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Brasil Heavy Metal, um documentário que pretende mostrar um outro lado dos anos 80

Brasil Heavy MetalNo Brasil tudo começou com o que se dava para ouvir, pois todas as músicas vinham ainda de maneira praticamente clandestina, naqueles LPs de fora sabe-se lá como e custando os olhos da cara – e, obviamente, nas fitas cassete que circulavam furiosamente entre os fãs, espalhando aquele som de mão em mão e de ouvido em ouvido. Mas na Inglaterra, nos Estados Unidos, um tipo de música rápida e pesada andava circulando, um som até violento. E os brasileiros queriam saber o que era o tal do Heavy Metal.

A semente foi plantada em 1982, quando os paraenses do Stress gravaram seu disco inicial auto-intitulado, esse foi o primeiro disco de heavy Metal a ser lançado no país. Mas eis que, em 1985, um tal de Roberto Medina inventou um festival chamado Rock in Rio e, enfim, colocou o Brasil, aquele enorme país sul-americano que as bandas gringas praticamente fingiam que não existia, no circuito de shows internacionais. Iron Maiden, Whitesnake, Scorpions, AC/DC, Ozzy Osbourne; todos aqueles caras dos quais os fãs só tinham ouvido falar, finalmente iriam aparecer por aqui.

Foi o boom do heavy metal no nosso país, e nesse tempo a Globo batizou esta grupos de amantes do gênero de metaleiros, um termo que muito fã do estilo até hoje detesta.

É a década de 1980, também chamados de “anos de ouro”, o principal foco do documentário Brasil Heavy Metal, dirigido por Ricardo Michaelis, que está em plena campanha de financiamento coletivo mas que já emocionou um bando de malucos saudosistas com um trailer repleto de nomes consagrados contando um pouco de suas histórias. Tanto é que, em aproximadamente 20 dias, eles atingiram mais de 40% da meta – bastante ambiciosa – de R$ 80.000.

“A ideia surgiu em 2008, quando eu estava procurando informações sobre a história do metal brasileiro nos anos 80 e percebi que não havia nada muito consolidado”, conta Ricardo, em entrevista. O cineasta, há anos no mercado de audiovisual, pode falar sobre o assunto com autoridade – afinal, ele também é conhecido como Micka, guitarrista e fundador da banda Santuário, participante da lendária coletânea SP Metal II, disco que ajudou a popularizar o metal cantado em português.

No total, Ricardo entrevistou aproximadamente 80 personagens entre músicos, jornalistas, lojistas, produtores, técnicos de som e empresários, para tentar cobrir todos os pontos de vista. Nomes como Iggor Cavalera (Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura), Andreas Kisser (Sepultura), Carlos Lopes (Dorsal Atlântica), Syang (Detrito Federal, P.U.S.), Charles Gavin (Titãs), Arnaldo Baptista (Mutantes), João Gordo (Ratos de Porão), Marcello Pompeu e Dick Siebert (Korzus), Andre Matos (ex-Viper, Angra), Robertinho do Recife, Ricardo Batalha (Roadie Crew), Antonio Pirani (Rock Brigade), além do próprio Roberto Medina – entre muitos outros.

A grande maioria das imagens de shows e coisas assim foram fornecidas pelos próprios entrevistados e também por fãs que enviaram itens de seus arquivos pessoais. “É muito difícil encontrar imagens, principalmente vídeos, pois ninguém tinha câmeras na época e raramente estávamos na TV”, conta ele. “As imagens de TV das poucas bandas que participaram de programas nas emissoras são caríssimas”. Além de registros exclusivos e, em alguns casos, totalmente inéditos, o Brasil Heavy Metal traz uma diferença fundamental com relação ao trabalho de Sam Dunn, dos filmes A Headbanger’s Journey e Global Metal, com quem é inevitável fazer uma comparação: a dramaturgia no meio.

“A narrativa e formato são diferentes, pois temos a dramaturgia e ainda somos todos baseados em um único período, sem captações de shows e momentos atuais”, explica Ricardo. Essencialmente, as entrevistas e registros históricos de Brasil Heavy Metal são usados para permear a história de dois personagens fictícios, Bruno (Luiz Marchioro) e Julio (Hesley Borragini), uma dupla de moleques que começam a ouvir metal naquele período, entre 1980 e 1989, passando por todos os perrengues que você imagina que possam ter passado quando, finalmente, decidem que querem formar a sua própria banda. Tudo, claro, inspirado em uma porrada de histórias reais.

Além do aspecto musical, a trama vai abordar também as facetas sociais e políticas – porque a explosão do metal por aqui começou a rolar em pleno momento de ditadura militar, com repressão e músicas sendo submetidas à aprovação da censura. Tudo aquilo que a gente sabe bem.

Como era de se esperar se tratando de um documentário com foco em música e dirigido por um músico, Brasil Heavy Metal também tem a sua música-tema composta por Roosevelt Bala, vocalista do Stress. Para celebrar a canção, nada menos do que 16 vocalistas foram chamados para cantar juntos em um clipe especial. Além disso, bandas brasileiras formadas na década de 1980 foram convidadas para gravar uma música inédita exclusivamente para um CD que vai sair junto com o filme – sendo que algumas delas estarão com suas formações originais: Centúrias, Salário Mínimo, Patrulha do Espaço, Harppia, Vulcano, Metalmorphose, Taurus, Vírus…

Produzido sem nenhum investimento de patrocinadores e leis de incentivo, Brasil Heavy Metal deve sair diretamente em DVD – mas uma das recompensas para apoiadores é justamente a possibilidade da realização de uma sessão especial em uma sala de cinema, com direito a bate-papo com o diretor e tudo, em circuito de cidades ainda a definir, dependendo da quantidade mínima de 80 fãs interessados por localidade.

“Era um período de descobertas e tudo foi acontecendo muito naturalmente”, conta Ricardo. “Todos sabiam que um precisava ajudar o outro para toda a cena se fortalecer”. Mas, no fim, qual é a grande diferença da cena do metal nacional para outros cenários metálicos que surgiram no mundo, na mesma época? “Nenhuma diferença muito especial, a não ser o fato de estarmos descobrindo a partir do que estava acontecendo principalmente na Inglaterra”, aposta ele. “Mas a energia, anseios e desejos eram os mesmos pois ter cabelo comprido, usar jaquetas de couro e jeans rasgado estava acontecendo igualmente em todas as partes do mundo”.

“Eu nem sei explicar o quanto era legal ser fã de metal naquela época”, diz Pompeu, do Korzus, em trecho do filme. Bom, quem sabe a gente consiga explicar com mais riqueza de detalhes para quem não viveu esta época, não é mesmo?



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