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1 Timóteo – A Bíblia Livro Por Livro

■ Conteúdo: uma acusação contra alguns Falsos Mestres — repro-

vando seu caráter e ensinos —, com instruções quanto a várias questões comunitárias que esses mestres colocaram em crise, intercaladas com palavras de encorajamento a Timóteo •

■ Autor: o apóstolo Paulo (embora muitos questionem essa autoria)

■ Data: 62-63 d.C., na Macedônia (provavelmente Filipos ou Tessalônica), aparentemente depois de sua esperada libertação do aprisionamento comentada em Filipenses 1.13 e 2.23,24

■ Receptor(es): Timóteo, jovem companheiro de longa data do apóstolo; e (por fim) a igreja em Efeso (a saudação de bênção em 6.21 está no plural)

■ Ocasião: Paulo deixou Timóteo encarregado de uma situação muito difícil na igreja em Efeso, onde falsos mestres (provavelmente presbíteros locais) estão desencaminhando algumas igrejas nas casas; Paulo escreve a toda a igreja por meio de Timóteo, visando capacitá-lo a pôr fim à obra desses presbíteros desviados e de algumas jovens viúvas que os seguiam

■ Ênfases: a verdade do evangelho como a misericórdia de Deus demonstrada a todas as pessoas; o caráter que precisam ter os líderes da igreja; os ensinos especulativos, o ascetismo e o amor à polêmica

e ao dinheiro desqualificam a pessoa para a liderança da igreja;

Timóteo, firmando-se no evangelho, deve dar exemplo de liderança e caráter cristãos genuínos

VISÃO GERAL DE 1 TIMÓTEO

As cartas a Timóteo e aTito têm há muito sido chamadas de “pastorais”, sob o pressuposto de que pretendem instruir os jovens pastores sobre a ordem na igreja. Mas isso tende tanto a fazer com que as leiamos com um viés posterior quanto a diluir o caráter e cenário únicos de cada uma, como se fossem homogêneas. Essa carta é a primeira das três, escrita logo depois de Paulo ter deixado Timóteo em Éfeso. Tendo excomungado os líderes do falso ensino (1.19,20), ele deixou Timóteo ali enquanto ia para a Macedônia, encarregando-o de fazer com que “certas pessoas não mais ensinem doutrinas falsas” (1.3, nvi).

A carta alterna palavras à igreja por meio de Timóteo com palavras ao próprio Timóteo, embora até mesmo essas últimas devam ser ouvidas, ainda que de passagem, pela igreja também. Grande parte da carta trata da tolice dos falsos mestres/ensinos (1.4-10,19b,20; 4.1-3,7; 6.3-10, 20,21). As palavras a Timóteo (1.3,18,19a; 4.6-16; 6.11-16,20,21) o incumbem com respeito aos seus deveres e o encorajam e fortalecem perante a comunidade para executá-los (deveres às vezes desagradáveis). Essas duas questões se fundem na última incumbência aTimóteo em 6.20,21. O restante da carta trata de questões comunitárias, que obviamente foram profundamente influenciadas pelo falso ensino — questões como a reunião dos cristãos para oração e ensino (2.1-15); qualificações e substituição dos líderes (3.1-13; 5.17-25); cuidar de viúvas idosas, mas exortar as mais novas a se casarem (5.3-16); atitudes dos escravos para com os senhores (6.1,2).

Apesar das muitas palavras dirigidas especialmente aTimóteo, essa carta trata somente de questões de ordem prática, como fica claro pela ausência tanto da ação de graças e relatos de oração que costumam dar início às cartas de Paulo (cf. 2Timóteo) quanto das saudações que as costumam concluir (novamente, cf. 2Timóteo).

ORIENTAÇÕES PARA A LEITURA DE 1 TIMÓTEO

Na sua leitura, observe especialmente o que Paulo diz sobre os falsos mestres e seus ensinos — visto que a preocupação com eles parece estar por trás de cada palavra nessa carta. Há bons motivos para pressupor que esses mestres tenham sido presbíteros locais que adotaram algumas idéias bastante incompatíveis com o evangelho da graça (1.11-17). Em primeiro lugar, diferentemente das outras cartas de Paulo que tratam de falsos mestres (2Coríntios, Gálatas, Filipenses), lTimóteo não sugere que esses mestres possam ser de fora. Em segundo lugar, Paulo já excomungou dois deles, claramente de dentro (lTm 1.19,20), e a evidência posterior de 2Timóteo 2.17,18 indica que um deles (Himeneu) se recusou a ir embora (observe que ele é primeiro designado duas vezes, implicando que é ele o líder). Agora, em terceiro lugar, leia o discurso de Paulo aos presbíteros dessa igreja em Atos 20.17-35, e observe que, mais ou menos cinco anos antes, Paulo havia predito que exatamente isso aconteceria (v. 29,30, que dentre eles mesmos alguns se levantariam e distorceríam a verdade).

