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Apaixonar-se para trair-se: uma via para o desejo

Psicanalistas repetem que amar é dar algo que não sabemos exatamente se temos, endereçado a alguém que não queremos totalmente, apenas parcialmente, apenas um pedaço. Somos capturados por uma parte da fala, do sorriso, do jeito de andar, do balançar da voz, do palpitar.

Apaixonar-se para trair-se: uma via para o desejo

Ocorre que amar pode ser isso tudo mesmo. Amar pode ser enviar uma correspondência com frases soltas de Seus sentimentos para alguém que você considere que compreenderá.

O amar está situado no campo da curiosidade, do jogo de lançar e laçar aquilo que do outro encontre pertencimento em você, em nós!

Mas nem tudo são amores. O amor pode manifestar sua outra face, a de se confundir com aspectos de generosidade, fraternidade e igualdade. Quase um grito de (in) dependência: Liberté, Égalité, Fraternité.

Quando o litoral é habitado pela confortabilidade, cada vez mais diminuem suas chances de se desejar algo ou alguém. Isso porque só há tensão no encontro do instrumento com a mão de quem deseja tocar. Se a música for aos cantos de sinônimos e repetições ecolálicas, ela será inaudita e inalcançável, totalmente muda em sua surdez de se movimentar e reconhecer seus próprios sons nos passos.

Nesse caso resta apenas apaixonar-se.

A paixão carrega um pulso, uma pulsação que alavanca várias conexões que antes estariam adormecidas. Nesse estado não precisa pedir licença para seu senso moralístico, até porque eticamente falando, devemos ir em direção ao nosso desejo, àquilo que nos faz vibrar. Nenhum jogo de moral nisso tudo.

A paixão derruba uma cela de consciências e nos permite traduzir ao nosso próprio modo as histórias que vivemos a cada segundo. Pequenas histórias essas que ao traduzirmos, traímos a nós mesmo. Toda tradução é uma traição, uma versão do verso pelo avesso do desejo.

Agora, nessa invasão de pulso e impulsos é que podemos voltar a desejar. Apaixonar-se para Trair-se, atraindo sujeitos vorazes em descobrir o que há depois do buraco da fechadura.

Na paixão, ao trair, é preciso buscar quem dessas duas irá segurar o terceiro da relação. Nesse caso sempre haverá uma traição ao apaixonar-se e nem precisa falar de traição entre homem e mulher. Antes disso é preciso trair suas próprias tiranias, seus costumes descabidos, suas incursões absolutamente calculadas, Seus Sentimentos inalterados.


Por Caio Reis – Psicanalista, membro da Associação de Psicanálise da Bahia – CRP 03/12266

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