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Fair-Play e Segundas Oportunidades

Entre os três grandes, o Porto foi o único a mudar de treinador. Rui Vitória e Jorge Jesus continuam, mas Nuno Espírito Santo fez as malas e deixou o cacifo livre para o sempre bélico Sérgio Conceição. Se o ex-Nantes foi ou não a primeira escolha de Pinto da Costa, pouco interessa agora, o homem que marcou 3 golos a Oliver Kahn é o treinador deste Porto 2017/ 18.
    Curiosamente, o único dos 3 a mudar de treinador, é também aquele que menos jogadores está a recrutar. Mas já lá vamos.
    Fechamos portanto o ciclo de previsão/ sugestão da constituição dos três principais candidatos ao título no futebol português. Esta construção especulativa visa ser um ponto de equilíbrio entre o que achamos provável acontecer neste defeso, e as medidas (ou contratações) que sugeríamos para que cada clube atinja os objectivos a que se propõe. Os plantéis que aqui verão serão - uns mais do que outros - ficcionais, fruto da nossa imaginação, mas construídos com base nos anos de futebol que já levamos, conhecendo as equipas e os seus perfis de contratação/ prospecção tidos em conta na hora de tomar decisões.
 
    Apertado pelo fair-play financeiro (e, já agora, pelo bruto ordenado de Iker Casillas), o Porto já vendeu dois talentos da casa, André Silva e Rúben Neves. Uma venda angustiante, para nós, no caso do médio-centro, que ruma ao Championship quando ainda podia ter uma história bem diferente para escrever no Dragão, saltando depois para um clube de acordo com a sua qualidade. Sérgio Conceição tem em estágio diversos jogadores, e a verdade é que com os regressos de vários emprestados (Ricardo Pereira e Aboubakar, nomeadamente) o plantel não precisa assim de tantas afinações. Haja capacidade para tirar tudo deste elenco.


O Plantel

Guarda-Redes: Iker Casillas, Vaná (Feirense), João Costa

    Sabor agridoce para os dirigentes do clube da cidade invicta. Iker Casillas accionou o ano de opção que tinha pendente com o Porto, o que faz com que os dragões tenham que suportar o seu salário principesco. É uma mais-valia para Sérgio Conceição, e uma menos-valia para os cofres de um clube apertado a nível financeiro. Na sombra do espanhol estará o reforço Vaná (o Porto não conseguiu esquecer a sua monumental exibição no Dragão ao serviço do Feirense), e ainda João Costa. A chegada de Vaná pode originar a saída de José Sá ou de Costa, mas apostamos que os dragões abdiquem do barbudo Sá, com a baliza a médio-prazo a ser disputada por Vaná e Costa (mas outro costa, Diogo).

Defesas: Ricardo Pereira, Diogo Dalot; Felipe, Diogo Queirós, Iván Marcano, Pedro Henrique (Vit. Guimarães); Alex Telles, Rafa Soares

    Ao contrário de Benfica e Sporting, o Porto mantém a sua dupla de centrais titulares na época passada. Felipe e Marcano continuam no coração da defesa azul-e-branca, eles que formaram a melhor dupla do futebol português, e esse bónus não deve ser ignorado. Martins Indi não ficará, Reyes ainda pode ser o 3.º central deste Porto, mas para ocasionalmente fazer descansar a dupla titular sugeríamos a promoção do jovem Diogo Queirós para quarto central, e a aquisição de um central como Pedrão, do Vitória, uma vez que também Boly já seguiu para novo destino.
    Layún é um grande jogador, mas pode também valer uma boa compensação financeira ao clube. O lado esquerdo está muitíssimo bem entregue a Alex Telles, podendo Rafa Soares evoluir no Dragão depois de bom rendimento no Rio Ave; do lado oposto, achamos que o melhor era deixar Maxi Pereira ir à sua vida, confiando o lugar a duas das novidades mais entusiasmantes deste Porto de Sérgio Conceição - Ricardo Pereira e Diogo Dalot. O ex-Nice tem claramente pretendentes mas pode ser peça-chave nesta temporada, valorizando-se sobremaneira, e podendo inclusive funcionar em parelha com Dalot, dada a sua polivalência (em França jogou a lateral, direito e esquerdo, e extremo). Já Dalot, é muito acima da média para a idade, e merece o patamar de equipa A.

Médios: Danilo Pereira, Mikel Agu, Sérgio Oliveira, André André, Óliver, Ótavio

    No miolo, Danilo é a chave. Apesar de ter propostas, os azuis e brancos têm que fazer um esforço para manter o médio. Será peça fundamental na táctica de Sérgio Conceição e terá Mikel Agu (boa época no V. Setúbal) como sua alternativa. Sérgio Oliveira pode ganhar espaço com uma eventual saída de Hector Herrera. O mexicano é classificado como transferível, mas a verdade é que ainda não chegaram propostas pelo jogador. Os dirigentes portistas ambicionam fazer 20M na sua venda para melhorar a situação financeira do clube.
    André André deverá ter um papel de relevo com Conceição. O português tem a identidade do clube e foi claramente um talento desperdiçado nas mãos de Nuno Espírito Santo. Já Óliver e Ótavio tratarão de criar oportunidades e fazer este Porto jogar. São os dois jogadores mais criativos no meio-campo e podem ser peças fundamentais. Conceição tem que saber aproveitar estes diamantes.