Se se acrescenta o fator de que esses presbíteros haviam se aproveitado de algumas jovens viúvas, que abriram suas casas para as novidades deles — como 2Timóteo 3.6,7 afirma —, o sentido da carta como um todo fica claro. Observe como esses fatores, juntos, explicam: (1) por que Paulo escreve a Timóteo, e não à igreja, como em outros casos desse tipo, já que sua carta não teria sido lida à igreja se caísse nas mãos desses presbíteros; ao mesmo tempo, Paulo está autorizando Timóteo perante a igreja a garantir que esses presbíteros sejam substituídos por pessoas com as qualificações apropriadas; (2) por que ele fornece instruções cuidadosas, não sobre os deveres dos presbíteros, mas sobre suas qualificações; (3) por que ele fornece instruções tão detalhadas sobre cuidar das viúvas idosas, ao mesmo tempo que exorta as mais novas, algumas das quais se desviaram e passaram a seguir a Satanás (lTm 5.15), a que se casem — contra sua recomendação geral em lCorintios 7.40 —, e por que ele as proíbe de ensinar nesse cenário (lTm 2.11-15); e (4) por que, embora seu interesse principal seja o evangelho (1.11), Paulo fornece tão pouco de seu conteúdo nessa carta

— visto que Timóteo não precisa de instrução nisso — e por que, por outro lado, tanto se diz nessa carta sobre a natureza do falso ensino.

Esse ensino parece consistir numa mistura de elementos judaicos e gregos. Equivocadamente baseado na Lei (1.7), era repleto de especulações ligadas ao Antigo Testamento (“fábulas e genealogias intermináveis [exaustivas]”, 1.4); ele estava sendo apresentado como gnõsis (“conhecimento”, 6.20), e parecia ter um apelo esotérico e exclusivista (1.4-7; observe em 2.1-7 e 4.10 que Deus quer que todas as pessoas sejam salvas), incluindo um falso ascetismo que negava a Criação como boa (4.3-5; talvez 5.23). Além do ensino deles, Paulo também denuncia o gosto desses mestres pela polêmica, incluindo discussões a respeito de palavras (1.6; 6.4), e denuncia especialmente a ganância deles (6.5-10; cf. 3.3, “não ganancioso”).

No todo, Paulo deixou Timóteo com uma tarefa muito difícil — em que, à luz do que lemos em 2Timóteo, ele parece não ter tido êxito total —, tornando ainda mais tocantes as palavras da carta. Tente se colocar no lugar de Timóteo enquanto você lê a carta.

UMA CAMINHADA POR 1 TIMÓTEO

□ 1.1,2 Saudação

Apesar do relacionamento longo e próximo entre os dois, observe como Paulo enfatiza o seu apostolado e a posição de Timóteo como seu “verdadeiro filho” (= filho legítimo). Isso é certamente por causa da igreja, à luz do que eles precisam ouvir dessa carta.

□ 1.3-20 Primeira incumbência a Timóteo

Essa primeira incumbência (v. 3, continuada no v. 18) lembra Timóteo de seu dever de barrar o falso ensino (v. 3), que então é descrito (v. 4-11) em contraste com o testemunho de Paulo (v. 12-17). Observe como ele, ao mesmo tempo, articula o conteúdo do evangelho e autoriza o seu próprio apostolado. O versículo 15 fornece a primeira das três palavras “dignas de crédito” citadas nessa carta (v. 3.1; 4.9) e enfatiza que Cristo veio para salvar pecadores (e não ascetas). A continuação da incumbência (1.18-20) lembra a igreja de que Himeneu e Alexandre foram excomungados.

□ 2.1-15 Instruções sobre questões comunitárias

A primeira questão que Paulo levanta é a oração comunitária, que deve ser por “todos” (v. 1), porque Deus quer que “todos os homens sejam salvos” (v. 3,4), o sacrifício de Cristo “por todos” sendo clara evidência disso (v. 5,6). A isso se seguem instruções sobre o devido decoro na oração comunitária: quando os homens levantam as mãos em oração, que estas não estejam maculadas pelas discussões dos falsos mestres (v. 8), e que as mulheres não se vistam de forma sedutora (para aquela cultura), mas “se vistam de boas obras” (v. 9,10); devido à influência das viúvas mais jovens (2.15 e 5.14 devem ser lidos juntos), Paulo proíbe as mulheres de ensinar (usando o engano de Eva por Satanás, que conduziu à transgressão, como analogia bíblica para o engano das viúvas por Satanás; cf. 4.1 e 5.15).

