, porém, o número reduz a chance de uma redução mais generosa, de 0,50 pp, ou de que o alívio monetário se estenda até março, diz o economista.

A queda da inflação em 2017 foi amplificada pelos alimentos. Se esses preços tivessem se comportado na média dos últimos 10 anos, observa Ramos, a inflação teria ficado em 5,6%, um dado menos benigno do que os 2,95% efetivamente registrados e mais perto do teto do que do piso da meta. A baixa da inflação no ano passado também teria de ser ponderada por ter se seguido a dois anos de recessão, em contraponto ao crescimento previsto para o PIB em 2018.

O IPCA de dezembro não ajuda a ideia de que o ciclo de flexibilização monetária poderia seguir além de fevereiro, disse Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra. Para ele, o número mais alto coloca a necessidade de alguma atenção sobre a evolução da inflação.

Maurício Nakahodo, economista do Mitsubishi UFJ Financial Group no Brasil, explica a alta da inflação em dezembro pelos alimentos, que refletiram o fim do impacto do benefício da safra recorde do ano passado. O economista ainda espera mais um corte da Selic para 6,75%, mas considera que a taxa volta a subir já em outubro, quando deve ter início um ciclo de aperto até março de 2019 que levaria a taxa até 8%.

Além da atividade econômica, analistas também terão de considerar outros fatores relevantes em 2018 para as expectativas: o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 24 de janeiro, e a eleição presidencial.

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Bloomberg Brasil



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