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Como funciona a bilheteria de um filme?

Hoje não é nada difícil ver mensalmente uma notícia de que um filme gerou tantos milhões de dólares e bateu records X e Y. Sempre que vemos uma notícia sobre isso pensamos primeiramente que filmes rendem muito dinheiro, mas depois sempre vem a dúvida “nenhuma empresa se baseia apenas no valor de custo de produção MENOS o valor arrecadado com vendas”.

Nenhuma empresa funciona assim dessa forma simplista, porque uma indústria tão complexa como a dos cinemas funcionaria? Então, resolvemos compilar algumas informações nessa matéria que podem ajudar a esclarecer um pouco do básico do processo financeiro de um filme, ou como funciona a bilheteria de um filme, desde sua criação até sua arrecadação e consequente lucro ou prejuízo.

Mas não se preocupem, a matéria não vai ser tão longa assim, vai ter ilustração e nada de matemática… pelo menos não muita!

No Estúdio

Uma das primeiras coisas a se definir, para então tentar… definir como funciona o faturamento de um filme é imaginar como esse filme foi feito. Primeiro teremos que falar o óbvio, cada Caso é um caso, independente do valor do filme, diversos contratos implicam em diversos caminhos e subterfúgios que o estúdio usa para alcançar o lucro. Ainda assim vamos imaginar uma situação comum, com uma parceria intricada e borrada entre estúdio e distribuidor, como acontece com filmes da Warner, Disney ou Fox, por exemplo.

Antes, vamos tentar explicar de forma bem simples como funciona esse esquema > Estúdio > Distribuidor > Cinema.

Para começar, você gosta de queijo? Porque vamos imaginar que o Estúdio é uma fazenda e que o filme é o Queijo, nesse caso, todo o trabalho de produção do queijo, que eu tenho certeza que você sabe mais ou menos como é, acontece lá. Mas nós não compramos queijo na fazenda, pelo menos não todos nós, a grade maioria da raça humana tem o habito de comprar queijo em grandes Super-Mercados e Lojas Especializadas em bairros mais elitistas. Para fins de lógica na comparação o Mercado é o Cinema, é lá onde compramos o queijo/filme.

Até aí tudo certo, não é? Mas quem vendeu o queijo/filme ao mercado/cinema? Com certeza não foi a fazenda/estúdio que está muito ocupada para vender o seu queijo para todos os mercados do mundo, afinal eles tem que fazer mais queijo… ou manteiga, sei lá.

Existe um distribuidor que serve unicamente para isso, comprar o queijo e vender aos mercados, embora muitas vezes as fazendas ficam tão grandes que esse distribuidor é apenas um braço dela e isso borra todo um conceito financeiro estabelecido. Além disso, as comparações terminam daí, mas não me faz deixar de pensar que se os filmes são Queijo, a produção pode ser o leite… então o que são os Atores e Atrizes?

Existem casos em que simplesmente um filme é feito por um estúdio, custando 40 milhões, por exemplo, e um distribuidor compra dele por 50 milhões ou por um valor menor e mais um percentual pequeno da venda de ingressos, ficando até mesmo com o custo de Marketing. Assim o estúdio tem lucro, basicamente independente do que o filme renda ou não.

Contudo, vamos falar de um caso mais comum hoje, que é quando Estúdio e Distribuidor são dois braços de uma mesma empresa. Esse caso é comum e explica a visão errada que temos de orçamento do filme ser o quanto o filme gastou. Por mais que seja absurdo imaginar que um filme de 2 horas as vezes custe 200 milhões de dólares para ser feito, temos que pensar que por aí há pelo menos mais uns 100 milhões gastos pelo distribuidor só com marketing para o filme e sempre que fazemos listas de filmes lucrativos, esquecemos dessa parte.

Eu explico também, que por um certo ângulo é justo esquecermos dessa parte, não para dizer se houve lucro ou não, mas para dizer se um filme foi bem sucedido, ao ponto de que o famoso ponto de equilíbrio ou Break Even de orçamento foi atingido. Se houve um prejuízo quando somamos o custo de marketing, a culpa tecnicamente não foi do estúdio ou do filme e sim do marketing que foi mal feito. Nunca é uma ciência exata, mas é fácil imaginar que estúdio e distribuidora devam apontar o dedo uma para as outras quando um caso desse ocorre.

