Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Florescendo...

A vida não passa, ela corre, acelera, pisa fundo.
Ao longo dos meses, dos anos, pessoas vêm e vão.
Tornam-se próximas e deixam suas marcas e depois se afastam.
Passam apenas, muitas vezes. Mas ainda assim deixam saudade.
Sem motivo concreto, sem razão aparente. Assim vieram, assim se vão.
Um sorriso bobo, um olhar contente, uma idéia compartilhada, palavras escolhidas a dedo,
para contar a história do que fora feito de toda esta gente.
Transformam-se em estatísticas nas páginas de nossas vidas.
Também eu tenho passado. Passado pelas vidas, pelos lugares.
Tenho ido, tenho ficado.
Passado.

Ouvi de alguém, hoje pela manhã:
"You bloom wherever you're planted".
Talvez eu não tenha apenas passado!

Quinta-feira, Julho 31, 2008

Sol, açúcar, e afeto

Depois de gastar um bom tempo tentando recuperar minha senha de acesso ao blog e quase desistir... a boa filha à casa torna, como diz meu sábio pai.
Trago notícias, e elas são boas.
Com a chegada do verão e 22 dias de sol eu quase esqueci os maus bocados.
Mas durou pouco. Ontem choveu o dia todo e a previsão para o resto da semana é de chuva.
Ao menos no final de semana o sol deve retornar e com sorte a temperatura deve voltar à casa dos 30 graus.
Nem preciso dizer que não aguardo ansiosa pela chegada do outono e inverno.
Tenho planos de voltar a atualizar o blog, mas não faço idéia ainda de como ou quando.
Eu precisava ao menos agradecer as mensagens de apoio recebidas, dizer que estou bem.
Como um amigo costuma dizer, sou sobrevivente.
Sobrevivo a mim mesma todos os dias, e desta forma me reinvento e adapto às intempéries.
Assim me reconstruo, imune a algumas tristezas e surpreendentemente vulnerável a algumas outras.
Sinto falta daqui. E daí.
Da vida perfeita que nunca existiu e da mulher feliz que fui a despeito de tudo.
Do abraço sempre pronto, de abraçar sempre.
De parar pra um café sem compromisso.
De namorar o doce na vitrine da confeitaria.
De indulgir-me em açúcar e afeto.
De rir. Chorar de rir.
De balançar na rede e andar descalça.
Onde foi que esqueci de mim?

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Tempos difíceis

Então você me olha meio de lado, aquele ar de espanto escancarado estampado no rosto e me pergunta:
"-Por onde andastes??"
Tomo meu tempo, um suspiro profundo:
Tem um tempo? Eu explico.
Melhor, eu respondo. Não, na verdade, eu desabafo.
Senta aqui.
Não...mais perto. Segura minha mão?

- Ansiedade
Origem do termo grego anshein, que significa "estrangular, sufocar,
oprimir".

Estado caracterizado pelo medo, apreensão, mal-estar, desconforto,
insegurança, estranheza do ambiente ou de si mesmo.


Dia desses bisbilhotei por aqui, sorrateira. Como se uma intrusa em meu próprio ninho.
Doeu.
Como tudo nas últimas semanas.
Desculpe, não consigo conter as lágrimas, tem sido assim, dia após dia.
Querem me entupir daquelas estúpidas pilulas.
Coloridas, duas ou três delas.
Restabelecer contatos neurotransmissores.
Nomes difíceis, complicados. Mas é para o meu bem.
Recuperar o equilíbrio é importante.
O cérebro não ajuda, preguiçoso.
Quanto mais eu me esforço, mais difícil me parece.
Não consigo pensar, e quando penso, dói.
Dói o peito, dói , dói.
Comecei escondendo-me dos amigos.
Depois do marido, do filho.


- Depressão
Tristeza profunda acompanhada de sintomas físicos e afetivos, como falta de
energia, cansaço extremo e incapacidade de sentir prazer, melancolia,
irritabilidade, angústia, desesperança.
Evidente alteração da capacidade de captar, sentir e manifestar os
afetos e sentimentos.

Agora, veja só...escondo-me de mim mesma.
Nunca foi tão difícil encarar meu reflexo no espelho.

A verdade é que vim só para dizer que você é importante pra
mim.
Você que tantas vezes me segurou -e ainda segura- a mão.
Você que sempre teve uma palavra generosa, um sorriso sincero, um
minuto reservado do seu tempo tão precioso só pra ouvir o que eu tinha pra
dizer.
Mesmo quando o que eu tinha para dizer nem era importante.

Vim pra tentar explicar, mas desisti.Só quero pedir perdão.

Perdão por ser tão fraca, tão vulnerável.Perdão porque pareço egoísta e frívola quando só o que faço é chorar e reclamar da vida e ter pena de mim mesma, e carregar esta imensa culpa que me pesa nos ombros. Não tenha pena de mim, não!! Se você me conhece sabe o quanto isso me incomoda.Obrigada pela mão amiga, o ombro disponível para as lágrimas incontidas, o afago que conforta . Desculpe a falta de jeito, o abraço desconcertado que parece na verdade querer afastar. Eu volto logo, juro. Assim que juntar meus cacos...eu volto!!

