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Crítica: “Em Pedaços”, um filme sobre os microimpactos do ódio

O preconceito étnico está longe de ser uma questão superada na Alemanha. A recente chegada de um maior número de refugiados no país reacendeu os debates sobre medidas preventivas diante do crescimento de grupos extremistas e crimes de ódio. Um desses ataques inspirou o Longa Em Pedaços, dirigido pelo premiado Fatih Akin – que não coincidentemente é alemão de ascendência turca.

Vencedor na categoria melhor filme em língua estrangeira no Globo de Ouro 2018, o longa acompanha a luta de Katja (Diane Kruger) para punir os responsáveis pelo atentado que tirou as vidas de seu marido e seu filho de apenas cinco anos.

O filme é dividido em três partes. Na primeira, Katja precisa lidar com as suspeitas da polícia sobre o histórico de seu marido, Nuri (Numan Acar). Imigrante turco, traficava drogas leves e ficou algum tempo preso por conta disso. Na cadeia, participou do programa de reabilitação e, uma vez livre, abriu um escritório de advocacia voltado para a defesa de outros imigrantes. Os policiais acreditam que o atentado que o matou foi um ato de vingança das máfias turca ou curda, ignorando os apelos de Katja sobre a inocência de Nuri. Somam-se a isso alguns desentendimentos familiares decorrentes da tragédia.

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A segunda parte do filme acompanha o julgamento dos responsáveis pelo crime, revelando o dia a dia de Katja e seu advogado, Danilo (Denis Moschitto), amigo de Nuri, nos tribunais. Essa é a parte mais angustiante do longa, na qual a complexidade da situação e a burocracia das leis colocam a protagonista no limite – juntamente com o espectador. Por fim, a terceira e última parte do filme revela as consequências desse julgamento, e como Katja tenta concretizar a justiça que acredita que Nuri e o pequeno Rocco merecem.

O longa adota uma perspectiva individual para mostrar o impacto que o ódio e a conivência com ele causam na microesfera, ou seja, na rotina e na vida de Katja. O universo político e a discriminação banalizada são abordados, mas sempre como aspectos da dor que a protagonista enfrenta ao comparar seu presente com as lembranças felizes dos dias em que ainda era esposa e mãe. Diane Kruger entrega uma interpretação verossímil e forte, que conecta o espectador à história. Destaque também para Denis Moschitto e Johannes Krisch, no papel do malicioso advogado dos assassinos.

Envolvente e equilibrado, o filme evoca uma série de questionamentos aos quais é impossível sair apático.

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