Enfim, definimos isso, então vamos dar uma revisada rápida no processo todo.

Alguém escreve um roteiro, um produtor aprova o roteiro, ele transforma o roteiro em orçamento, digamos que é um filme de médio porte e o orçamento é por volta de 100 milhões de dólares. Gastam esses 100 milhões, contratam atores e equipe, luz-câmera-ação, os 100 milhões viram 2 horas de filme, a distribuidora então faz um orçamento de Marketing, digamos 50 milhões, porque apesar de novamente, cada caso ser um caso, em filmes normais esse custo gera em torno de 50% do custo do filme.

Existem casos, como o de comédias românticas que custam tão pouco, uns 20 milhões pelo menos, que tem um custo de marketing superior ao de orçamento, algo que nesse exemplo poderia beirar aos 30 milhões.

Depois desse custo definido as distribuidores gastam com veículos de comunicação e outros, o Q Stage, por exemplo, é um bom veiculo que alguma distribuidora poderia anunciar… a TV é outro, você vê muito comerciais de TV com mini trailers de filmes por aí, o próprio youtube e as redes socias. Posters e artes para cinemas também estão nesse orçamento que cada vez que pensamos sobre, parece ser menor.

Feitos esses processos, os cinemas que negociaram exibição com o distribuidor começam a exibir o filme e nós começamos nosso próximo tópico.

Como funciona a bilheteria de um filme?

Em Cartaz

A partir do momento em que um filme está nos cinemas, há igualmente muito a se considerar, por exemplo, no passado próximo as distribuidoras tinham um acordo com os cinemas sobre o primeiro final de semana ser mais lucrativo. Cerca de 90% do lucro dos filmes iam para a distribuidora/estúdio e os outros 10% ficavam para os cinemas, como sabemos, o primeiro final de semana é sempre o melhor para os filmes, e exceto em casos muito específicos, como o de A Origem, de Nolan, por exemplo, o rendimento do filme cai grosseiramente de uma semana pra outra.

Nessa época os cinemas só lucravam com os “lanchinhos” superfaturados, a pratica do lucro baixo na primeira semana em geral não existe mais, contudo sabemos que qualquer alimento dentro dos cinemas continuam superfaturados.

Qualquer negociação entre distribuidores é única e essa deve ser a frase mais usada nesse post “cada caso é um caso”, mas vamos tentar trabalhar com a média novamente. Primeiro, a maioria dos contratos protegem os cinemas no seguinte ponto, se um filme é um fracasso, os cinemas ganham mais, por exemplo, um filme rendeu 10 milhões de dólares, por isso o distribuidor vai ganhar cerca de 45% desse valor, já se um filme rendeu 300 milhões, o distribuidor ganha 60% do valor.

A última amostra para os acionistas do Cinemark americano mostram que 54,5% do valor dos ingressos foram para os distribuidores em 2011.

Já que definimos isso, digamos que um filme rendeu 500 milhões de bilheteria, 54,5% disso vão para o distribuidor repassar para o estúdio, ou seja 272.5 milhões. Mas o estúdio em si não ganha isso, porque existe a “Distribution Fee”, ou a taxa de distribuição, que novamente é variável de caso a caso, mas podemos defini-la aqui como 30%. Ou seja, 82.6 milhões ficam na mão da distribuidora, que embora em um grande número de vezes sejam um braço da mesma empresa que o estúdio, a divisão ainda existe. Por isso novamente, faz muito sentido não mencionar os custos de Marketing, pois ele pertence a uma empresa separada e que ganha sua parte separada. No fim dessa conta sobram 189.9 milhões para o estúdio… se o filme custou 200 milhões para ser feito, isso é um prejuízo, pequeno, mas é.

A estatística diz que apenas 1 a cada 20 filmes geram lucro apenas nos cinemas americanos, ou seja, parece um mal negocio, mas há muito mais formas de renda do que o cinema americano, como por exemplo os cinemas internacionais.

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No mundo

Existem muitos casos de filmes que foram uma bomba nos EUA, que não renderam nem metade do que deveriam, mas que sobreviveram por conta de sua bilheteria no resto do mundo. Tecnicamente os tipos de bilheterias se chamam Doméstica, a bilheteria americana, ou Internacional, a bilheteria do resto do mundo, ou “Over Seas”.