Sábado, Dezembro 29, 2007

Novos tempos

Houve um tempo em que eu escrevia sem me preocupar com ortografia, concordância.
Quem acompanhou o blog desde o início sabe.
Mas é claro, tudo muda.
à medida em que percebia o número de visitantes aumentando no meu contador de visitas, passei a me preocupar mais com a estética, a apresentação, e também com a qualidade - duvidosa - de tud o que eu escrevia.
Aprendi um bocado lendo blogs alheios.
Angariei fãs, tornei-me uma.
Conquistei amigos, e descobri com surpresa, que aquela amizade era real.
Que podia ser real apesar de todas as diferenças e distâncias.
Hoje, por um motivo bobo, fiquei triste.
Mas é também verdade que nos últimos tempos tenho andado um bocado triste.
Sendo assim, dizer que hoje estou triste é redundância.
É chover no molhado.
Para quem acreditava que casamento é uma instituição falida, paguei o preço para ver:
casei-me em cerimônia, "mas sem muita cerimônia" como diz meu sábio pai.
A Bianca talvez nem de longe lembre a Bianca que iniciou o blog timidamente.
As experiências acumuladas ao longos dos meses, anos, fazem-me sentir senão mais velha (palavrinha difícil de encarar), mais calejada e vivida.
Como sempre, insatisfeita.
Mas...alto lá!!
Eu aprendi, e muito.
Estou tentando reunir forças para encarar os problemas que vão surgindo e para isso tenho me recolhido em minha concha.
Mas quero voltar a ver a luz do sol.
Então hoje, timidamente, atravesso a soleira da porta e me permito viver
a vida que eu sempre quis e nunca tive.
Timidamente, deixo para trás a minha concha e ensaio um retorno desengonçado.
Lembro-me de ter escrito uma vez que viver dói.
Deixar de viver dói ainda mais.
Estou voltando.

Sábado, Setembro 29, 2007

Das lágrimas e da natureza humana

Desejei que você estivesse aqui, mãe.
Com seus olhos azuis que enxergam sempre além.
Com seu colo sempre disponível, seu sorriso sempre aberto, o afago certo.
Eu ontem chorei um bocado , e não foi um choro qualquer.
Não foi aquele choro de criança que não ganhou o brinquedo tão desejado, a quem fora negada a guloseima que se exibe na vitrine da loja de doces.
Foi um choro intenso, sentido, sofrido.
De dor, de solidão, de cansaço, de exaustão.
Se você estivesse aqui ia me afagar os cabelos molhados pelas lágrimas, ia dizer que sou tão boba...nada como um dia depois do outro, e outro, e mais outro.
"Pra quê chorar filha...não resolve nada."
Eu ia olhar dentro dos seus olhos ainda mais azuis e dizer:
"Porque dói mãe...dói tanto..."
Eu pousaria mais uma vez a cabeça no teu colo, e adormeceria, exaurida pelo choro convulso.
Segura, aquecida.
Eu hoje chorei mais um tanto.
"A dor não quer ir embora mãe...não quer..."
Eu só queria seus olhos azuis.
O seu colo.
E ouvir você dizendo que chorar é desperdício de tempo quando a vida é tão breve e a morte é certa.

Sexta-feira, Junho 22, 2007

Não procuro uma saída

Dentre tantos novos caminhos e descobertas,
talvez a que mais me cause espanto é a descoberta de mim mesma.
Enxergo-me com outros olhos.
Menos severa, mais condescendente talvez.
Foram tantos, e tão difíceis os momentos em que acreditei que
não valia à pena sequer tentar.
Duvidei de mim mesma, da minha força e capacidade.
Com o tempo, e só com ele, percebi do quanto eu seria capaz.
Do quanto fui, e anda hoje reconheço com surpresa, do quanto ainda sou.
Tenho falado tanto de sonhos e planos, e quando hoje alguém me perguntou
quais eram meus planos para o futuro, não hesitei e a resposta veio antes mesmo que eu pudesse sequer articular palavras.
Meu plano maior é viver.
Nada me importa mais que ser e fazer diferença na vida daqueles a quem eu amo.
Nada.
Nem trabalho, nem dinheiro, nada.
Houve tempos em que eu queria tanto, sonhava tanto.
Coisas com as quais todo mundo já sonhou um dia.
Uma casa, um lar, um canto pra chamar de seu.
Conforto, estabilidade financeira, uma carreira, um trabalho decente que me motivasse e estimulasse a crescer sempre mais.
Um amor verdadeiro, e inteiro.
Nunca quis encontrar a "outra metade".
Sempre quis encontrar meu "outro completo".
Amar plenamente.
Sem jogos, sem dramas.
Amar simplesmente.
O sexo, a alma, o pensamento.
Hoje,eu sei, quero tanto e quero tão pouco.
Nem um pedaço de chão quero mais.
Quero sim, um pedaço de vida.
Fértil, produtiva.
Tão pouco me resta e tão pouco de fato eu tenho.
Mas é tanto e tão maior o que sinto.
E eu sei:
Não tenho medo da vida, ela é que tem medo de mim.
Não procuro uma saída.
Eu quero mesmo viver assim.



