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Guzzo: "Salvem a ciência" e a RESPOSTA DO EDITOR.

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J. R. Guzzo:

Há diversas guerras sendo travadas ao mesmo tempo no Brasil de Hoje – tantas, na verdade, que o indivíduo precisa prestar um bocado de atenção para não confundir uma com outra e acabar tomando partido a favor de algo que é contra, ou ficando contra algo de que é a favor. Temos neste momento guerras contra e a favor do governo, contra e a favor da Operação Lava Jato, contra e a favor da comida orgânica e por aí afora, numa irada paleta de conflitos que vão do zero ao infinito, e dali seguem em frente. Uma das mais perversas que se pode encontrar hoje é a guerra contra a ciência. Não é coisa só brasileira, infelizmente – o que aumenta em 50 tons, ou sabe Deus quantos, o tamanho da complicação. É certo, em todo caso, que qualquer cidadão consciente deveria estar na linha de frente neste combate – pois o ataque à ciência, sejam quais forem as suas formas, é um dos mais conhecidos atalhos para o ataque às liberdades individuais. Ir contra os preceitos científicos, e em consequência contra o conhecimento obtido pelo homem com base na observação dos fatos, é ir contra um dos direitos humanos mais básicos e evidentes por si mesmos: o direito que as pessoas têm de pensar livremente, e chegar às conclusões que a sua razão recomenda. O contrário disso é obedecer a aquilo em que os mais fortes, ou a maioria, querem que você acredite. Em suma: sem o respeito à ciência não pode haver democracia.

Parece bem simples, e realmente é simples – mas está dado um trabalho danado, nos dias em que vivemos, explicar a coisa às organizações e pessoas que têm opiniões diferentes das suas. Cada vez mais, a regra vigente parece ser: ou você concorda, ou você está errado. Quando o Estado age com base em tal princípio, e impõe seu ponto de vista porque tem a força, chamamos a isso de despotismo. Quando são às pessoas à sua volta que agem assim, a proibição ao ato de pensar se transforma em “causa”. É o que estamos vendo hoje em dia. E se a lógica, ou os fatos, estiverem do seu lado? Danem-se a lógica e os fatos. Nas regiões escuras da mente de onde sai essa visão do mundo, o que importa não é a busca da verdade, e nem a liberdade que só ela pode dar ao homem – o que interessa é a “virtude”, e virtude é tudo aquilo que os defensores das “causas” dizem hoje que é virtude. A observação da realidade, nesse universo, importa cada vez menos. Vivemos um momento riquíssimo em opiniões automáticas e desinformadas. É o que há, em matéria de escuridão.

Por conta disso, o Brasil e o mundo assistem no momento ao rápido crescimento de uma Disneylândia mental onde é proibida a entrada de fatos. Voltou-se a sustentar que a Terra é plana, e há cada vez mais gente exigindo novas provas de que a Terra gira em volta do sol. As ideias “criacionistas” alegam, com apoio crescente, que o homem, o mundo e o universo são o resultado da ação de algum agente sobrenatural – e não da transformação da matéria e da evolução das espécies. O presidente francês Emmanuel Macron insiste que a Amazônia “está em chamas” e diz que tem no bolso, inclusive, um plano para resolver o problema. A biologia não existe mais como fator relevante na determinação do sexo, ou “do gênero”, dos seres humanos. Hospitais exigem que os seus pacientes assinem declarações atestando qual a religião que seguem, para se livrarem de possíveis processos na justiça pela aplicação de transfusões de sangue e outros procedimentos da medicina. Aumenta, a partir dos Estados Unidos, o número de gente que se opõe à vacinação. É cada vez mais espalhada a crença de que os animais têm “alma”, ou que os vegetais, e até as pedras, são capazes de sentimentos. Autoridades tentam impor censura à manifestação de pontos de vista que porventura se choquem com suas convicções.

A verdade é que o mundo de hoje tem cada vez mais gente acostumada a anunciar a verdade do que a verificar se essas suas verdades são realmente verdadeiras – ou seja, se têm apoio real na ciência, na lógica, no conhecimento acumulado nos últimos 10.000 anos pela humanidade ou no simples bom senso. Há, cada vez mais, uma notável impaciência, irritação ou puro e simples ódio diante dos fatos, quando eles não combinam com a opinião ou os desejos que lhe querem impor. A guerra contra a ciência, historicamente, sempre foi coisa da Igreja Católica, que considerava qualquer avanço no conhecimento humano uma ameaça direta ao seu controle sobre “a verdade” – e até a pouco mais de 300 anos atrás mandava para a fogueira quem dissesse que a Terra se movia sobre si mesma e em torno do Sol. O grande fundamento para essa tirania sobre as ideias era a ignorância em massa do povo, suas superstições milenares e a proibição de publicar a Bíblia em outra língua que não fosse o latim – para que ninguém entendesse nada do que estava escrito ali e não começasse a fazer perguntas incômodas. Hoje a coisa mudou de patamar.