□ 3.1-13 Qualificações para os líderes da igreja

Com uma segunda “palavra digna de crédito” (v. 1), Paulo apresenta as qualificações de caráter necessárias para os três tipos de líderes da igreja (a expressão “é necessário”, no v. 2, rege os versículos 2, 8 e 12): bispos (v. 1-7), diáconos (v. 8-10,12) e diaconisas (v. 11, provavelmente; certamente não “esposas”). Observe a ausência peculiar de deveres aqui, exceto por “apto para ensinar” no versículo 2, e quantas dessas qualificações se encontram em nítido contraste com o que se diz em outros lugares sobre os falsos mestres.

□ 3.14—4.5 O propósito da carta

Paulo escreve para que o povo de Deus saiba como se portar na casa de Deus. Eles devem ser o templo de Deus (pilar e fundação), que preserva “o mistério da [do qual resulta a verdadeira] piedade”, expresso em forma de hino em 3.16; isso é colocado em contraste direto com os ensinos satânicos dos presbíteros caídos (4.1-5). Observe que o hino enfatiza a encarnação de Cristo (primeiro verso), aparentemente contra um falso ascetismo (4.3-5), e a natureza universal do evangelho (versos 4 e 5) é enfatizada em contraste com o (aparente) exclusivismo desse ascetismo.

□ 4.6-16 Nova incumbência a Timóteo

Assim como no capítulo 1, Timóteo recebe uma incumbência que contrasta com os falsos mestres (v. 6-8). A terceira “declaração digna de crédito” (v. 8) enfatiza que o “treinar” na piedade, observado em 3.15,16 (em oposição à “disciplina” ascética), contém a promessa tanto para a vida presente quanto para a futura, enquanto a palavra adicional sobre o “trabalho” (= de Paulo e Timóteo como ministros do evangelho) enfatiza mais uma vez a universalidade do evangelho.

Observe como o restante da incumbência (4.11-16), embora claramente pretenda encorajar Timóteo, explicitamente o situa perante a congregação como um modelo a ser imitado — apesar de sua pouca idade — e reafirma seu ministério entre eles, antes de terminar com palavras pessoais.

□ 5.1—6.2b Sobre viúvas e presbíteros (e escravos)

Paulo agora especifica como lidar com os dois grupos que têm causado tristeza na congregação. Depois de palavras introdutórias sobre todas as pessoas (5.1,2), ele trata, respectivamente, das viúvas mais novas (v. 3-16) e dos presbíteros desencaminhados (v. 17-25), concluindo com exortações aos “servos que são escravos” (6.1,2). Observe como, nos dois casos principais, ele primeiro contrasta os que estão se desenca-minhando com os que são genuínos. Assim, a igreja deve cuidar de “viúvas de fato necessitadas” (5.3-9), mas ele aconselha as mais novas a se casar, ter filhos e cuidar de sua casa (v. 11-16).

Do mesmo modo, a igreja precisa honrar (e pagar) os presbíteros fiéis (5.17,18), mas repreender (com imparcialidade), despedir e substituir “os que vivem no pecado” (v. 19-22, 24,25). A intercalação dirigida a Timóteo (v. 23) é provavelmente por causa dele e da igreja: a ordem “Conserva-te puro” (v. 22) não inclui a abstinência do vinho, de que Timóteo precisa para sua saúde.

□ 6.2c-10 Última acusação aos falsos mestres

Aqui Paulo mais uma vez critica os falsos mestres pelo gosto deles pela polêmica, mas finalmente os repreende com severidade por seu amor

ao dinheiro. Observe como o apóstolo se apropria aqui da tradição da sabedoria do Antigo Testamento (Jó 1.21; Ec 5.15).

□ 6.11-20 Última incumbência a Timóteo

Observe como aqui, assim como em lTimóteo 4.1-16, Timóteo é mais uma vez contrastado com os falsos mestres, com ênfase agora em sua perseverança até o fim, “[o] qual Deus fará cumprir no seu devido tempo” (nvi). Os versículos 17-19 qualificam a acusação contra a ganância nos versículos 6-10: aqueles que por acaso são ricos (numa cultura em que a riqueza é transmitida por herança) devem buscar “se enriquecer com boas obras”, especialmente na forma de generosidade aos necessitados.

Observe como o desfecho (v. 20,21) resume as necessidades de Paulo; seu tom brusco realça a urgência da questão.
A contribuição especial dessa carta para a história bíblica está em sua ênfase no papel da boa liderança em favor do povo de Deus; tem-se aqui, dessa forma, um eco do contraste entre os profetas falsos e os genuínos no Antigo Testamento.



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