Get Even More Visitors To Your Blog, Upgrade To A Business Listing >>

A pesca (retextualização de "A pesca", de Affonso Romano de Sant´Anna)

É tarde. Devem ser catorze horas. O Sol corre na sua curva descendente. O homem, de feições duras e tristes, solitário, permanece estático, os olhos perdidos no azul da água, os lábios retorcidos, paciente. No que pensará ele?
Ao seu lado, firme na areia, uma vara tão fria quanto ele, tão resoluta, decidida - ao mesmo tempo, tão sem vida. Vida - esse sopro que anima, que exalta e pulula dentro das gentes.
O anzol é igual. Fechado, quieto, introspetivo. A agulha, cinza, elegante, altiva. O que quererão eles?
A água marulha, leve, suave, divina. Espuma. O tempo é resumido, estático, congelado. O dia, perfeito. O silêncio, absoluto, total, inquebrável. Mas, de Repente, o puxão, o arranco, o rasgo. De repente, acelerado, sôfrego, aterrorizado, coração bate e não bate... De repente, o outro mundo, o contato, o segundo, a morte. De repente, "pela boca morre o peixe". Agora entendo. E é tarde.






This post first appeared on R.B. Côvo, please read the originial post: here

Share the post

A pesca (retextualização de "A pesca", de Affonso Romano de Sant´Anna)

×

Subscribe to R.b. Côvo

Get updates delivered right to your inbox!

Thank you for your subscription

×