Bon Jovi "Blaze of Glory"

Domingo, Junho 17, 2007

From desire

What if I tell you that I saw a bird
Upon your sex...
should you believe it?
And if it isn’t true, the Universe will not change at all.
If I say that desire is Eternity
Because the moment burns without end
Should you believe it?
And if it’s not true...
So many have said it that it could be.
In desire we are touched by sophomania, ornaments
Immodesty, shame.
Why can’t I dot with innocence and poetry
Bones, blood, flesh, the now
And everything in us that will become misshapen?


Hilda Hilst

Quinta-feira, Junho 07, 2007

Um pouquinho de Vashon



Vashon é uma ilhazinha vizinha a Seattle, e tem aproximadamente 21km de extensão.
Em certos aspectos, poderia ser considerada o lugar perfeito para viver.
Ao abrir a porta dos fundos (lembre que aqui não se usam cercas, ou muros), não é raro ter a oportunidade de ver veados, coelhos, lobos, e ultimamente até ursos têm sido vistos por aqui com frequência.
Existem praias de onde se pode avistar o Monte Rainier, e apreciar o pôr do sol por entre as montanhas geladas. É simplesmente de tirar o fôlego.
Claro, após alguns dias na ilha você começa a sentir falta da cidade, dos sons, dos ruídos, de simplesmente ter pessoas ao redor.
O centro da cidade resume-se a dois quarteirões, onde se encontra de tudo: Desde a biblioteca pública e o banco, até a farmácia, mercado, feira, bares, e restaurantes.
E pode acreditar: são bons restaurantes (e caros também).
Para chegar a Seattle é necessário fazer a travessia pelo ferry-boat, que demora aproximadamente 20 minutos.
As filas para o ferry nos finais de semana são enormes, e quase sempre é necessário esperar de 2 a 3 horas para conseguir fazer a travessia.
Existem duas docas na ilha, uma ao sul (">Tahlequah) e outra ao norte (Fauntleroy).
Eu moro a 500 metros do ferry, ao sul da ilha, e é lá que eu passo a maior parte do meu tempo livre. Nem é necessário dizer porque...a paisagem é simplesmente deslumbrante.
Às vezes atravesso para o outro lado, onde há um parque e um zoológico.

Aqui vão as primeiras fotos, de muitas que ainda virão!

Domingo, Junho 03, 2007

Rambling thoughts

Algumas pessoas não conseguem lidar com a honestidade alheia.
Um amigo meu costuma dizer que existem verdades que não precisam ser ditas.
E eu concordo, até certo ponto.
Que não se digam algumas verdades, que não trazem benefício algum, para poupar alguém de um desconforto ou até mesmo de uma tristeza, eu concordo.
Mas não é desta honestidade que eu falo.
Eu falo de uma honestidade mais abrangente.
De quando você expõe suas idéias, seus medos, anseios, dúvidas, incertezas.
Algumas pessoas considerariam esta disposição em manifestar tais sentimentos uma fraqueza.
Não eu.
Nunca tive medo de assumir minhas fraquezas.
Não me sinto confortável com elas. Não.
Eu sinto que dou um passo importante rumo ao meu crescimento pessoal quando aprendo algo de novo ao compartilhá-las.
Não me sinto pior ou melhor que ninguém quando o faço.
Sinto-me humana.
Mas eu aprendi que existem pessoas que se sentem ameaçadas por esta honestidade.
Parece que a verdade é demais para elas.
E tudo o que eu posso dizer é que eu sinto muito.
Não mudo uma vírgula do que disse ou do que fiz.
Cada um é dono de sua consciência.
Ao menos a minha, esta me pertence.


Jimmy Cliff "Sunshiney Day"

Quarta-feira, Maio 23, 2007

Da saudade

Tem dias que a saudade é tanta que parece não caber.
Não cabe no peito.
Não cabe nos dias que se repetem.
Não cabe na gaveta entre as fotos e lembranças.
Não cabe no armário onde as roupas disputam o espaço com os sapatos.
Não cabe na mala guardada embaixo da cama.
Não cabe nos bolsos dos casacos, nem nos bolsos das calças.
Não cabe, não cabe, não cabe.
Mas talvez ela caiba aqui, nas páginas de um livro que não conhece seu fim.
Cabe nas sentenças quase desconexas e nas tentativas frustradas
de abraçar o mundo e segurá-lo nas mãos marcadas pelo tempo, castigadas pelo frio.
Aqui a saudade se camufla, camaleônica.
E reina, absoluta.


Patti Smith "Smells like teen spirit"