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Brasil fecha 1,32 milhão de postos formais de trabalho em 2016

Brasil fecha 1,32 milhão de postos formais de trabalho em 2016

Carteira de Trabalho – Arquivo/13-12-2016

BRASÍLIA, RIO E SÃO PAULO – Os dois anos de recessão no Brasil deixaram um rastro de 2,85 milhões de empregos perdidos no mercado de trabalho formal. No Ano Passado, 1,32 milhão de vagas com carteira assinada foram fechadas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho. O saldo negativo — medido pela diferença entre contratações e demissões — se soma ao de 2015, quando 1,53 milhão de postos foram eliminados.

Para analistas, no entanto, há uma boa notícia no resultado do ano passado. Embora ainda expressivo, o saldo de 2016 é 15% menor que o registrado no ano anterior. Isso pode significar o início de uma recuperação do mercado de trabalho, embora incertezas no cenário político tornem projeções para a economia mais nebulosas.

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— O número de destruição de vagas está diminuindo desde meados de 2016. Isso sugere que, em algum momento, provavelmente no segundo trimestre deste ano, vamos começar a ter uma situação melhor. A taxa de desemprego deve subir até abril e se estabilizar em torno de 13%. Provavelmente, no fim do ano começará a cair — avalia José Márcio Camargo, economista da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio.

Hélio Zylberstajn, professor da USP, concorda. Ele lembra que a queda de juros deve estimular a retomada da atividade econômica e, depois disso, do mercado de trabalho. Mas destaca que é importante aguardar os desdobramentos políticos.

— O dado do Caged significa alguma desaceleração na velocidade da perda do emprego, mas ainda é uma ordem de grandeza extremamente alta — avalia. — Há um enorme ponto de interrogação sobre a recuperação econômica, que é o cenário político. Temos a Lava-Jato e a reforma da Previdência pela frente.

RITMO COMEÇOU A CAIR EM ABRIL

O governo destacou o ritmo menor de perda de vagas. Segundo o comunicado divulgado pelo Ministério do Trabalho, a crise começou a perder fôlego em abril do ano passado, quando o país registrava o pico de 1,83 milhões de vagas fechadas num período de 12 meses.

“Mas esse número começou a cair mês a mês. No final do ano, a perda em 12 meses já estava menor em 503.615 postos”, diz o governo em nota. “Em dezembro, mês que historicamente apresenta forte aumento no número de demissões, a perda foi de 462.366 vagas, 22,4% menor do que no mesmo período de 2015, outro dado que mostra o arrefecimento na crise do emprego”.

O resultado do Caged foi interpretado de diferentes formas por centrais sindicais. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estima que este ano será tão ou mais difícil que 2016 para o emprego. Segundo o secretário nacional da CUT, Quintino Severo, cálculos elaborados pela central em parceria com o Dieese mostram que o nível de desemprego poderá saltar para 14% até o fim de 2017. A explicação para o pessimismo, diz, é a ausência de estímulos para o investimento.

— As indústrias e empresas estão com capacidade ociosa altíssima e não há estímulo do governo para investimento, portanto não há porque ter otimismo. Sem investimento, não tem emprego — resumiu, acrescentando que outro fator de pessimismo é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, que limita os gastos públicos: — Com a aprovação desta PEC, o Estado não vai mais estimular a economia.

O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, que também é presidente do Núcleo do PMDB Sindical Nacional e, portanto, mais alinhado ao atual governo, se diz otimista com a geração de emprego neste ano. Embora admita que o “cenário político é complexo”, ele considera que a redução da taxa de juros e a liberação dos saques das contas inativas do FGTS vão estimular a atividade econômica e, consequentemente, a geração de vagas:

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— O número de vagas fechadas em 2016 já foi menor que em 2015, o que mostra que estamos num processo de desaceleração no desemprego.

Todos os oito setores da economia apresentaram saldo negativo. Em cinco desses segmentos, o resultado de 2016 foi melhor do que o apurado em 2015. O destaque ficou por conta da indústria de transformação, que registrou saldo negativo de 322 mil vagas em 2016 — praticamente metade do número de vagas eliminadas no ano anterior, que chegou a 611 mil. Os setores de serviços, serviços industriais de utilidade pública e agropecuária tiveram no ano passado saldos piores que os de 2015.

Proporcionalmente, o setor mais prejudicado no ano passado foi o de construção civil. Em 2016, foram fechados 13,48% dos postos formais. Já na indústria extrativa mineral, a queda foi de 5,67%. Na indústria de transformação, a baixa foi de 4,23% e, na agropecuária, menor saldo proporcional, houve fechamento de 0,84% das vagas.

NO RIO, SALDO PIOR QUE EM 2015

Entre as unidades da federação, o Rio se destacou negativamente em 2016. Enquanto o Brasil viu o ritmo do desemprego desacelerar, o saldo negativo se ampliou no estado, em relação a 2015. No ano passado, as empresas fluminenses fecharam 237,3 mil vagas, mais que as 184,3 mil eliminadas no ano anterior. O saldo de 2016 corresponde a 17,95% do resultado nacional.

— O fim da Olimpíada gerou muitas demissões. Além disso, tem a crise do estado e a situação da Petrobras e do setor de óleo e gás — analisa Camargo, da Opus.

No ano passado, apenas um estado teve geração de vagas no período. Foi em Roraima que os postos com carteira assinada cresceram. O estoque de vagas passou de 51.662 em dezembro de 2015 para 51.746 em dezembro de 2016: alta de 0,16%. Já os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram os que menos sofreram. As perdas foram respectivamente: 0,22%, 1,6%, 1,63% e 2,09% em 2016, em relação ao ano anterior.

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