Combatem a ciência, em nossa era, os espécimes mais diversos: magnata com jatinho, doutor em ciência social ou executivo liberal, moderno e descolado, que se imagina mais inteligente por ter deixado de usar gravata e aprendido a dizer palavras como “sustentabilidade”, etc. Políticos de todos os naipes estão entre os grandes generais desse exército das trevas – à esquerda e à direita, no centro, no centrão e no centrinho. Mais que tudo, a atual resistência ao conhecimento científico parece ter suas principais bases de operação dentro das universidades, onde é proibido estudar, pesquisar ou sequer indagar qualquer coisa que incomode a fé política dos professores, diretores, reitores. Todos eles trabalham com crenças, e não com realidades.

“Salvem as baleias”, dizem a você quase todo dia. Muito justo. Mas bem que alguém poderia começar a dizer: “Salvem a ciência”.

COMENTÁRIO DO EDITOR DO ATAQUE ABERTO:

Em toda minha vida estudando História, Filosofia e Ciência Política...acompanhando a Imprensa Brasileira, eu não me lembro, até hoje, de ter lido algo tão grave, algo que possa fazer tanto mal e ser tão nocivo à ideia de um "Renascimento do Pensamento Brasileiro" quanto isso que J.R. Guzzo escreveu.

Seria necessário que eu escrevesse um livro inteiro sobre este horror, sobre esta verdadeira Tragédia provocada pelo texto de Guzzo. Em uma página, ele conseguiu desmontar, destruir TUDO que Eric Voegelin, Leo Strauss, Mário Ferreira dos Santos e Olavo de Carvalho tentaram transmitir à Humanidade e ao Brasil.

Guzzo construiu uma "Oração", um "Templo" ao Fanatismo científico. Fez uma "Ode ao Positivismo" que deve ter feito Augusto Comte ejacular de prazer no seu Túmulo.

Guzzo fez a Apologia da "Ciência Imparcial", da "Ciência como Sinônimo da Verdade Absoluta"! Max Weber deve estar batendo palmas no túmulo! Juremir Machado da Silva vai traduzir este horror que Guzzo escreveu para língua francesa e enviar para o Jornal Lè Dèfècation. Reinaldo Azevedo vai finalmente provar que "a Lava Jato não é científica"!!!

Guzzo conseguiu DESTRUIR dois mil anos do legado Filosófico do Mundo Ocidental. Liquidou com a própria Teoria do Conhecimento dando a entender que "fora da Ciência não há Salvação".  Chegou, num paroxismo, num surto psicótico, a dizer que "sem Ciência não Existe Democracia" - provavelmente ele deve acreditar que havia CNPQ na Grécia e que Sócrates se preocupava com o "Aquecimento Global"!!

Ele deve pensar, além disso, que os membros da SS, que todos os médicos e oficiais nazistas não passavam de feiticeiros primitivos e analfabetos, e que não havia "ciência alguma naquilo que foi feito durante o Terceiro Reich, na União Soviética e na Unidade 731 do Exército Japonês na Mandchúria".

Se Olavo de Carvalho, esse aluno de Jair Bolsonaro, não houvesse se transformado num "Retardo-Brilhante", num "Gênio-Imbecil", ele deixaria de acusar os Generais do Vôlei de Praia de serem "comunistas" e, HOJE MESMO, responderia a este horror, a esta barbaridade que Guzzo escreveu.

Olavo é um canalha que não tem tempo para ler J.R.Guzzo nem "médicos malucos" do Rio Grande do Sul.

Fica aqui o meu próprio comentário ao texto de Guzzo - ninguém precisa "salvar ciência alguma, rapaz", nós é que precisamos ser salvos da crueldade, da falta de caridade e de amor ao próximo que existe em 99% dos cientistas do "Mundo Ocidental" - eles são a alegria de todo político e de todo jornalista contemporâneos!

Milton Pires





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