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Na Assembleia Geral da ONU, chefes de Estado de Israel e Palestina falam sobre conflito

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O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursando durante a 71ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU / Cia Pak

O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursando durante a 71ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU / Cia Pak

Em seu discurso na Assembleia Geral na quinta-feira (22), o presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, solicitou aos líderes mundiais reunidos na 71ª sessão que declarem 2017 como o “ano internacional para acabar com a ocupação israelense na Palestina”.

Ele pediu todos os esforços para pôr fim a décadas de injustiça imposta ao povo palestino, bem como para proporcionar uma oportunidade única à paz, à estabilidade e à coexistência na região.

Abbas declarou que “não há nenhuma maneira de derrotar o terrorismo e o extremismo, de alcançar a segurança e a estabilidade na região sem o fim da ocupação israelense na Palestina e sem garantir a liberdade e independência do povo palestino”.

“A nossa mão continua estendida para a paz”, continuou ele, questionando se há, em Israel, alguma liderança que deseja efetivamente alcançar uma verdadeira paz e abandonar a mentalidade da hegemonia, do expansionismo e da colonização – ou se “irá reconhecer os direitos do povo palestino e acabar com a injustiça histórica infligida sobre ele”.

O presidente disse que os Acordos de Oslo, de 1993, foram destinados ao fim da ocupação e a alcançar a independência do Estado da Palestina dentro de cinco anos, mas Israel os descumpriu e, atualmente, persiste com a ocupação e continua expandindo os empreendimentos dos assentamentos ilegais, que comprometem a realização da solução dos dois Estados com base nas fronteiras de 1967.

“Os assentamentos são ilegais em todos os aspectos e em qualquer manifestação”, disse ele, pedindo que os membros permanentes do Conselho de Segurança não vetem uma resolução sobre os assentamentos de Israel e o terror propagado pelos israelenses.

Abbas também destacou que Israel continua em suas tentativas de escapar de uma conferência internacional para a paz, proposta pela França, que recebeu o apoio da maioria dos países.

“Continuamos acreditando que tal conferência levará à criação de um mecanismo e um calendário definido para o fim da ocupação”, disse ele, pedindo apoio para a convocação desta reunião antes do final deste ano.

“Não há conflito entre nós e a religião judaica e seu povo”, disse Abbas, acrescentando que “o conflito é com a ocupação israelense em nossa terra”.

“Nós respeitamos a religião judaica e condenamos a catástrofe que se abateu sobre o povo judeu na Segunda Guerra Mundial na Europa, e vemos como um dos crimes mais hediondos cometidos contra a humanidade”, continuou.

Ele lembrou ainda que faz 100 anos desde a Declaração de Balfour, em que a Grã-Bretanha deu – sem qualquer direito, autoridade ou consentimento de ninguém – a terra da Palestina a outro povo, afirmando que isso pavimentou o caminho para a catástrofe (Nakba) do povo palestino e para as expropriações e deslocamento de suas terras.

Segundo Abbas, a Grã-Bretanha deve ter a sua responsabilidade “histórica, jurídica, política, material e moral para as consequências dessa declaração”, e pediu que as autoridades se desculpem com o povo palestino devido “às catástrofes, misérias e injustiças que criaram, e ajam para corrigir essa crise histórica e remediar as suas consequências, incluindo através do reconhecimento do Estado da Palestina”.

Conflito ‘nunca foi sobre assentamentos ou Estado palestino’, diz primeiro-ministro israelense

Tomando o pódio da Assembleia Geral logo após Abbas ter discursado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por sua vez, disse que o conflito entre Israel e Palestina nunca foi sobre assentamentos ou sobre o estabelecimento de um Estado palestino, declarando que “sempre foi sobre a existência de um Estado judeu […] em qualquer limite”.

“O Estado de Israel está pronto, eu estou pronto para negociar todos os status finais, mas uma coisa que eu nunca vou negociar é o direito a um único estado judeu”, disse ele, convidando o presidente palestino a falar com o povo de Israel no parlamento do país, o Knesset, em Jerusalém, e se oferecendo a falar com o Parlamento palestino em Ramallah.

Netanyahu ressaltou que “a questão dos assentamentos é uma realidade que pode e deve ser resolvida no âmbito das negociações sobre o estatuto definitivo”.

Além disso, disse que, quase 70 anos após o renascimento de Israel, os palestinos ainda se recusam a reconhecer os direitos israelenses – “o direito a uma pátria, a um Estado e a qualquer coisa”.

Segundo ele, este continua sendo o verdadeiro cerne do conflito – “a persistente recusa palestina a reconhecer o Estado judeu em qualquer limite”. Ele acrescentou: “O conflito não é sobre os assentamentos. Ele nunca foi”.

“Quando os palestinos finalmente disserem ‘sim’ a um Estado judeu, nós seremos capazes de acabar com este conflito de uma vez por todas. Veja bem, os palestinos não foram apenas presos no passado, seus líderes estão envenenando o futuro”, acrescentou, acusando-os de fazerem lavagem cerebral em seus filhos, com oficiais pedindo que os palestinos “cortem as gargantas de israelenses quando encontrá-los”, disse.

“Este conflito violento acontece porque, para os palestinos, os assentamentos reais estão em Haifa, Jaffa e Tel Aviv”, declarou ele.

“Abbas, você tem uma escolha a fazer. Você pode continuar a atiçar o ódio como você fez hoje ou você pode finalmente enfrentá-lo e trabalhar comigo para estabelecer a paz entre nossos dois povos.”

O primeiro-ministro de Israel também fez críticas às Nações Unidas e ao Conselho de Segurança.

“A ONU, que começou como uma força moral, tornou-se uma farsa moral”, declarou ele, citando que, no ano passado, a Assembleia Geral passou 20 resoluções contra Israel e apenas três contra todos os outros países.

“E o que dizer da piada do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Todos os anos condena Israel mais do que todos os outros países juntos”, acrescentou.


ONU Brasil



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