Um caso de sucesso Internacional e fracasso Doméstico foram os dois últimos As Crônicas de Narnia, especialmente o último, As Crônicas de Narnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada, que fez cerca de 100 milhões domesticamente e mais 270 milhões internacionalmente, isso faz dele um sucesso? Depende muito do “acordo” feito com as distribuidoras internacionais, mas sem nem mesmo pegar a calculadora, eu posso dizer que não, visto os números que vamos mostrar abaixo.

Primeiro, vale dizer DE NOVO, que cada caso é um caso especialmente variando entre os mercados, por exemplo, o mercado Brasileiro é simplesmente pavoroso para um estúdio, pois além de não render quase nada de bilheteria bruta, ainda tem impostos grotescos, o que até me deixa espantado com a atenção que Hollywood dá ao nosso país, que é pouca, mas é maior do que se espera.

Como as informações nacionais são um pouco complexas de se adquirir, mais vale falar sobre uma média do que se arrecada no cenário mundial completo. Nesse caso, de acordo com Edward Jay Epstein, especialista autor do livro The Hollywood Economist, o estúdio costuma negociar algo em torno de 40% da bilheteria nos cinemas do mundo, contudo com impostos e outros custos excessivos que os mercados externos têm, somada ao recolhimento ser em uma moeda quase sempre inferior ao dólar, que tem uma flutuação constante, os estúdios tem sorte se o valor final chega a 15% de retorno.

Nesse caso, não… o mercado internacional é quase irrelevante, além de muitas vezes um filme render mais dinheiro bruto só nos EUA do que em todos os países do mundo juntos, esses países só rendem 15% de retorno aos estúdios. Mas é claro, esses 15% ajudam no montante e são indispensável em alguns casos quando um filme não atinge o número necessário nos EUA… caso dos filmes da franquia As Crônicas de Nárnia mencionados acima.

Em alguns casos mais raros, como foi com Avatar, por exemplo, a bilheteria Internacional se tornou essencial para o sucesso do filme, já que apenas 27% da bilheteria total do filme, que é o filme com maior bilheteria de todos os tempos, veio dos Estados Unidos, o que mostra que se o mundo inteiro estivesse mesmo interessado em assistir filmes, como esteve interessado em ver Avatar, a indústria estaria muito mais tranquila, lucrativa e provavelmente estaria mais confiante em investir em inovações e não em sucessos certeiros.

Mas o que são sucessos certeiros? Filmes que vão além dos cinemas…

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Fora dos Cinemas

Há algum tempo atrás a venda de DVDs e Blu-Ray eram uma fonte de renda maior que a dos cinemas e em termos de números que retornam aos estúdios a porcentagem em si também era maior, contudo desde 2009 o declínio desse mercado só aumenta, em partes por causa da internet e dos serviços de streaming como a Netflix e outros, a pirataria também ajudou muito na queda do mercado de venda de DVD como contribuinte para os estúdios de cinema.

Basicamente todas as locadoras grandes já faliram, incluindo a maior delas, a BlockBuster, as locadoras menores de bairro ainda existem porque… bem, não sei também, se um dia alguém solucionar esse enigma por favor comente. Além das locadoras as revendedoras de filmes também não vão bem das pernas, em 2009 as vendas foram tecnicamente iguais ao rendimento do cinema, hoje já são muito inferiores e o medo dos especialistas é que o mercado dos discos diminua até o ponto de se tornar irrelevante, já estamos quase lá inclusive.

Porém, os DVDs/Blu-Ray nunca foram os únicos modos extras de um filme ganhar dinheiro. Alguns filmes podem se dar ao luxo de desfrutar da venda de licenciamento de produtos, como por exemplo, o caso do rebootado Homem Aranha, que foi bem de bilheteria, mas terminou um pouquinho no vermelho depois de todas as contas terem sido feitas. Contudo, além da bilheteira, das decadentes vendas de DVDs/Blu-Rays em geral e licenciamento para serviços online como os da Microsoft ou da Apple (iTunes), Homem Aranha tem uma grande vantagem que é gerar conteúdo para outros licenciamentos, como Jogos de PC, Jogos de Videogame, Jogos de Celular, Bonequinhos e Action Figures, McLanche Feliz, Cadernos, Lancheiras, Tênis, Roupas e muito mais coisas. Algumas pessoas podem não saber, mas se paga uma fortuna para você poder usar imagem e marca desses produtos.

