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Preconceito ideológico e corporativo

Há anos que se fala na possibilidade de as farmácias comunitárias passarem a dispensar aos Doentes medicamentos, caros, até agora de distribuição exclusiva em hospitais. Mas todas as tentativas têm falhado e caído na gaveta dos projectos eternamente adiados.

Agora sai à liça novo ensaio: «Algumas farmácias comunitárias vão começar já em 2016 a vender medicamentos oncológicos e para o VIH, atualmente só disponíveis em farmácias hospitalares, com vista a facilitar o acesso dos doentes e garantir adesão às terapêuticas.»

Ora, 1) não há nenhuma razão técnica para esse acto farmacêutico não seja realizado pelas farmácias comunitárias; 2) nem há nenhum indicador de qualidade que comprove a superioridade do serviço nos hospitais - mas há o contrário, como níveis de satisfação dos utentes ou reclamações e basta entrar a esta hora numa farmácia de um grande hospital para ver como são atendidos os doentes e em que condições; 3) muito menos há evidências que garantam que esse serviço no sector privado seja mais caro que no público, primeiro porque não sabemos ainda como esse serviço será pago às farmácias comunitárias e segundo porque não há uma contabilidade analítica suficientemente fiável para fazer uma mínima ideia do que ele custa no público.
Apenas há preconceito, ideológico e corporativo.

Diz-se que doente deve estar no centro do sistema e este não deve ser hospitalocêntrico, mas depois consideram o doente como inimputável e incapaz de livre arbítrio, obrigando-o a deslocações de quilómetros, a esperas de horas para lhes ser entregue de modo mais ou menos automático um saco com remédios.
Definam requisitos do serviço - como profissionais qualificados, tempos de atendimento, características técnicas do serviço, instalações, equipamentos e outras exigências de qualidade -, definam preços, rigorosos e bem calculados, para a prestação do serviço e veremos o que escolhem os doentes. Mas a livre concorrência incomoda sempre e raramente funciona em Portugal...



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