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1 Pedro – A Bíblia Livro Por Livro

■ Conteúdo: uma carta de encorajamento aos cristãos passando por Sofrimento, instruindo-os sobre como responder de maneira cristã aos perseguidores e exortando-os a viver uma vida digna do seu chamado

■ Autor: o apóstolo Pedro; escrito por Silas (5.12), o antigo companheiro de Paulo

■ Data: 64-65 d.C., em Roma (5.13; tanto cristãos como judeus usavam a Babilônia para se referir a Roma como um lugar de exílio)

■ Receptores: principalmente cristãos gentios (1.14,18; 2.9,10; 4.3,4) nas cinco províncias no quadrante noroeste da Àsia Menor (a Turquia moderna), designados — numa referência à Diáspora judaica — como estrangeiros (= exilados) no mundo

■ Ocasião: provavelmente uma preocupação quanto ao surto de perseguição local que alguns cristãos recentes (2.2,3) estavam experimentando como resultado direto de sua fé em Cristo

■ Ênfases: o sofrimento por causa da justiça não deve nos surpreender; os cristãos devem se submeter ao sofrimento injusto da mesma forma que Cristo se submeteu; Cristo sofreu em nosso favor para nos libertar do pecado; o povo de Deus deve viver de modo justo em todas as épocas, mas principalmente em face da

hostilidade; a nossa esperança para o futuro se baseia na certeza

da ressurreição de Cristo

VISÃO GERAL DE 1 PEDRO

O principal interesse de Pedro está na vida verdadeiramente cristã num contexto de hostilidade e sofrimento. A carta progride numa espécie de elipse, abrangendo primeiro um e depois outro desses interesses, e retornando a eles várias vezes durante o percurso. Ao mesmo tempo, essas questões são situadas no contexto do sofrimento e ressurreição de Cristo; o sofrimento dele, além de salvar os cristãos, oferece a eles um padrão, e a ressurreição lhes dá esperança em meio ao sofrimento presente.

A ação de graças inicial (1.3-12) apresenta os temas da epístola: salvação, esperança para o futuro, sofrimento, fé genuína (= fidelidade). O restante da carta se divide em três partes (1.13—2.10; 2.11— 4.11; 4.12—5.11), iniciadas pelo tratamento “Amados”em 2.11 e 4.12 (e pela doxologia em 4.11). A parte 1 é um chamado à vida santa, com ênfase na vida coletiva deles como o povo de Deus. Valendo-se de todo tipo de imagens do Antigo Testamento, Pedro lhes assegura que eles são o povo de Deus por eleição, cuja vida deve evidenciar que eles são os filhos de Deus, declarando assim a sua grandeza.

A parte 2 se concentra principalmente no fato de eles serem o povo de Deus em favor do mundo pagão dos gentios (2.12) — os responsáveis por seu sofrimento. Ele começa (2.11—3.7) exortando-os à submissão segundo o exemplo de Cristo em cenários institucionais específicos (governo pagão [2.13-17]; mestres pagãos [2.18-25]; maridos cristãos [3.1-6]) em que os cristãos podem esperar sofrer. Ele então generaliza esse apelo a todos os cristãos (3.8—4.6), especificamente quando deparam com o sofrimento por fazerem o bem; novamente, a morte e a ressurreição de Cristo servem como base para a santidade e a esperança. Ele conclui se dirigindo mais uma vez à vida coletiva deles como o povo de Deus (4.7-11).

Na parte 3 ele situa o sofrimento deles num contexto teológico, enquanto exorta os presbíteros a que orientem os outros a dar respostas devidamente cristãs ao sofrimento imerecido, bem como em seus relacionamentos uns com os outros.

