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Um livro entre nós


Tu me deu o Livro que tanto gosta. Engraçado, quando eu gostava de ti, essa história de capa cor sangue não me apetecia. Mas agora sim. Apeguei-me aos personagens quando tu se foi e nos vi em cada um. Todo diálogo tinha um pouco de nós, acho que porque nenhuma conversa nossa voltou a existir, pelo menos nenhuma real, daquelas que tu vê no olho a sinceridade, como estávamos costumados. Ler era te encontrar sem te ver. 

As cenas demoraram a passar. Pensava comigo que era por causa das longas descrições e do meu jeito lento de ler, tu sabe, não é a primeira vez que demoro meses para terminar uma história. Mas elas se alongaram mesmo porque acompanharam nosso ritmo esquisito de desapego. Uma página a menos do fim não era só na ficção. 

Nas últimas linhas desse livro desgastado senti o fim do nosso romance. Não no sentido de gênero de amor, mas como narrativa com começo meio e fim. Gostaria eu que fosse uma fábula, com uma lição de moral que me ensinasse algo sobre a vida e suas pegadinhas. Tu me deixou esse enredo cheio de metáforas que me deu vontade de esquecer teu rosto estressado, para quem sabe aí ver se ia embora junto a lembrança desse amor de um verão acabado.

Como queria eu que o autor colocasse um final esperançoso e otimista. Mas tu sabe, aí não seria uma personificação de nós dois, gosto do meu pessimismo e, no fundo, tu também gostava. Gostava de ser meu equilíbrio.


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