O fato da fortuna feita com licenciamentos ser tão grande, faz com que seja apenas natural que os estúdios procurem sempre marcas consolidadas para fazer seus filmes, é muito mais vantajoso investir 200 milhões em um filme como o Reboot de Homem Aranha do que Investir 50 milhões em um filme qualquer, que não seja baseado em nada, nem em livro ou em qualquer coisa que possa render uma grana posterior, ainda que o filme seja extremamente promissor, mas é claro que aparentemente essas regras não valem para Christopher Nolan.

Estima-se que o valor angariado com a soma de todos os licenciamentos as vezes chegue a casa dos 100 milhões, embora possa ficar abaixo em vários casos.

Ainda assim, o declínio do DVD/Blu-Ray afetou demais a forma de um filme ganhar dinheiro, por isso em parte houve o surgimento dos filmes em 3D, pois a tecnologia criou um aumento no valor dos ingressos que ajuda a compensar a falência do outro mercado, ao menos por hora o 3D, apesar de ser uma tecnologia extremamente criticada por vários motivos, tem dado muito certo, agora é saber até quando essa tecnologia vai salvar a indústria.

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Considerações finais

Depois de ver isso tudo, dá para se questionar se a indústria dos cinemas é assim tão lucrativa quanto parece, o lucro só vem depois de subtrair a fatia do cinema, a fatia do distribuidor e o orçamento do filme, ainda que tenhamos que admitir que 1 milhão de lucro que seja, ainda é 1 milhão de lucro, imagina, dá até pra fazer umas duas festas em Los Angeles com esse dinheiro.

Temos que falar também que Hollywood é extremamente criticada por usar faturamento como medida de sucesso e não a quantidade de ingressos vendidos como mercados semelhantes (vide teatro e shows) usam, contudo, criticar esse contexto é ver apenas a ponta do IceBerg, como vimos, o problema está na forma como esse faturamento funciona, nem tudo volta para o estúdio, mas a crítica de que o Valor é maior devido aos custos de Marketing que não são somados é um erro, essa crítica pode ser rebatida porque tecnicamente esse é um custo de uma outra empresa, ou de um outro braço da mesma empresa.

Outra grande crítica é em relação a Inflação ou a soma dos Ingressos 3D, por exemplo, Titanic é um grande recordista sendo um filme de 3 Horas e sem ser em 3D e em uma época quando a Inflação era menor. Mas nesse ponto, Titanic é ainda mais impressionante então, pois na época da inflação menor, os ingressos eram mais baratos e valiam menos, contudo, o povo ganhava menos e mesmo ganhando menos todo mundo aparentemente foi assistir o filme, há também de convir que o filme é de quase 3 horas de duração e portanto tinha menos sessões, então podemos concluir 1 ou 2 coisas com esse exemplo, ou Titanic é um filme extraordinário ou o estúdio mentiu descaradamente quando revelou os números de Titanic, não só de Titanic, mas também de Avatar, ambos são números extremamente estranhos.

Mas uma coisa é certa, se o valor do 3D, a inflação e outras variáveis deixam a métrica de sucesso quebrada, a contagem de ingressos também, pois o fato de um filme ser 3D ou não influencia, por exemplo, uma criança querer ir ou não ao cinema, a inflação influencia o valor contabilizado, mas também influenciava a cultura do entretenimento na época, nem todo mundo tinha dinheiro para ir ver um filme em certas ocasiões, portanto menos pessoas viam o filme, em outras ocasiões, por ser mais barato mais pessoas iam assistir… tudo é muito relativo, como a métrica é a mesma para todos, eu a considero justa, apesar de incerta.

De qualquer forma, gostando ou não dá métrica, saber como funciona a entrada e saída de dinheiro de um filme nessa matéria, esclarece e muito bem muitas das opções de Hollywood hoje em dia. Espero que tenham gostado e sim… eu menti, a matéria foi muito longa.



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