ORIENTAÇÕES PARA A LEITURA DE 1 PEDRO

O vocabulário especial de lPedro conta grande parte da história; atente para ele durante sua leitura. As seguintes palavras são especialmente importantes (número de ocorrências na versão bíblica em inglês empregada no original): sofrimento (llx); anastrophê (“modo de vida, comportamento”, 6x [1.15,18; 2.12; 3.1,2,16]); Deus (39x); Cristo (22x); Espírito/espiritual (8x); vontade de Deus (4x); eleição/chamado (lOx); salvo/salvação (6x); e esperança (5x) — além de diversas outras palavras que apontam para o futuro (herança, glória etc.), e de um amplo vocabulário lembrando-os de que eles são o povo de Deus, vivendo como “estrangeiros” ou exilados no presente mundo.

O que impulsiona a carta do começo ao fim é o sofrimento deles. O interesse de Pedro é que eles compreendam esse sofrimento no contexto maior dos propósitos salvíficos de Deus. Deus, o autor da salvação, tanto os chamou como os escolheu para serem o seu povo no mundo. O sofrimento, portanto, pode ser compreendido como estando de acordo com os propósitos mais elevados de Deus (a sua vontade); mas a morte e a ressurreição de Cristo tornaram a salvação deles completamente certa, e por isso eles podem viver em esperança. Observe que Pedro — significativamente — sempre se refere à obra redentora de Cristo em associação com o sofrimento dele (em vez da “morte” dele) por nós, que ao mesmo tempo também serve como o exemplo a ser seguido (2.21-24;

3.15-18) — isso sendo possível por meio do Espírito (1.2; 2.5; 4.14). Essas coisas são repetidamente afirmadas por Pedro, obviamente visando encorajá-los e confirmá-los.

Ao mesmo tempo, Pedro está bastante preocupado com a maneira como eles vivem, tanto sua conduta coletiva como povo quanto a forma como reagem ao sofrimento. Primeiro, ele os faz lembrar repetidamente de que são um povo peregrino — estrangeiros nesta terra, cuja herança está no céu —, e que devem viver a vida do céu em sua jornada na terra. Em segundo lugar, ao viver desse modo eles servirão como o povo sacerdotal de Deus em favor dos pagãos, que são hostis a eles, para que “sejam ganhos” (3.1). Desse modo, seus leitores devem cumprir seu chamado onde Israel fracassou — eles devem ser uma bênção para as nações. Em resumo, não há uma única coisa em 1 Pedro que não tenha esses temas em mente. Fique atento a eles ao longo da carta.

É preciso ter alguma noção de como era a casa no século primeiro para entender melhor as exortações de 2.18—3.7. De maneiras quase incompreensíveis para as culturas ocidentais dos últimos séculos, na casa greco-romana do século primeiro o homem da casa era o senhor absoluto. Na maioria dessas casas, se ele se importasse minimamente com as coisas religiosas (e a religião era parte do modo de vida deles, quer fosse levada a sério ou não), então era costume que toda a casa (esposa, filhos, escravos da casa) adotasse a religião do chefe da casa. Pedro está falando para esse contexto, em que alguns escravos e esposas haviam saído do padrão em relação a essa questão ao se tornar seguidores de Cristo; já quando ele se dirige de forma secundária ao marido em 3.7, Pedro pressupõe que ele e sua casa estejam todos seguindo a Cristo.

UMA CAMINHADA POR 1 PEDRO

□ 1.1,2 Saudação

Essa saudação é teologicamente densa. Observe as ênfases de Pedro: eleição deles, eles como “peregrinos” no mundo e a obra salvadora do Deus trino.

□ 1.3-12 Um berakah (Bendiçâo a Deus)

Em harmonia com as imagens e ênfases judaicas do início ao fim, Pedro começa com um berakah (“Bendito seja o Deus”; cf. Ef 1.3), primeiro com uma ênfase no futuro certo de seus leitores (v. 3-5) antes de se voltar ao sofrimento deles (v. 6), que possui valor refinador (v. 7), apontando novamente para o futuro, dessa vez se concentrando em Cristo (v. 8,9). Essa salvação do fim dos tempos trazida por meio de Cristo foi profetizada pelos profetas, mas não estava disponível para eles — nem para os anjos (v. 10-12).Tendo lido essa seção e identificado esses aspectos, talvez você queira lê-la mais uma vez para apreciar sua majestade.

