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Com cúpula, Brics quer dar início a 'década de ouro'


Logo da 9ª Cúpula dos BRICS em Xiamen, no sul da China – Mark Schiefelbein / AP

XIAMEN – Dez anos depois de sua criação, o BRICS (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se prepara para dar início ao que os chineses estão chamando de “década de ouro”. Essa é uma das mensagens que os cinco países vão tentar passar ao final dos três dias da 9a. Cúpula do BRICS que acontece no balneário de Xiamen, a 1.800 quilômetros ao sul de Pequim. Os líderes destas nações vão reconhecer que a situação mundial e que o crescimento econômico mundial ainda está aquém do desejado. Mas querem provar que ainda são uma referência para a economia mundial e que vão continuar influenciando o cenário global pela sua força.

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— Os cinco países têm 40% da população mundial. Alguns países podem até não tenham interesse. Mas o bloco vão continuar acelerando o passo — disse chanceler chinês, Wang Yi, a jornalistas ao ser perguntado sobre a relevância do encontro neste momento de cenário internacional tumultuado.

O comunicado final da cúpula, que será anunciado na terça-feira, ainda estava sendo negociado até o último minuto pelos diplomatas dos cinco países. Um dos pontos que mais interessa o Brasil neste momento é que a nova sede do Novo Banco de Desenvolvimento, que ficou conhecido como o banco do BRICS, seja em São Paulo. A ideia é que isso saia do papel nos próximos dois anos, quando o país assumirá a presidência do bloco, hoje nas mãos dos chineses. O banco é considerado um dos principais frutos da união dos cinco países. No mês passar, inaugurou uma nova sede em Johanesburgo, e está prestes a concluir as obras da nova matriz em Xangai. A instituição também se prepara para abrir as portas para novos sócios. Mas isso não é ponto pacífico entre os atuais cinco acionistas do banco. Até porque os russos defendem que as novas adesões não sejam necessariamente feitas por critérios técnicos. Querem evitar a entrada de países que apliquem sanções unilaterais, o que seria o caso da Europa.

No Brasil, existe a crença de que novas adesões tenham de quer resolvidas em nível técnico. Ou seja, no chamado quadro de governadores, que comandam as decisões do banco. Os chineses acreditam ainda que, para deslanchar e aumentar as usas garantias de eficiência, o NBV deveria se associar a instituições já estabelecidas, como o Banco Mundial (Bird).

Na última década, os BRICS cresceram juntos bem acima do resto do mundo. Mas, neste momento, o ritmo não é igual entre eles. A China e a Índia vêm apresentando taxas de crescimento bastante altas. Enquanto o Brasil e a Rússia (que estão sob sanções do Ocidente há três anos) tentam sair de um período de quase três anos de recessão. Vamos lembrar aqui que os russos estão sob sanções do Ocidente desde a crise na Ucrânia em 2014. A África do Sul também não vai bem.

Ao GLOBO, a ex-diretora do Instituto de Economia Mundial dos Institutos de Relações Internacionais Contemporâneas da China, Chen Fengying, afirmou que o cenário econômico não é bom e que situação está bem pior do que durante G20 do ano passado. Ela disse que as condições não vão voltar ao que eram principalmente por causa de eleição do presidente americano Donald Trump. Esta é uma percepção que deve ficar clara no comunicado do BRICS. Ela reconheceu as dificuldades brasileiras, mas afirmou que a necessidade de desenvolvimento dos cinco países do BRICS está acima de qualquer turbulência doméstica. O mesmo vale para a África do Sul, segundo ela.

— A China não interfere em questões domésticas. Situação nesses países não vai afetar o que pretendemos atingir em Xiamen. Os líderes mudam, mas não a agenda do desenvolvimento não muda. Respeitamos os líderes. O Brasil representa a América Latina e a África do Sul, a África. Os líderes mudam, mas a direção do desenvolvimento não muda — disse.

Nos últimas semanas, Índia e China estava às turras por conta de problemas de fronteira, o que vinha dificultando as negociações do comunicado final. A declaração final vai reafirmar o compromisso dos cinco países com o combate à mudança do clima e instar as nações que assinaram o acordo do clima em Paris a respeitá-lo. As turbulências na península da Coreia do Norte podem ter uma menção no documento. No entanto, ainda não havia uma posição comum entre os cinco.

As diferenças entre os BRICS não se limitam ao crescimento econômico. De longe, a China e a Índia são os dois países que mais crescem. O Brasil perde com o pior taxa de investimento em relação ao tamanho da sua economia. Foram 16,38% do PIB no ano passado, contra 44,03% do PIB na China, 31,42% do PIB na Índia, 25,63% na Rússia, que, como o Brasil estava em recessão há dois anos, e 19,46% do PIB na África do Sul. O Brasil também é o país com os juros mais altos do bloco.

O presidente Michel Temer e sua comitiva de oito ministros e 11 parlamentares embarca para Xiamen neste domingo. Sob a ameaça de nova denúncia contra ele, a comitiva se preparava para ter de voltar ao Brasil antes mesmo do fim do evento, previsto para o dia 5. As datas do encontro do BRCS foram marcada para atender o Brasil,tendo em vista que presidente precisaria voltar para participar do 7 de setembro no país. Mas a expectativa era a de que antecipasse a sua volta em um dia (para o dia 4).

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