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De Natal, empresas britânicas pedem volta de trabalhadores da UE

Por Alex Morales.

Em toda a Europa, as empresas estão desejando felizes festas a seus trabalhadores e esperam um ano-novo produtivo quando eles voltarem ao trabalho em 2018.

Mas, por causa do Brexit, a situação é um pouco diferente no Reino Unido. As empresas que dependem da mão de obra de países da União Europeia receiam que os funcionários que irão passar o Natal com a família na Europa continental decidam ficar por lá.

A desvalorização da libra desde o referendo do ano passado, que decidiu a saída da UE, prejudicou os salários desses trabalhadores; à medida que a separação entre a UE e o Reino Unido se aproxima, há incerteza em relação a seu status legal; e talvez eles simplesmente não se sintam bem-vindos.

Já está acontecendo. Durante o verão boreal, a fabricante de forno Aga Rangemaster fechou durante duas semanas sua fábrica em Leamington Spa, na região central da Inglaterra, como todos os anos. Quando reabriu, apenas 32 dos 50 trabalhadores temporários, oriundos principalmente da Europa Oriental, haviam voltado.

“Descobrimos que muitas das pessoas tinham voltado para a parte continental, a maioria estava trabalhando na Alemanha por um câmbio que agora é realmente alto”, disse Richard Marchington, diretor de vendas da Apex Recruitment, consultoria usada pela Aga para encontrar os trabalhadores. “Existe um sentimento por trás disso também, que é o fato de que essas pessoas sintam que não são bem-vindas neste país.”

‘Mar da Incerteza’

Mesmo antes da saída do Reino Unido da UE, programada para março de 2019, o impacto do Brexit sobre a imigração já é evidente. A imigração líquida no período de um ano encerrado em junho registrou uma queda recorde de 106.000 — dados que precedem as saídas relatadas do verão boreal.

“Este não é um bom momento do ano, porque as pessoas voltam para casa e pensam sobre seu futuro”, disse Paul Drechsler, presidente do principal grupo comercial do Reino Unido, a Confederação da Indústria Britânica. “Se o futuro for ‘estou repatriando 20 por cento menos do que há um ano por causa da taxa de câmbio’ ou ‘eu poderia perder o emprego em 12 meses’, eles vão tomar decisões desse tipo” e irão embora.

“Isso está acontecendo a um ritmo constante”, disse ele. “Se você tem 30 anos e está pensando em começar uma família, você não tende a fazer isso em um mar de incerteza.”

Drechsler elogiou um acordo assinado neste mês pela primeira-ministraTheresa May com seus pares da UE sobre os direitos dos cidadãos de ambos após o Brexit, mas também salientou o que May e seus ministros enfatizam com frequência: “não há nada resolvido enquanto tudo não estiver resolvido”.

Isso confere aos cidadãos da UE que moram no Reino Unido um caráter “um pouco mais transitório”, disse Stephen Phipson, CEO do grupo industrial EEF.

Cerca de 11 por cento da mão de obra do Reino Unido vem dos países da UE. “O medo é que, depois de voltarem à casa para o Natal, será que eles voltarão para o trabalho em janeiro?”, pergunta Phipson.

Como a taxa de desemprego caiu para pisos históricos, o problema para os empregadores britânicos é que eles dependem muito da mão de obra europeia que o governo agora quer restringir. A experiência da Aga, que fabrica os famosos fogões que são um item básico das casas rurais de classe média, está longe de ser uma exceção.

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