□ 1.13—2.10 O chamado à vida santa como povo

de Deus

Com ênfase no chamado e caráter de Deus (1.15-17) e na obra redentora de Cristo (v. 18-21), Pedro começa lembrando-os de que o chamado de Deus era para um modo de vida santo e piedoso,

especialmente em seus relacionamentos comunitários (1.22—2.3). O objetivo de Deus é uma “casa espiritual” (casa do Espírito = templo), em que um povo santo oferece “sacrifícios espirituais” (2.4-8). Observe como ele conclui essa seção (v. 9,10): usando linguagem de Êxodo 19.5,6 e Oseias 1.9 e 2.23, ele dá a esses cristãos gentios a certeza de que eles são a continuação do povo de Deus, agora na nova aliança.

□ 2.11—3.7 O chamado particularizado em vários

cenários pagãos

Depois de uma exortação inicial a um “correto […] procedimento entre os gentios” (2.11,12), ele os exorta a se submeter “por causa do Senhor” — primeiro, todos eles às autoridades governamentais (v. 13-17), e, em segundo lugar, os escravos de casas cristãs (a palavra grega é bem específica) aos seus senhores pagãos (2.18-25), especialmente quando tratados injustamente. Aqui ele recorre ao sofrimento e à obra redentora de Cristo, com numerosos ecos de Isaías 53.3-6 (se quiser, leia a passagem de Isaías e então observe como Pedro a ecoa).

Finalmente, ele apela às mulheres cristãs de maridos pagãos (3.1-6) — essas mulheres não têm muita voz num lar desse tipo, mas o modo de vida delas deve refletir Cristo —, concluindo (v.7) com uma breve palavra aos maridos cristãos quanto a seu relacionamento com suas esposas.

□ 3.8—4.11 O chamado generalizado — em face

da hostilidade

Pedro então passa a uma generalização, começando novamente com os relacionamentos comunitários (3.8-12) antes de se concentrar em como deve ser a reação apropriada ao sofrimento imerecido (v. 13-17), recorrendo ao sofrimento de Cristo, sua proclamação (de triunfo) aos “espíritos em prisão” (provavelmente anjos caídos) e sua ressurreição (v. 18-22).

Observe que, assim como em 2.18-25, o sofrimento de Cristo novamente serve como padrão, dessa vez para deixar o pecado para trás (4.1-6). As exortações finais (v. 7-11) mais uma vez são associadas à vida conjunta como povo de Deus, situada no contexto do “fim” — com a glória de Deus por meio de Jesus Cristo como objetivo.

□ 4.12—5.11 Conclusão: Sofrimento, esperança, e

conduta cristã

Tratando da questão do sofrimento deles uma última vez, Pedro agora (4.12-19) o situa em uma perspectiva teológica (a soberania de Deus e regozijo deles no privilégio de participarem nos sofrimentos de Cristo e assim serem porta-vozes do seu nome). Com uma variedade de ecos de 2.24,25 (com respeito a Cristo) e recorrendo ao seu próprio papel, em 5.1-4 Pedro exorta os presbíteros a conduzir o povo por meio do exemplo nessas questões (o importantíssimo “Portanto” no início de 5.1 não é traduzido na ntlh), antes de recorrer uma última vez à vida comunitária deles (v. 5) e ao seu sofrimento enquanto aguardam a “sua eterna glória [em Cristo]” (v. 6-11).

□ 5.12-14 Saudações finais

A carta termina com uma observação bastante breve sobre seu propósito, algumas palavras concisas de saudação e um desejo final de paz.
Já que a maioria dos livros do Novo Testamento trata de como o povo de Deus deve viver em seus relacionamentos uns com os outros, é importante para a história bíblica que um deles se concentre especialmente na questão de sermos como Cristo (repetindo a história dele, por assim dizer) na nossa reação ao sofrimento que advém da hostilidade pagã.



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