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Crédito farto para financiamentos de carros gera rombo de R$ 23 bilhões nos bancos

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No começo da década, o mundo estava mergulhado na pior crise econômica mundial desde 1929, mas o Brasil estava saindo pela lateral sem grandes danos, assim como poucos no mundo. Juros baixos, corte de impostos e crédito para os Bancos, impulsionavam a economia. No mercado automotivo, o País era o novo paraíso em meio ao caos financeiro, com grandes volumes emplacados e promessas de crescimento animadoras.

Nesse ambiente, o crédito para financiamento de automóveis não poderia ser menor. O montante disponível era tal que a grande maioria dos contratos eram aprovados sem muitas delongas. Entre os anos de 2010 e 2011, antes mesmo do boom de 2012 e 2013, o mercado automotivo nadava em crédito fácil.

Sem entrada e planos de até 100 parcelas, o automóvel passou a ser considerado por milhares de pessoas que antes não tinham acesso nem ao carro usado. Praticamente qualquer pessoa, até sem histórico bancário, podia sair de carro 0 km, impulsionados por publicidade e IPI reduzido. Os vendedores faziam a festa, pois perder clientes era bem difícil. Afinal, sem entrada, primeira para meses depois e planos de até oito anos, praticamente era irrecusável para a grande maioria.

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Mas, a conta dessa festança toda não fechou. Pelo menos para os bancos. De acordo com relatório emitido pelo Banco Central, as instituições financeiras amargaram um prejuízo de nada menos que R$ 22,8 bilhões, montante que os bancos já desistiram de cobrar dos clientes inadimplentes. No total, R$ 38,1 bilhões não voltaram aos caixas das financeiras. Todo esse valor é referente apenas ao financiamento de veículos, mas os bancos ainda brigam para conseguir receber pelo menos R$ 15,3 bilhões.

Na época, o volume de dinheiro para financiamento de veículo era recorde. Em 2010 foi de R$ 105,3 bilhões e no ano seguinte, mais R$ 102,5 bilhões foram concedidos para facilitar a compra do carro novo. O cálculo feito com esses valores chega a R$ 3.339,66 aprovados por segundo naquela época. Foi uma verdadeira festa do crédito fácil e o pior, os bancos sabiam dos riscos.

Luiz Montenegro, presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, diz: “Tudo o que se fabricou, vendeu. Com a chegada dos novos consumidores, motivados pela emoção e que não tinham experiência com financiamentos, é óbvio que se esperava um aumento da inadimplência”. Porém, a pujança era tanta que todo mundo decidiu fazer vistas grossas diante do potencial problema que estava sendo gerado.

O primeiro sinal de alerta surgiu em abril de 2011, quando 34% dos contratos acima de 60 meses apresentam problemas. O volume era absurdamente alto se compararmos com os dias atuais. Em todo o ano de 2017, apenas 1% dos contratos foram negativos em algum ponto ante 4,6% de 2016. Então, pode-se notar que se em apenas um mês a coisa desandou para 1/3 dos empréstimos, imagina então o que veio depois.

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Por conta disso, o BC exigiu redução nos prazos e entrada para financiamento de veículos, a fim de conter o avanço da inadimplência, mas aí já era tarde. A origem do problema todo era o incentivo do governo ao consumo, que fez a roda da economia girar mais rápido do que devia. Com consumo e crédito fartos, o endividamento geral foi facilitado, visto que as operações não eram sustentáveis. Muita gente que não tinha renda para comprar, comprou se apoiando no impulso federal.

Para conter isso, apenas a inadimplência elevada que forçou uma tomada de atitude do governo, que segurou as rédeas da economia, cortando todo tipo de incentivo que estimulava o consumo desenfreado. Ou seja, acabaram-se carros sem entrada e com prazos de 84 ou 100 meses.

Hoje, os bancos reconhecem o exagero na época, mas dizem que os prejuízos saíram dos balanços e o mercado voltou a operar na normalidade, embora ainda existam muitos contratos feitos no começo da década que estão com pendência. Para todos, a lição foi aprendida: não se apoiar mais em incentivos absurdos quando se sabe que a conta não será paga pelo consumidor.

[Fonte: A Tarde]

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