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O Círculo de Confiança Nuclear: Irão, Síria, Paquistão, Coreia do Norte e China


A guerra na Síria poderá ser ainda mais importante do que inicialmente se pensara. Ainda que eu mantenha que presentemente não há alternativa a Bashar al-Assad, também admito que após se encontrar um candidato viável ele terá que deixar o poder. A Síria está ligada ao Irão, o Irão está ligado ao Paquistão e à Coreia do Norte (CN) que estão intimamente ligados à China – a Rússia está ligado a todos. Este círculo representa um enorme problema de segurança internacional.

O Programa Nuclear Sírio

Em 2007, Israel fez explodir o reactor nuclear, na Síria, que era uma réplica de uma estação nuclear Norte Coreana. A Existência de tal estação indicava que a Coreia do Norte andava a ajudar a Síria a desenvolver o seu programa nuclear. Contudo, as ambições sírias foram derrotadas, ainda que temporariamente. Em 2013, surgiram provas de que al-Assad ainda estava a desenvolver armas nucleares numa localização subterrânea, em Marj as-Sultan – nesta altura, a guerra civil síria ainda estava na sua infância.
The facility, located not far from a Syrian army base, had become the focal point of heavy fighting with rebels. Government troops had to quickly move everything of value. They did so, as intelligence officials have been able to reconstruct, with the help of Hezbollah, the radical Shiite "Party of God" based in Lebanon. The well-armed militia, which is largely financed by Iran, is fighting alongside Assad's troops. - Der Spiegel

No dia 30 de Setembro de 2015, a Rússia entrou oficialmente na guerra civil síria com a explicação de que a sua intenção era “lutar e destruir militantes e terroristas nos territórios que eles já ocupam, não esperar que eles venham para o nosso lado” mas e se Moscovo se envolveu no conflito para proteger alvos nucleares e armazéns de arsenais vitais? Pelo que ouvimos, a Rússia também tinha armas químicas armazenadas na Síria, da mesma maneira que o Saddam escondeu as suas ali. Quais destas armas foram entregues em 2013, para cumprir aquele famoso acordo assinado entre o Presidente Obama e o Presidente al-Assad, mediado pelo Kremlin – acordo esse que trouxe a Rússia de volta à ribalta?

As armas químicas foram alegadamente removidas mas as nucleares ficaram para trás; e suspeitámos que essa tenha sido uma das razões pelas quais a Rússia se uniu a Damasco na luta contra o ISIS e rebeldes – jamais poderiam eles ter acesso a essas armas.

O Programa Nuclear Iraniano

O Irão tem estado a enganar o mundo desde os anos 80, do século passado, no que toca às ambições nucleares; e nem sequer as sucessivas sanções preveniram os Ayatollahs de tentar obter armas nucleares, muito devido à expansão dos negócios do Hezbollah em África e na América Latina – onde adquiriram recursos naturais para a produção de armas nucleares e donde auferem um rendimento suficientemente alto de forma a garantir a sobrevivência do Regime Revolucionário.

Em 2015, o Irão e o P5+1 assinaram o JCPA, conhecido como o Acordo do Irão, que marcou o fim das sanções e o fortalecimento do Irão, que apoia Bashar al-Assad (o mesmo líder que o P4+1 está a tentar remover do poder). Aumentar os rendimentos do regime iraniano é o mesmo que assegurar a permanência de al-Assad no poder, enquanto o Irão assim o quiser.

O programa Nuclear do Paquistão e da Coreia do Norte

Há mais de uma década, Israel ficou a saber que a Coreia do Norte estava a trabalhar para a Síria ao desenvolver o programa nuclear desta. Isto diz-nos que não só é a Coreia do Norte o laboratório de testes do Irão como também serve todos os amigos do Ayatollah. Foi assim que os regimes Kim sobreviveram a sucessivas sanções. Os Norte Coreanos trabalham com o Paquistão (de modo a que este mantenha as suas operações longe dos olhos da Índia), trabalham com o Irão (para que este mantenha o avanço do seu programa nuclear fora do radar da ONU), trabalharam com a Síria (relação essa que foi descoberta quando dignatários Norte Coreanos [ligados à entrega de armas avançadas] foram convidados para a tomada de posse de al-Assad, em 2001); e trabalharam para com a China (ainda que agora aparentem estar de candeias às avessas por causa dos testes nucleares norte coreanos; poder-se-á inferir que esta tensão seja somente aparente por expediência política).

Se a China deveras protege a Coreia do Norte, isto significa que a China está indirectamente – se não directamente – a ajudar a desenvolver todos os mencionados programas nucleares. A China é cúmplice. E como o Dragão Vermelho está aumentar o seu poderia militar a alta velocidade, deve-se presumir que a “cooperação” esteja a produzir frutos interessantes à indústria militar chinesa também. A China é um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

É também sobejamente sabido que a China se juntou à Rússia na Síria – será que o Dragão Vermelho fê-lo porque quer apoiar al-Assad ou porque quer proteger um projecto nuclear, no qual investiu?

A Guerra na Síria...

Trata-se afinal de uma guerra para mudar o regime ou de um conflito para proteger estações nucleares, armas químicas/nucleares ou tudo isto? Por um lado temos a maiores potências do mundo a lutarem para impedir que estas armas valiosas, perigosas, caiam nas mãos erradas; e por outro lado temos rebeldes e grupos terroristas a lutarem para colocarem as suas mãos nesse material...Israel faz bem em levar a cabo ataques de prevenção.


(Imagem [Ed.]: Teste iraniano de Míssil - United With Israel)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]


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