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Rotos rótulos

(Imagem: Pinterest) 

Pacificar é a palavra de ordem. Esfriar os ânimos. Dar aos outros um pouco da tolerância que se reclama para si próprio. Da tolerância, da paciência e da oportunidade. Punhos erguidos, beicinhos e lágrimas, se unidos a algum talento, podem até virar uma forma fugaz de arte. E só.

Nossos dias foram sempre predominantemente regados de injustiça. Somos muito bons em torcer fatos, dissimular vícios e fraquezas, manipular e explorar fracos e pobres. Receber o dinheiro de duas passageiras, com duas crianças, que desceram pela porta da frente do ônibus, e não girar a roleta, já levou um cobrador à prisão por apropriação indébita. O fato aconteceu em São Paulo e rendeu modesta matéria em jornal.

Desnecessário recordar o clamor por justiça no Brasil destes tempos. Por justiça só, não: por compaixão também. A história certamente não voltará a registrar tão cedo outra roubalheira do dinheiro público, e suas humilhantes consequências para a nação, como a que têm revelado as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

O escritor Ignácio de Loyola Brandão escreveu certa vez que se sentia cansado da necessidade que todos têm de aparecer, "ser famosos, conhecidos, para poder fazer dinheiro com essa fama, às vezes inócua, insípida, baseada no talento zero". Esse é o “cansaço” que parece predominar numa sociedade onde tudo se banaliza, a começar pela vida.

Já relatei por aqui o drama de um humorista berbere que, não raro, chorava antes de seus espetáculos, lembrando-se das vítimas das chacinas na Argélia. "Dou risadas para não me suicidar", confessava. O riso também já levou à criação de clubes na Índia, onde os sócios se reuniam para gargalhar, à força, durante 20 minutos diários. "Ninguém ri neste país", dizia uma assistente e sócia de um dos clubes à época. "Nós vemos muita miséria aqui, e se eu inicio meu dia com risadas, toda minha perspectiva muda".

Como o humor profissional de qualidade anda sumido, e o de alguns discursos e declarações só antecipam lágrimas e revolta, rir à força todos os dias pode ser o começo de soluções para o ambiente nacional. De preferência, sem patrocínios e sem os rotos rótulos da mídia.

Afinal, assim como comer e coçar, para rir é só começar.


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