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Bom Dia, Verônica - 2ª temporada

 A escrivã de polícia Verônica Torres (Tainá Müller) terminou a primeira Temporada de Bom Dia, Verônica oficialmente morta, com uma nova identidade e focada em uma missão. Desmontar o sistema de corrupção que está fortemente enraizado em diferentes instâncias da sociedade. Assim, a série da Netflix dá continuidade à jornada de sua heroína aumentando o desafio, e mantendo a qualidade do primeiro ano.

Seguindo as pistas do caso anterior Verônica alcança o próximo degrau na hierarquia do crime, Mathias (Reynaldo Gianecchini). Um líder religioso, com supostos poderes de cura que usa sua posição para abusar física e psicologicamente de várias mulheres. Inclusive sua filha Ângela (Klara Castanho) e a esposa Gisele (Camila Márdila). Com poucos aliados, e em seu limite de esgotamento, a protagonista ainda precisa lidar com a distância da família e as ameaças que surgem ao se aproximar demais de seu objetivo.

Se no primeiro ano, os pontos altos da série vieram do bom trabalho de Eduardo Moscovis e Camila Morgado, e a representação incomodamente real de uma situação de abuso familiar. Nesta nova temporada fica a cargo do trio Gianecchini, Castanho e Márdila a construção da ameaça realista e crescente da vez. Apresentada para a sociedade como uma família modelo, a dinâmica de que algo está errado naquela casa fica clara para o público logo nos primeiros instantes. 

Gradualmente, a série vai nos apresentando o cotidiano desta família, conforme Ângela começa a enxergar e compreender a realidade à sua volta. O abuso psicológico que mantém a vítima incapaz de perceber a violência que sofre, bem como o uso da fé das pessoas como ferramenta de submissão são os temas mais contundentes aqui. Apesar de não ser baseado em um personagem específico, impossível não relacionar as atitudes de Mathias com de outros falsos messias, e opressores de mulheres que vemos nos noticiários. 

A falsa família perfeita retratada aqui, cria também um paralelo curioso com a família de Verônica. Uma família quebrada pela ausência da mãe, mas realmente afetuosa. E uma mãe que se ausenta pela segurança dos filhos e marido, muito diferente do pai que se impõe à esposa e filha. Até a fora como a protagonista e o antagonista lidam com os romances dos filhos criam acertados paralelos opostos.

Dinâmicas acertadas, graças ao bom trabalho do elenco. Tainá Müller continua entregando uma protagonista tão empática quanto humana, cheia de falhas e medos, compensados por uma determinação quase inquebrável. Já entre as novas adições os destaques ficam com Klara Castanho que transmite bem a mistura de perda de ingenuidade, e um medo crescente. E Gianecchini, que entrega sordidez de um lobo em pele de cordeiro, que vai te fazer cogitar atravessar a rua, se passar pelo ator por aí. 

Já no quesito policial a série entrega o que promete. Uma acertada redução de episódios (dois à menos que a temporada anterior), aumenta o ritmo, elimina "barrigas" e entrega uma ameaça crescente ainda mais impactante. O que é reforçado pela falta de receio do roteiro de sacrificar personagens. O perigo é real, pois ninguém está seguro. 

O abuso sexual não é mostrado de forma explícita, ficando mais na sugestão, especialmente nas cenas que envolve Klara Castanho. Segundo a própria Netflix, uma atenção especial foi dada à edição destas cenas, para poupar a atriz que recentemente teve seu caso de abuso ilegalmente exposto. Atenção que não minimiza em nada o peso da violência na série, já que as agressões psicológicas impactam tanto quanto qualquer agressão física. E claro, tem a ação policial típica de séries do gênero para completar o pacote, com perseguições, tiroteios, lutas e explosões.

A direção de arte continua caprichando para tornar realista a São Paulo habitada pelos personagens. Dessa vez trocando a casinha de bairro, por uma residência de classe média alta, tão deslumbrante quanto fria e intimidadora. Figurino e músicas nacionais com mensagens pontuais terminam de construir esse mundo, ao mesmo tempo que pontuam características, anseios e intenções dos personagens. 

O desfecho da temporada encerra satisfatoriamente o arco de Mathias, mas apresenta mais um degrau na "cadeia do crime". E ainda oferece mais empecilhos para o retorno da protagonista à "vida comum". Ou seja ainda tem história para mais uma temporada ao menos. E se depender da qualidade entregue até aqui, merece a renovação da Netflix. 

Bom Dia, Verônica continua um excelente suspense policial, com o incômodo bônus de retratar nossa cruel realidade, como nenhuma série estrangeira do gênero conseguiria. Graças à boa mistura de ficção e realidade é herança do romance homônimo de  Ilana Casoy e de Raphael Montes, e a um elenco dedicado. É obrigatória para quem gosta de séries policiais. 

A segunda temporada de Bom Dia, Verônica tem seis episódios com cerca de uma hora cada. O primeiro ano tem oito. Todos já estão disponíveis na Netflix. 

Leia a crítica da primeira temporada de Bom Dia, Verônica



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