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Graça das Dores na Ruela do Equívoco


Boa noite queridas leitoras,

A postagem de hoje fala sobre uma personagem que eu criei chamada "Graça das Dores". 
Resolvi criar esta pequena estória (ficcional) para simbolicamente analisarmos nossas vidas e nossas condutas pois, constantemente apontamos determinadas situações como limiares e determinantes para direcionarmos nossas decisões para as ruelas do equívoco. Muitas vezes, um caminho sem volta. 

Graça das Dores na Ruela do Equívoco
Por Magnólia Leal 

Nascida em Portugal, Graça das Dores era filha do Rei Edgar Mendes e da Rainha Lorena Moniz. 
Em meados do Século XV existia um jovem Rei chamado Edgar Mendes Albuquerque, conhecido como um rapaz dócil e gentil com o povo. Muito jovem, com apenas 18 anos casou-se com Lorena Moniz, uma plebeia de cabelos castanhos e nariz fino. De plebeia, Lorena, logo transformou-se em Rainha de Portugal. 
Apesar de sua origem simples, a moça fazia parte de uma família de artesões que costumava vender tecidos e confeccionar roupas para toda a corte real. Evento, o qual a possibilitou de frequentar o Castelo do Rei Edgar inúmeras vezes, inclusive para medir seus trajes de gala e suas indumentárias para caçar.  

Em seguida os dois se apaixonaram, pois o jovem rei era encantador e extremamente respeitoso e Lorena era linda, atraente e muito habilidosa. Dessa união, nasceu uma linda princesinha chamada Graça das Dores Moniz Mendes de Albuquerque, uma  menina de bochechas rosadas, olhos castanhos e cabelos loiros. A família real detinha um reino feliz e próspero em que todos se ajudavam e se respeitavam, as tarefas eram bem divididas e as pessoas resolviam facilmente os seus conflitos. Porém naquela época existiam muitos surtos de cólera, doença responsável por diversas mortes no reino, inclusive da Rainha Lorena, que faleceu com apenas 33 anos de idade, deixando filha e esposo.

A princesa Graças das Dores recebeu o comunicado de falecimento de sua mãe dias após o ocorrido, pois estudava em um colégio interno na França, o qual era extremamente rígido e de difícil acesso, inclusive para familiares, os quais ultrapassavam barreiras burocráticas para poder visitar os próprios filhos. Assim, o rei decidira levar a princesa de volta para Portugal e quando deparou-se com sua querida filha no colégio interno, encontrou uma moça alta e muito parecida com sua falecida esposa. Fazia quase cinco anos desde seu último encontro com a princesa. 

Com muita revolta, Graça das Dores mal cumprimentou o pai, segurou a pequena mala que detinha, recusou a ajuda do cocheiro e entrou na carruagem sem falar mais nada. O rei fez inúmeras tentativas de aproximação, tentou explicar o porquê de seu distanciamento durante os últimos anos, apontou as razões pelas quais a escola em que Graça estudava era tão inflexível e pouco aberta para visitas e o motivo pelo qual decidiu levá-la novamente para sua terra natal. Porém nada adiantara. Graça permaneceu calada durante todo o regresso para casa. 

Passaram-se dias, meses e anos. Graça não voltou a falar com seu pai. O rei morreu e passou o trono para sua única herdeira, agora chamada Rainha Graça Das Dores Moniz Mendes de Albuquerque. Durante todos os anos de convalescença do rei, a princesa nunca mais aproximou-se dele. De certa forma, ele sabia no fundo que o contato entre os dois não seria mais possível, pois o transcurso dos anos foi doloroso demais para ambos, pois viviam sob o mesmo teto e aprenderam a ignorar-se mutuamente. 

O rei nunca ficou feliz, pleno e satisfeito com a situação, mas também sabia que não tinha culpa pela revolta da filha, que sob a égide de viver em uma escola rígida, culpou o pai pela morte da mãe. A verdade é que, nem cartas muito antes da Rainha Lorena morrer, Graça não trocava mais com seus pais. Todas as princesas daquela época se submetiam a uma educação rígida por alguns anos, o caso dela, não era isolado. 

Prevendo a sua morte, o rei em seus últimos dias escreveu uma carta destinada à filha. Com apenas alguns dizeres, essa foi a última tentativa de um pai deixar algum legado de valor real, que não o monetário, para uma princesa amarga, fria e sombria a qual tornara-se Graça das Dores. 

Querida Graça das Dores, 

"Optaste por me condenar por fatos da vida, mas como pai visei o melhor que poderia no momento de nossa época. Bem sabias que tudo era possível ocorrer, mas há muito perdeste o interesse em conviver comigo e sua falecida mãe. 
Não condeno a sua mente jovem da época por sua revolta momentânea. Porém minha filha, o que você não percebeu é que o tempo passou, a sua revolta perdurou e a ruína te alcançou. Não foste capaz de amar verdadeiramente a mais ninguém do que a você mesma e ainda achou que viveria um grande amor. Quem não é capaz de amar e honrar pai e mãe não é capaz de amar ninguém. Agora viva com a sua solidão nas trevas da tua razão, ou encontre no meu perdão a chave para fugir dessa escuridão". 




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