Extremos: Jesús Corona, Marega, Yacine Brahimi, Hernâni, Galeno

    Entre algumas dúvidas, é certo que Sérgio Conceição travou a saída de todos estes jogadores. O técnico português considera que todos eles têm algo a dar ao clube e que fazem parte do seu projecto para reerguer o mesmo. Brahimi e Corona não podem sair deste Porto, e faz sentido que Conceição lhes tenha trancado a porta. Hernâni e Marega, destaques no Vit. Guimarães, têm finalmente a sua oportunidade na equipa principal do Porto. Veremos se não terminam novamente emprestados ou vendidos, mas a verdade é que têm talento para dar e vender, e a raça para convencer o novo técnico. Por fim, Galeno é o talento vindo da equipa B que tem dado nas vistas e deverá mesmo ficar nos quadros da equipa principal. O jovem tem-se mostrado na pré-época com bons pormenores e a probabilidade de ficar é alta.

Avançados: Soares, Vincent Aboubakar, Welthon (Paços Ferreira)

    Não é líquido se o Porto irá jogar em 4-3-3 ou 4-4-2, mas convém Conceição ter jogadores para poder actuar nos dois modelos. O estado de graça de Soares no Dragão perdeu algum gás na recta final da época passada, André Silva rumou ao AC Milan, mas felizmente para os dragões o camaronês Aboubakar não teve qualquer problema em voltar atrás com as suas palavras ("Voltar ao Porto? Jamais!"). Focado no clube, o avançado que na temporada passada actuou no Besiktas pode ser um dos grandes reforços deste Porto. Depois, e uma vez que achamos que o melhor para Rui Pedro seria um empréstimo a um clube da Liga NOS, contratar Welthon ao Paços podia ser uma boa jogada. Com Soares, Aboubakar e Welthon, os azuis e brancos teriam sempre goleadores para agitar o jogo, e muito poderio físico.


O que muda? Se nos casos de Benfica e Sporting haverá uma ideia de continuidade, por muito que os jogadores mudem, no Porto Sérgio Conceição pode mudar muito. O principal objectivo dos dragões para a nova temporada é dotar a equipa de capacidade ou fibra para não vacilar nos momentos-chave. "Ser Porto" não é uma frase para ser dita nas conferências de imprensa, entre rabiscos imperceptíveis; é sim algo que se vê em campo, com jogadores que - contagiados pelo técnico, se o seu perfil competitivo assim o exigir - não se escondam, assumam e lutem. Os jogadores já lá estão, precisam agora de ser potenciados ao máximo.
    O tridente defensivo (Casillas, Felipe e Marcano) permanece, e na defesa, no nosso entender, só mexíamos na posição de lateral-direito. Mais à frente, só aceitamos a venda de Rúben Neves se tal significar que o Porto irá ser capaz de segurar Danilo Pereira, o melhor elemento do clube em 2016/ 17. Vender ambos, seria... parvo.
    Caso Sérgio Conceição consiga fazer explodir Óliver Torres, o espanhol pode marcar a temporada em Portugal, e não nos podemos esquecer que foi ao serviço deste treinador que Otávio brilhou em Guimarães.
    Como referimos na secção dos avançados, não é linear se o novo treinador irá privilegiar o 4-3-3 ou o 4-4-2, pelo que a pré-época irá ajudar a definir isso. No entanto, com os nossos três escolhidos (Soares, Aboubakar e Welthon), seria certamente difícil para os adversários lidarem com qualquer dupla: Soares-Aboubakar, Aboubakar-Welthon ou Soares-Welthon.


A Formação: Sérgio Conceição, caso permaneça no banco portista nas próximas épocas, terá a oportunidade de estrear uma fornada de qualidade. André Silva e Rúben Neves são dois casos de relativo sucesso (podiam ter rendido mais desportivamente, sobretudo Neves), e a política de aposta na prata da casa deve continuar pontualmente.
    No plantel que propomos, incluimos Diogo Dalot, Diogo Queirós e Rafa Soares. Casos bem diferentes. Destes três, Dalot seria porventura aquele que viria a ter mais minutos, embora Rafa seja o que já está habituado ao patamar da I Liga.
    No entanto, é importante que o Porto saiba gerir vários dossiers e proporcionar o patamar e desafio certo nos momentos certos aos seus potenciais craques. É importante que Rui Pedro, sobretudo se Aboubakar ficar mesmo, seja emprestado para ter uma época inteira a jogar 90 minutos todos os fins-de-semana; e não é exagero entregar já a baliza do Porto B a Diogo Costa.
    Diogo Leite, Romário Baró e Afonso Sousa são miúdos para monitorizar com atenção, e Rui Pires e Bruno Costa elementos que podem beneficiar com uma experiência noutro clube.


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