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Hematoma




Se cansava das medidas do tempo, do mês, do ano, do milésimo. Não queria contagem mais.
Pensou se Pudesse Ser diferente de outras vezes; pensou que pudesse ver diferente de outra vez.

— Mas não pensasse em tempo (não o negasse, mas não o pensasse). Mesmo sendo como fosse, o carregando consigo, materializado em forma de sensação, em maneira de expressão.

Este e aquele tempo, como dor, desvirtualizado. Tendo o dia como marca e a hora como arranhão — eczema de fração de minuto e de semanas corridas.
Não estávamos a salvo mas era como se estivéssemos, enquanto não sentíamos dor alguma. “Nada estivesse dolorido e tudo estivesse muito bem”. “Estou muito bem”. “A idade não me vem”, “nada dói”.

Um segundo de dor por anos de ausência de algo que pudesse ser o próprio sentido. E procurando a desconstrução de si para a posterior reconstrução. Que valesse cada palavra e que valesse mais que cada silêncio.  

Como se descontrói a si mesmo? Vivendo loucamente? Sem medo? Se alternando entre o que se foi e o que se pensa ser? Como que se "deixar de ser" seja um objetivo comum e simples de praticar.
Veja agora, por fora, de fora, como é ser e como é estar sendo: levanta o braço, ajeita o cabelo; se repete, bebe água, lambe a boca.
Respira. Anda. Tudo assim naturalmente sendo sem ver.
Mas quando, de repente, sem ver, tropeça e cai.

Inchou e ficou roxo. 

O seu discurso mudou sem esperar.


— Ainda bem que não foi nada grave. Vai levar semanas para sair esse hematoma. 







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