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Onde estão as Compositoras do Cinema?

As trilhas sonoras tem importância vital no cinema. Em geral a música é o elemento que dá o tom de uma cena e induz o espectador a determinada reação. A melodia certa no momento adequado é essencial para a montagem perfeita. Alguns nomes se repetem com frequência em Hollywood e são amplamente reconhecidos como os grandes compositores de nossos tempos. Reparando nos créditos ao fim da películas, vemos quase sempre Hans Zimmer, John Williams e Danny Elfman no posto de mago das notas musicais. Os três são responsáveis por grande parte das trilhas mais icônicas da história do cinema, de Star Wars a O Rei Leão.

Saibam que neste ponto este pequeno artigo toma uma direção diferente. A intenção era escrever sobre Ramin Djawadi, de Game of Thrones e Pacific Rim. Um novo nome entre os grandes. Contudo, saltou aos olhos o fato de que todos os citados até aqui são homens. Veio então a pergunta óbvia: existem mulheres criando trilhas na terra do Tio Sam? Sim, existem. A de maior destaque talvez seja Rachel Portman, que assina produções como Chocolate e A Duquesa. Uma das poucas que ultrapassa a casa da centena de trabalhos. Contudo, também é notável que são produções mais modestas, as vezes mais autorais.

Inegavelmente este é mais um mercado dominado pelo masculino. Pode-se alegar que os grandes compositores da música clássica em toda história também eram homens, e que o que ocorre hoje no cinema é apenas uma reprodução deste elemento. Estranho é que uma tendência de 200 ou 300 anos permaneça marcante nos dias, ainda mais no contexto em que vivemos, de luta pelo igualitário. A conclusão óbvia é a de que predomina no mainstream norte-americano uma cultura retrógrada, que chove excelentes trabalhos aos mesmos de sempre. Um bom exemplo disto foi a polêmica racial que povoou a cerimônia do Oscar 2016. A mesma palavra chave. Oportunidades. As compositoras estão limitadas a filmes modestos (ao menos em orçamento) e séries de TV de menor escala. E limitadas não pelo talento.

O vídeo a seguir é um pout pourri das deliciosas trilhas de Rachel Porman.

Em minhas pesquisas esbarrei em outro exemplo fantástico de compositora. Nunca procurei saber quem era responsável pelas músicas dos filmes de Stanley Kubrick. Aquele som sintetizado maluco de O Iluminado e Laranja Mecânica. Belo e assustador. Wendy Carlos nasceu Walter Carlos. Sabia-se mulher desde muito jovem. A cirurgia de redesignação foi realizada em 1972, mas só veio a público em 1979, em uma entrevista concedida a Playboy. Antes de revelar-se,  usava lápis e peruca para ainda fingir-se de homem, quando já se submetida aos tratamentos hormonais. Assim estava quando encontrou com o lendário diretor.

Vejam a maravilha que é a cena inicial com os créditos de O Iuminado (1980). A beleza das tomadas ganha um significado completamente diferente com o soturno acompanhamento de Wendy.

No mundo dos games, especialmente fora dos EUA, a coisa é mais equilibrada. Yoko Shimomura, para citar apenas um nome, trabalhou em Final Fight, Mario & Luigi: Partners in Time, Kingdom Hearts e diversas outras grandes produções japonesas, desde 1989. O mais recente trabalho da compositora e  pianista é o aguardado Final Fantasy XV, que será lançado mundialmente em 30 de setembro deste ano. Não é exagero compará-la aos maiores nomes da arte, como  Nobuo Uematsu.

A trilha de Kingdom Hearts II é exemplo da sensibilidade da musicista. De uma delicadeza impar, carrega aquela melancolia alegre, quase nostálgica, mesmo para quem ouve pela primeira vez.

As grandes compositoras estão por aí. Notas disonantes em mais um espaço predominantemente masculino. Vamos ouvi-las?




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